A casa dos grandes pensadores
 
 
 
  FÁTIMA PILLA MULLER

 

 

 

ENTRE  BRAÇOS
 
São enlaces de afetos , desejos,
do reencontro sonhado que acontece ,
que transmitimos com cumplicidade,
àqueles que mais amamos.
O abraço é o primeiro anfitrião,
que nos recebe ao chegarmos ao mundo,
nus, desprotegidos em trêmulos músculos.
Desnorteados por sons e luzes que doem,
ele reconstitui a segurança uterina.
Primitiva experiência de desconcerto,
de perda dos limites e da paz.
Em meio ao caos da inevitável separação,
lentamente se acalma um descompassado coração,
ao sentir o toque suave por entre braços do aconchego.
Neles recebemos o leite com gosto de vida,
matéria prima de nosso andar, falar e amar,
e pelos abraços marcamos nossas passagens.
Quando amamos , amamos pelos abraços,
mais muito mais, do que qualquer beijo.
É o tranquilizante mais disponível e eficaz,
devolve-nos os limites , apaga incêndios,
capaz de operar milagres às emoções.
Existem abraços para todas as intenções,
para seduzir, pedir desculpas, amenizar a solidão.
Tem enlaces traiçoeiros, que não se deve guardar,
devemos sacudir os ombros para não contaminar.
Existem abraços arrepiantes, que se deve incentivar,
enchem a alma de luz e o corpo de doce calor.
São abraços de carícias mágicas, olhos fechados,
prazer indescritível, sensações de puro êxtase.
Abraço é gatilho para despertar as emoções,
uma troca de energia positiva, sem más intenções, 
jeito sutil de dizer que amo alguém que quero bem.
Pode ser formal, um abraço de respeito,
comportado, que toca o peito, meio sem jeito.
Tem o abraço de alegria, transbordando euforia,
aquele em que se enlaça a cintura e rodopia.
Quando se enche o ar de sentimentos,
e se tem uma vontade louca de dançar.
Comemorar com intensidade o encontro esperado,
dizer com a alma e o corpo, que és amado.
São tantos momentos que nos marcam,
o abraço interminável da chegada,
e o tão doloroso, encharcado das despedidas.
Por vezes passamos anos aguardando,
o reencontro sonhado com aquele abraço...
O que negamos, e nos fez dolorosa falta,
o que demos e não recebemos de volta.
Aquele que sentimos medo  de dar ,
e agora perdemos o tempo para abraçar.
À todos os magníficos abraços que recebi,
que fizeram da minha vida valer ser vivida,
deixo aqui meu mais forte e amoroso abraço.
 
( Em especial à Raquel V. por um abraço inesquecível )

Fátima Pilla Muller  27/maio / 2009

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 29/05/2009