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A EVOLUÇÃO DA PAIXÃO
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- Amar
é uma arte, que em parte se aprende , o resto só amando e
vivendo. Para tantos é sinônimo de sofrimento, perda,
desilusão, para outros adrenalina, pura emoção, razão de viver.
- O
amor existe e acontece em vários graus e intensidade, quando
pequenos nos ensinam a amar o próximo, os amiguinhos da escola,
a família. É a fase do amor ingênuo, lúdico, despretensioso, ou
de pura sobrevivência.
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Investimos nosso amor, este manancial de poderosos sentimentos,
quase que indiscriminadamente, como se fosse uma obrigação, uma
lei amar à todos.
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Crescemos, e por vezes, de modo doloroso, descobrimos que nosso
amor não tem reciprocidade, sofremos a decepção dura e precoce,
passamos a questionar nosso apego a estes pessoas que não o
merecem, por vezes, o próprio amor.
- Desta
época permanecem, para sempre, fiéis amigos, um tipo especial e
precioso de amor, solidário, companheiro, depositário de nossos
secretos segredos dos devaneios e sonhos de adolescentes.
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Quando nos apaixonamos pela primeira vez, descobrimos o amor em
um estado extremo de êxtase e elevação, subitamente o resto do
mundo perde o interesse e todos nossos atos se voltam a uma
única pessoa, o objeto do nosso amor e verdadeira adoração.
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Deixamos de caminhar e passamos a flutuar, em alguns momentos,
perdemos o senso crítico e passamos a ver estrelas à luz do dia,
enxergar o rosto do ser amado em qualquer out door, escutamos
compulsivamente a “nossa música“, sentimos o cheiro de seu
perfume pelo ar, e aguardamos ansiosamente qualquer sinal, que
nos dê a certeza de que também somos importantes.
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Fazemos bobagens quando estamos apaixonados, e como é gostoso
fazer bobagens ! Mandar cartões com poesias, flores , mimos de
surpresa, gravar uma canção na secretária eletrônica, preparar
um jantar exótico cheio de boas intenções, aprender coisas que
jamais imaginamos fazer, apenas para agradar nosso bem querer.
- Mas
paixão é sinônimo de adrenalina pura, pode durar por dois a três
anos, é uma avalanche de hormônios poderosos que nos dá esta
magnífica energia para exercer um amor especial, turbinado, e ao
mesmo tempo, nos cega para a realidade. Enxergamos nosso amado,
apenas com qualidades, tudo é perfeito, exatamente como
sonhamos, ele adivinha nossos desejos, lê os pensamentos, somos
também perfeitos aos olhos dele.
- É um
período mágico em nossas vidas, ensolarado noite e dia,
possuímos uma energia inesgotável para demonstrar nossos
sentimentos e intensas emoções. Denunciamos nosso estado
apaixonado pelo olhar brilhante e distante aqui da Terra,
vivemos nas nuvens nosso cotidiano, rimos aparentemente sem
motivo, mas todos sabem em quem estamos pensando...
- O
centro do mundo não é mais nosso umbigo, é ele, abandonamos a
nós mesmos, por este amor extremado, não há egoísmo, não existe
mais eu, não nos vemos mais sozinhos no espelho.
- Mas
a paixão tem seu curso, e pouco a pouco, a realidade do
convívio, se sobrepõe à idealização. Por uma razão de saúde
física e mental, se faz necessária a morte da paixão, ou nós
morreríamos se continuássemos vivendo indefinidamente com esta
sobrecarga de libidinosos e borbulhantes hormônios, atiçando
nosso comportamento ardente e devotado compulsivamente.
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Então nasce o amor... O turbilhão de sentimentos agitados da
paixão, cede lugar à afeição, ao enamoramento, a dedicação, ao
desejo de proteção recíproca, delicadeza, ternura, sensibilidade
ao invés da adivinhação dos desejos.
- A
calmaria acolhe as emoções mais doces, a cumplicidade
fortalecida atiça os desejos mais ardentes, que sobrevivem ao
abandono da paixão. A afinidade se torna sólida, a alegria
permanece como companheira constante, embora de dia tenha sol e
à noite estrelas, cada um reflete sua beleza e poesia, assim
como o desnudar da realidade e verdade da essência de cada um
dos amantes.
- Amar
verdadeiramente, acima de tudo é aceitar o ser amado, exatamente
como ele é, pós paixão ! É respeitar seus limites, reconhecer
suas potencialidades, perdoar sinceramente suas falhas, dar colo
nos momentos de tristeza, aceitar a necessidade de silêncio,
fortalecer quando se sentir frágil, ser solidário na dor,
agradecer os carinhos recebidos, abraçar no desamparo,
incentivar os sonhos, compartilhar as alegrias, ser fiel aos
acordos, dedicar-se ao ser amado, cultivar o amor dia a dia, em
pequenos gestos de ternura e atenção.
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Portanto, a paixão é maravilhosa, mas sua evolução, o amor...É
sinônimo de vida! Quem não tem a coragem de viver com amor, deve
ser sumariamente, condenado a solidão perpétua.
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Fátima Pilla Muller
Publicação:
www.paralerepensar.com.br -
10/08/2005

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