PLENITUDE
É
uma indescritível sensação que tem me
acompanhado nos últimos tempos. Me pego
rindo sozinha, me divirto com os detalhes,
as sutilezas com desnuda ansiedade, ao
perceber que a vida agora, tem fluído
exatamente como eu sonhei desde guria.Fiz
tantos planos, incontáveis crises se
apresentaram, adiei projetos que pareciam
tão simples e eu compliquei. Procurei o amor
por caminhos equivocados, mas me bastaram
para distrair um ser angustiado por amor
e paixão.
Fez-se a paz após décadas. O coração bate
suave, a solidão me esqueceu, descobri o
encanto de me sentir bem, assim a sós,
também.Os amigos são tão poucos, mas de
tamanho quilate, que valem por cem.
Presentes na vida e da vida, escuta segura,
crítica construtiva, colo
aconchegante, parceiros divertidos em
noitadas onde faço do fogão, meu mágico
caldeirão de comidinhas que aquecem as
emoções, regadas por um vinho cor de sangue.
Puro fascínio alcançar esta plenitude,
imagino ser algo semelhante ao que sente a
gurizada, naqueles saltos em pontes
altíssimas, amarrados a uma corda, e ficam
pendurados de cabeça para baixo. A diferença
é que eu estou de cabeça para cima, no
prumo, não recebo uma enxurrada de
adrenalina, a minha pinga gota a gota, dia a
dia, não se desfaz num instante. A evolução
nos permite intensas e duradouras
emoções.Tem o dom de nos dar sensatez, uma
auto estima forte, consistente que bloqueia
qualquer ataque aos valores e ideais que
cultivamos convictamente, quando somos
fortes e corajosos.Eu fui.
Neste estágio, sinto-me cúmplice
de mim mesma, com aquela sensação de
viver uma felicidade tão grande, que
acredito ser necessário disfarçar para não
provocar inveja. Caminhar devagarzinho para
não acordar a tristeza. E comemorar !
Intensa e merecidamente a alegria de estar
viva, com saúde, querida e realizada,
alforriada dos mal amados e depressivos.
Sorver o prazer oceânico de ter nas mãos a
alegria, de não mais se abater pelas
picuinhas, tirar de letra os inconvenientes,
escapar das armadilhas, antes de cair.
Tudo
isto me parece a descoberta de um grande
segredo... Só tenho a certeza de que a
felicidade existe, é linda, tem as cores de
um por de sol, excitante e não importa em
que tempo conquistamos esta certeza, o que
realmente importa, é que possamos nos
deliciar com
todas as surpresas que ela nos reserva ao
longo da vida.
Eu
nunca tive medo da morte, talvez porque
dizem que a gente morre do jeito que que a
gente vive, e eu vivi até aqui com dignidade
e respeito, com uma infinita gratidão por
tudo que me foi dado até então. Vivi com um
amor sólido e profundo por todos aqueles que
me cercam, exerci com afinco a
solidariedade, embora algumas vezes
ludibriada, não perdi a esperança nem a fé
no que é humano.
Que
emoção indescritível a de ver nossa vida
passar feito um filme ao refletirmos, e
sentir em cada poro a felicidade se
esparramar sobre nosso corpo e alma.
Perceber a justiça se instaurando em todas
as situações que nos sentimos lesados,
magoados e humilhados.Sempre existirá em
nossa vida um momento de confrontro com
nosso âmago, aquela velha história do
balanço. Se tem algo que eu acredito
piamente, cada vez mais, é a do que aqui se
faz , aqui se paga. E como !
Nada a
ver com vingança ! Por favor , nem pense
nisto, estou fora. É uma simples constatação
de quem viveu algumas décadas com grande
intensidade e devoção. Não há como fugir,
lamento é a realidade. No entanto, sou uma
incorrigível otimista, completamente
apaixonada pela vida, se teu balanço está no
negativo, parte para um plano de ação que o
coloque no positivo. Te garanto, vale o
investimento.
Fátima Pilla Muller