QUANDO SE PERDE O PRIMEIRO AMOR
Nunca
estamos preparados para perder,
quanto
mais nosso primeiro grande amor.
Aquele
colo inesquecível, forte e grande,
que nos
acolhe por toda a vida, incansável.
É o amor
incondicional, a conversa pelo olhar,
um
respeitar sem fim, o norte que se precisa.
O homem
que nos dá as mãos e nos ensina a caminhar,
que nos
encanta cantando canções de ninar.
Que nos
protege de tudo e todo perigo, sem vacilar,
é capaz de
dar sua própria vida ...
Nos ensina
a viver com alegria, responsabilidade,
austeridade, honestidade e determinação.
A verdade,
por mais dolorida, é sempre prioridade.
Brilhava
como estrelas naquele olhar verde água,
palavras
não se faziam necessárias,
nos
entendíamos em um profundo silêncio.
Era um
mestre na diplomacia, na arte de conciliar,
mas frente
a uma injustiça, jamais se calava.
Lutava
valente, corajoso, parecia um gigante,
cuja
esperança e fé não se abalavam.
Foi um
homem leal, especialmente aos amigos,
aos
valores , à família e aos amores que cultivou.
Um pai
linha dura e afetuoso, exigente e amoroso,
sempre
presente e companheiro de doces brincadeiras.
Tinha um
senso de humor inigualável, encantava os netos,
apaixonados pelo vô Raymundo, que lhes apresentava um
mundo,
fascinante
de estórias e histórias, com uma ternura imensa.
Mesmo
depois de perder, seu grande amor, minha mãe,
quando
éramos bem pequenos, nunca nos faltou carinho,
atenção,
parceria e a união de todos com muita alegria.
A Páscoa
era comemorada com os ninhos escondidos,
cuidadosamente arrumados por ele com tanto esmero.
No Natal,
para ele era a felicidade suprema,
quando
reunia os seis filhos em torno de um grande pinheiro,
repleto de
pequenas velas, o presépio, e uma mesa farta e
colorida.
Sua
brilhante inteligência e sensibilidade aguçadas,
garantiam
a alegria de nossos encontros inesquecíveis.
Meu amado
pai, tua partida me abate, me sinto perdida,
mas tua
luz está aqui comigo, forte como nunca,
e, como
sempre, me guiarás pelos melhores caminhos,
teu amor
jamais me deixará sozinha.
Te amo.
Fátima Dezembro de 2006