SERÁ QUE EU FIZ A
MINHA PARTE ?
Sinto-me abatida e decepcionada, como milhares de pessoas
neste país. Aqui na minha terra, Rio Grande do Sul, o povo
está silencioso, as manifestações são caladas e transmitem
o peso e a cor da dor de um luto que vem sendo construído
há tempo, pelo desemprego, a falência do estado, a
violência, escândalos de corrupção, e todas as tragédias
que impactam nosso cotidiano.
O acidente
aéreo foi o ápice de uma ferida que vem sangrando a
galope .
Passei boa parte da minha vida, dedicando-me ao
aperfeiçoamento profissional, me mantinha afastada das
questões políticas, até que dei-me conta que deveria fazer
algo mais. Surgiu a oportunidade de coordenar uma campanha
política de um amigo, o qual tem toda a minha admiração.
Dediquei-me meses ao trabalho voluntário,
enfrentando madrugadas de frio, vilas escuras, conhecendo
um outro lado de nossa sociedade, com o intuito de fazer
algo mais por esta terra, me responsabilizando por uma
pequena parcela no futuro dos acontecimentos.
Aprendi demais e dolorosamente a caminhar pelos
labirintos da política deste país. Não há um canto sem
corrupção! O que decide é o poder econômico do candidato,
e todos as esmolas eletrônicas que ele poderá pagar, antes
e depois de uma eleição. Não era o nosso caso. Nosso povo
é sofrido demais para refletir sobre escolhas políticas,
ele quer comida na mesa! E, assim, homens corruptos e
incompetentes, se elegem para construir os caminhos que
iremos trilhar. Isto é sim, responsabilidade de cada um de
nós, que direta ou indiretamente escolhem de forma
irreverente.
No
Pan vaiei pela TV o presidente, junto com aquela multidão
de insatisfeitos, que embora de uma classe social
privilegiada, estão conseguindo perceber a gravidade do
contexto político em que nos encontramos. Estão indignados
com o deboche para com o povo, a irresponsabilidade e o
descaso com a vida das pessoas que diariamente são
ameaçadas pela violência, insegurança, desemprego, e
desespero frente à falta de oportunidade de sobreviver com
dignidade.
Estou
de luto por um amigo que morreu no acidente aéreo, um
empresário admirável, mas meu luto é ainda maior pela
esperança que está agonizando em minha alma. Visto minhas
perspectivas de negro, porque não vejo possibilidades de
emprego, porque não enxergo as pessoas se comprometendo
com seriedade, porque ninguém reage com determinação ao
saque diário que os políticos efetuam nos nossos sonhos de
realização e estabilidade. Sempre que estoura um grande
escândalo político, vem uma Copa , um Pan para distrair o
povo e diluir a ira popular.
Eu queria acreditar que tinha feito a minha parte...
Fátima Pilla
Muller - julho de 2007
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Publicação:
www.paralerepensar.com.br
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31/07/2007

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