VIDA QUE
CORRE
Há dias em que sinto a vida
como se escorresse pelo ralo,
desperdício de batimentos,
tento pegá-la, não consigo.
Tenho medo, envelheço,
minhas costas curvam,
respiração lenta,
os olhos se fecham,
o corpo treina a morte.
Por sorte ou teimosia,
paixão ou ironia,
ainda quero viver.
Tenho tanto prá fazer,
outro tanto para amar.
Roubo o ar ao meu redor,
como num sorver de parto,
porque não quero partir,
estanco a sangria,
recarrego com energia solar.
É a vida que corre,
vou com ela de mãos dadas,
num suave respirar.
Fátima Pilla Muller -
07/01/2007