A casa dos grandes pensadores
 
 

FÁTIMA PILLA MÜLLER

 

 

               VIVER A VIDA
 
               Esta semana , li uma deliciosa crônica de uma escritora gaúcha, sobre a novela Viver a Vida. Ela salienta o caráter infantil do comportamento dos personagens, as atitudes que beiram o ridículo considerando a idade cronolólgica dos personagens,
que interagem através de brincadeiras típicas de adolescentes, que caminham saltitando e parecem não ter nenhuma responsabilidade, sendo guiados pelo princípio do prazer.
 
              Habitualmente, não assisto às novelas, me dá uma sensação de intensa perda de tempo, exceto quando está relacionada a algum assunto que me é trazido pelos pacientes no consultório. É comum as pessoas se identificarem com personagens ou situações chaves abordadas nestas tramas, em especial as traições, separações e quebra de tabus . Como sempre é difícil reconhecermos francamente que estamos em uma determinada dificuldade, pelo sofrimento que isto nos provoca,
comentar sobre determinado personagem ou circunstância, de certa forma alivia nossa dor e abre um caminho para possamos enfrentá-lo.
 
             No meu ponto de vista, esta é a grande sacada, talvez a única boa de uma novela. Proporcionar as pessoas, um contexto de identificação de suas dificuldades, angústias e sofrimento e, com sorte, apresentar propostas maduras de abordagem e solução de problemas.Um indicativo seguro desta afirmação, encontra-se nos altos índices de audiência, justamente quando cenas de confronto, justiça e vingança vão ao ar.Os telespectadores aguardam ansiosos, o desfecho do marido traidor sendo pego e humilhado pela esposa sofrida  meses a fio, que finalmente executa seu plano de acerto de contas. Ou o casal homossexual que assume a relação perante a família, o político corrupto que acaba preso, o preso inocente que é libertado, o coroa que casou com a jovem interesseira e ele descobre o amante. Enfim, a solução dos conflitos humanos que moram em cada um de nós.
 
            O viver a vida pode ser, ousadamente apresentado em uma novela, conduzido pelo desejo manifesto dos telespectadores,
existem pessoas pagas pelas emissoras, para expressar sua opinião e sobre esta são conduzidos os caminhos da trama.Descobri que ao final de cada capítulo desta novela, há um depoimento de uma pessoal real, que conta em alguns segundos, episódios trágicos da vida pessoal e a maneira como pode superá-lo. Eu particularmente, senti como um sermão, algo antagônico ao que eu tinha assistido naquele capítulo repleto de glamour, excitação e descompromisso. Desconexo e desanimador. Mas...É novela !
 
           Viver a vida, na minha maneira de sentir, não se mede entre extremos. Viver a vida não é uma excitação incansável, muito menos um sofrimento interminável. É um vagaroso sorver do tempo e todas as suas consequências no corpo e na alma. A aceitação pacífica e corajosa dos acontecimentos que nos moldam, a força de mudar o que é viável, de absorver o inevitável, reconstruir o que ruiu, enterrar o que morreu, ressucitar aquilo que é vida, abandonar o que não tem sentido. A vida acontece rapidamente, e não podemos deixar que a luz e a vontade de ser verdadeiramente felizes sejam ofuscadas por ilusões traiçoeiras.
 
         Se a novela te faz feliz, te lembra que ela tem um fim e que tu não és o protagonista real lá na tela.Tu és o ator, ou atriz principal da tua própria vida, aqui e agora. O palco do existir , te espera. Faz da tua vida uma novela em uma paisagem iluminada, escreve teu roteiro de sucesso, cria tuas cenas de vitória sobre todos os teus desafios, encena tudo aquilo que desejas como o mais importante em tua vida, certamente farás tudo para acontecer.Não temerás as adversidades, nem desanimarás frente aos desafios. Viver a vida é algo mágico, surpreendente no acontecer, basta paixão, paixão e desejo pelo viver.
 
Fátima Pilla Muller - 29 de outubro de 2009.
Publicação: www.paralerepensar.com.br - 29/10/2009