A CARTA DE UM BRASILEIRO A GEORGE W. BUSH
Senhor Presidente,
Como está Vossa Excelência? Espero que,
no substrato de sua nociva acefalia, esteja bem o suficiente,
para que possa ser, ao menos, parcialmente compensado todo o
mal-estar que vem gerando à hodierna Civilização.
Quanto ao toque ácido e ao beijo “judesco” de seu
ex-grandioso país, posso afirmar que o mundo já tinha
conhecimento do que poderia esperar, haja vista, paulatinamente,
no decorrer de toda a história contemporânea, ter desenvolvido
os anti-corpos necessários, para não ser infectado pelos belos,
mas “grangrenários” tons, da tricolor bandeira estadunidense.
Quanto à postura, entretanto, ostentada por Vossa Excelência,
desde que assumiu a posição que ora se encontra, revelou uma
bossa diversa de governar tão ex-interessante nação, que, pelos
seus nefastos resultados, demonstrou-se tão sagaz quanto o vírus
H5N1 (que, se atingido por uma simples mutação genética,
ameaçará todos os homo sapiens existentes neste geóide, com uma
pandemia).
Sei que costuma afirmar nas mais diversas entrevistas que
o combustível mobilizador de suas ações é a busca incessante
pela paz global, mas – desculpando-me, desde já, pela minha
inteligível ignorância – afirmo não conseguir compreender tal
assertiva. Exceto pela utilização equivocada da filosofia
heraclitiana (que destacava ser o ser o não-ser), não posso
aceitar a idéia de que os efeitos sulfúricos das guerras, possam
arar, comemorativamente, o campo de nascimento da paz.
Vossa Excelência plantou espinhos no Afeganistão; invasão
no Iraque; ódio nos demais países árabes; descaso na África;
arrogância na América Latina; e outras inúmeras, diversificadas
e grotescas sementes, nos mais longínquos espaços do planeta:
como pode, então, esperar colher rosas?
Vejo, ao contrário, todas as suas “bem-intencionadas”
investidas, resumirem-se à órbita incomensurável da
negatividade. Vejo, certamente, todo o desamor, até então
lançado, disseminar-se rapidamente pelo mundo, como o vírus
ameaçador soprado pelas aves. Veja, por exemplo, o clima de
desordem que se alastrou na França e no Irã e o racismo
inexplicável que eclodiu tão forte quanto nunca nos solos
espanhóis: meros sintomas da praga pelas suas mãos espalhada.
Destarte, só me resta concluir que a sua maldosa crise
constante de acefalia (ou esse seu estado, permanentemente,
temporário de sandice) levaram Vossa Excelência a ser o portador
das chaves do apocalipse e, assim como a ridícula simplicidade
da “gripe das penas”, ao bater as suas covardes asas de galinha,
destroçar a perspectiva de materialização do bem que jura querer
propagar: a paz. Reconheçamos, enfim, para o nosso horror, que
sua benção é tão nociva quanto os espirros de um frango doente.
No mais, um grande abraço de tamanduá – se é que tão
“estudada” pessoa conhece esse bicho –,
Zé Brasileiro,
uma vítima em potencial.
Fernando de Azevêdo Alves Brito