A casa dos grandes pensadores
 
 
FERNANDO DE AZEVÊDO A. BRITO
     

 

A CARTA DE UM BRASILEIRO A GEORGE W. BUSH

      Senhor Presidente,

      Como está Vossa Excelência? Espero que, no substrato de sua nociva acefalia, esteja bem o suficiente, para que possa ser, ao menos, parcialmente compensado todo o mal-estar que vem gerando à hodierna Civilização.
      Quanto ao toque ácido e ao beijo “judesco” de seu ex-grandioso país, posso afirmar que o mundo já tinha conhecimento do que poderia esperar, haja vista, paulatinamente, no decorrer de toda a história contemporânea, ter desenvolvido os anti-corpos necessários, para não ser infectado pelos belos, mas “grangrenários” tons, da tricolor bandeira estadunidense. Quanto à postura, entretanto, ostentada por Vossa Excelência, desde que assumiu a posição que ora se encontra, revelou uma bossa diversa de governar tão ex-interessante nação, que, pelos seus nefastos resultados, demonstrou-se tão sagaz quanto o vírus H5N1 (que, se atingido por uma simples mutação genética, ameaçará todos os homo sapiens existentes neste geóide, com uma pandemia).
       Sei que costuma afirmar nas mais diversas entrevistas que o combustível mobilizador de suas ações é a busca incessante pela paz global, mas – desculpando-me, desde já, pela minha inteligível ignorância – afirmo não conseguir compreender tal assertiva. Exceto pela utilização equivocada da filosofia heraclitiana (que destacava ser o ser o não-ser), não posso aceitar a idéia de que os efeitos sulfúricos das guerras, possam arar, comemorativamente, o campo de nascimento da paz.
       Vossa Excelência plantou espinhos no Afeganistão; invasão no Iraque; ódio nos demais países árabes; descaso na África; arrogância na América Latina; e outras inúmeras, diversificadas e grotescas sementes, nos mais longínquos espaços do planeta: como pode, então, esperar colher rosas?
       Vejo, ao contrário, todas as suas “bem-intencionadas” investidas, resumirem-se à órbita incomensurável da negatividade. Vejo, certamente, todo o desamor, até então lançado, disseminar-se rapidamente pelo mundo, como o vírus ameaçador soprado pelas aves. Veja, por exemplo, o clima de desordem que se alastrou na França e no Irã e o racismo inexplicável que eclodiu tão forte quanto nunca nos solos espanhóis: meros sintomas da praga pelas suas mãos espalhada.
       Destarte, só me resta concluir que a sua maldosa crise constante de acefalia (ou esse seu estado, permanentemente, temporário de sandice) levaram Vossa Excelência a ser o portador das chaves do apocalipse e, assim como a ridícula simplicidade da “gripe das penas”, ao bater as suas covardes asas de galinha, destroçar a perspectiva de materialização do bem que jura querer propagar: a paz. Reconheçamos, enfim, para o nosso horror, que sua benção é tão nociva quanto os espirros de um frango doente.
       No mais, um grande abraço de tamanduá – se é que tão “estudada” pessoa conhece esse bicho –,
       Zé Brasileiro,

       uma vítima em potencial.

Fernando de Azevêdo Alves Brito
 

Publicação: www.paralerepensar.com.br - 24/10/2007