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Hoje Penso eu!...
Os factos estão todos escritos nos nossos genes. Não os
modificamos, mas os revelamos em cada acto que realizamos. A
prosaria popular chama-lhe destino, fado, momento de
transição, tempo de reciclo ou de preparação para outra
hipotética vida corpórea ou espírita.
Os séculos e os milênios rolam sobre os nossos cabelos
esborrifados, a algazarra cada vez é mais áfona, o homem
aproxima-se do domesticando binómico, - numa face do cérebro
rácio prosaico, a aceitação da superioridade "In fine" as
armas estendidas no chão desenhando cruzes, na outra face. - A
beatitude que os ventos constelares semeiam; e que as narinas
piegas absorvem gulosamente, sem conhecerem a particularidade
da propriedade digestiva dos referidos ventos universais.
"ainda a faísca fomentadora viaja no ovo da mulher
e já o indivíduo anunciado.. tem o caderno cheio de deveres
o evento físico ratifica a rima esdrúxula.. sem porquês.. nem
sequer
e a copia lavada.. insinua o seu grito na mísera praça de
haveres"
O antropônimo superior, crê-se imbuído do albedo universal.
Desfaz-se no panegírico, para arredar o calor que o apoquenta.
No intimo, recebe ondas que não sabe ler; e envia ondas que
ninguém lê. A troca não é contratual mas esquizofrenia
residual, cantada na causa surtida do seu destino condicionado
com ramalhosas florestas de ofuscos.
"a aniquilação da resenha esbarra na duna
as letras de substituição são demoníacas
por omissão.. são substitutivo da lacuna
garantia de evitar o corrôo das leis deificas"
"Deixem cair a borboleta.. no campo sem gladio.. liso como o
primeiro cueiro da criança, surripiem a mortalha imunda de
vermes; e queimem os infernos, por simpatia, os paraísos
aparecerão mais acessíveis, menos onerosos à crista mística do
homem. O alabastro vozeirão ribomba ainda nas alturas, o hino
nupcial. O incesto evento marital subconsciente, desbota as
aselhas da delicada criatura, a evolução movimenta-se para a
subtracção, a celeste mão não se compadece da escravidão
dogmática e, as assoalhadas prometidas ficam eternamente
vagas"
O tempo, é sonho de vôo que nasce da vontade de prudentes
exílios, - ferrenha subalternidade - para longe das paradas
cafurnas infectas, mesmo quando, "uma graça abrolha do bico
dum pintassilgo, e o gorjeio é bem-soante, ou quando "as
abelhas mensageiros das plantas, mestres jardineiros por
instinto" lhes mostra um funcionamento, tudo, menos que
caótico ou dúbio, porque individualidades viradas para o
objectivo comum " o bem da espécie". O cultivo da adoração
impede esta visão buliçosa de alguns elementos da cadeia
evolutiva. O desprezo é enfeitado de miasmas doentes.
"na meiga ingenuidade do irracional
o tempo é um longe imediato
forjado no conceito.. matéria natural
o desinteresse interessa-se pelo facto"
O ser racional ciumenta a liberdade da besta, que, aliviada da
cerebral contenda, patenteia a mais sofisticada organização
social. O complico do homem é de estar nos píncaros da cadeia
da evolução, por de cima apenas tem o divinal!... Suspiro
abstracto.
O homem precisa de outros seres superiores, fora da cadeia do
absoluto, mas dentro do seu sistema organizacional.
Aqui ou além, despontam vontades de sobreposição ao estado do
homem ovelha, que apenas procura a sublevação para uma
socialização secularmente recomeçada.
- Se esta vontade englobar os fantasmas doutrinais que vestem
o ser passadiço, ela advém seita, que namorando uma fasquia do
rebanho, não faz mais do que atarantar o todo; e esfaquear o
bolo celestial. -
As vontades que imaginam um enxotar das filosofias mais que
usadas, pensam refundi-las na consensual união, onde todas,
inclusive as de teor filosófico físico-mental, possam
convergir para o objectivo espiritual. O problema desses
pensadores está nos profetas!...
Conceber uma filosofia global sem profetas, não será trabalho
fácil. Outra das dificuldades, aparece no role flutuante do
proselitismo e nos doutores de teologia. Uns e outros teriam
que ser banidos para deixar ao mental, o livre arbítrio de
iniciar; e, ou fazer evoluir a idéia dum criador universal.
Com a abolição do bem e do mal dogmático, a serenidade
voltaria, não para as raízes do animismo, mas para o bornal
das identidades individuais, que se recusariam a fazer
soma!... O sectarismo espreita e não se deixará levar assim à
boa. As organizações dogmáticas, são tão poderosas e ricas em
influência e em valores pecuniários, a imbricação com a
sociedade civil e política é tão bem tecida!... Que ninguém
sabe onde começa o fio; e acaba o novelo.
Fernando Oliveira
Fernando Oliveira
Publicação:
www.paralerepensar.com.br - 07/12/05

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