A casa dos grandes pensadores
 
 
 

FRANCISCO EMILIO COUTINHO GOUX

 


 

 

VOCÊ TEM UM CARRO DISFARÇADO?
 
A maioria dos carros populares brasileiros, foram desenhados, projetados e fabricados a décadas, já não existem nos países de origem.
Os avanços tecnológicos surpreendem, no século XX, os carros eram 90% mecânica e 10% elétrica, hoje são 50% mecânica e 50% eletrónica.
Verdadeiros robôs, a chamada mecatrónica, capazes de determinar ações em beneficio do ser humano, aumentando o conforto e salvando vidas.
Consumidores de países desenvolvidos, alem do conforto, recebem uma serie de dispositivos de segurança com seus carros de serie: AIR BAG, sistema de proteção de passageiros, anticolisão.
ABS, sistema automático de freios, controla e evita o bloqueio das rodas.
ASC, controle automático da suspensão, mantém estabilidade do carro.
ATS, sistema automático de tração, distribui potência do motor nas rodas.
Nos Estados Unidos e na Europa, não permitem a venda de carros sem Air Bag duplo, è considerado item de serie e de segurança mínima.
Porem, aqui no Brasil, parece que temos a cabeça e os ossos mas duros, que os cidadãos dos países desenvolvidos, a maioria dos carros populares não tem Air Bag (porem existe a tampa sobre o volante e o porta luvas).
sendo que o valor dos carros é quase igual ao dos importados.
Por que as fabricas oferecem carros tão vulneráveis?
Podem ser três motivos a saber: econômico (custo do equipamento duplo, aprox. 1.700 reais), falta de legislação ao respeito, ou preconceito contra o consumidor ( a vida dos gringos é mais valiosa que a nossa). O certo é que continuam a fabricar os mesmos veículos, os mesmos nomes, carros antigos aos que chamam de “novos”, verdadeiros híbridos, matrizes antigas com motores modernos, enxertos para dissimular um carro velho.
Que é um enxerto?
Em botânica ou jardinagem é a utilização de um tronco velho ao que se adiciona uma planta nova, as fabricas de veículos do Brasil fazem isso, adaptam um motor de injeção moderno a uma velha matriz, alem de trocar um plástico, algum vidro ou a forma de um farol, para “vender” como se fosse “novo” um carro velho.
No ano de 2.000, o preço da maioria dos carros populares era de 7.500 dólares, hoje esses mesmos carros (que ainda teimam em fabricar) ultrapassam os 15.000 ou 20.000 dólares, com o dólar na mesma cotização, R$1,70.
Alem disso, temos que assistir a um bombardeio de publicidade, algumas incríveis, algumas engraçadas ou ridículas:
“Com 30 reais mais na parcela, leva o Kit visibilidade (?)...”
“Com a compra do carro, leva de presente o ar quente e os tapetes...”
“De brinde leva o protetor de cárter...”
“Veja o GPS, acima do tabuleiro, para dar inveja a concorrência...”
(muito brega, muito cafona, alem de perigoso o GPS nessa posição)
“Veja o “novo” aventura, colocamos esse botão aqui, bacana, né...”
Resulta ridículo, hoje, junho de 2008, estão oferecendo carros 2009, você pode comprar um carro que ainda não existe, maravilha, as fabricas fazem mágica, futurologia.
Cadê os item de segurança, o Air Bag pode salvar vidas, cadê os testes destrutivos para comprovar deformação, absorção do impacto em colisão?
Esses carros foram “disfarçados” para que pareçam “novos”, para vende-los como se fossem um lançamento, porem qualquer simples mortal percebe que é o mesmo cachorro com distinta corrente.
Você tem um carro disfarçado?
A gente quer novidade, chega de enxertos, chega dos mesmos modelos.
Atras da euforia do governo, pelo aumento da produção, dos recordes das montadoras, na quantidade de carros fabricados, existe um perigo latente, compramos carros sem a mínima segurança, frágeis, vulneráveis.
 
As fabricas estão lotadas de carros, do mesmo modo, a maioria das principais ruas do centro e dos bairros, tem shopping e lojas cheias de carros.
O Detran do estado de São Paulo, emplaca mais de 1.000 carros por dia, significa que sai de circulação a mesma quantidade de carros usados, os chamados “semi-novos”, o assunto é vender, sem importar de que jeito.
Haja lugar para estacionar tanto carro, haja estradas, haja ruas para circular, haja nervos e pulmões que resistam a tanta poluição.
A liberdade, o direito de ir e vir esta ficando difícil de exercitar, o transporte público é a ultima opção dos brasileiros, somos uma sociedade egoísta, individualista, consome toneladas de combustível nos engarrafamentos, o carro parado, gastando tempo e dinheiro, gastando os nervos dos usuários.
Assistimos ao aumento da produção, a produção da poluição, a mortes e doenças respiratórias crônicas, ao estresse da população.
Um desperdício, mover o carro para ir ao supermercado, a farmácia, ao colégio, ao shopping, que ficam a poucas quadras de sua casa, ir trabalhar num carro que pode levar cinco pessoas, na maioria dos casos vemos só uma.
Tem gente morrendo em acidentes, pedestres, motoristas, acompanhantes, tem gente morrendo pela poluição, mas tem gente que morre dentro de uma ambulância, que não pode sair ou chegar ao hospital, bombeiros que não podem chegar a tempo para salvar vidas.
A hora do “RUSH” já não é patrimônio de Los Angeles, Tóquio, México DF, New York ou São Paulo, esta acontecendo em Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre, etc..
As fabricas de carros, descarregam sua produção nas ruas das cidades, como se fossem uma maquina de lingüiças, fazendo pressão para encher.
Chega de fabricar esses carros disfarçados, são figurinha repetida, todos temos os mesmos modelos, a gente quer qualidade, não quantidade.
Sou formado em mecânica, minha paixão, lembro de criança quando pedi a minha mãe um carro de corrida de brinquedo, foi uma infância feliz.
Hoje o carro é um sonho de consumo, a tecnologia nos surpreende a cada dia, porem aqui no Brasil estamos sendo enganados, um carro “completo” significa, direção hidráulica, alarme, ar condicionado, vidros e travas, são opcionais, os carros de série vem “pelados”, nem ar quente tem.
O Air Bag de série não existe, alguns veículos que ultrapassam os 30 mil reais o possuem, raras excepções, depois só em carros acima de 50 mil.
A fragilidade dos veículos populares é alarmante, nas batidas vemos gente presa nas ferragens, carros irreconhecíveis, partidos ao meio.
Ficou claro, devemos exigir que carros populares tenham Air Bag duplo “de série”, básico, para diminuir as mortes no transito.
Atenção Brasil, novidade, acaba de sair o “novo” GOLLL...!

Prof. Francisco Emilio Coutinho Goux

Publicação: www.paralerepensar.com.br  04/07/2008