A casa dos grandes pensadores
 
 
 

FRANCISCO EMILIO COUTINHO GOUX

 


 

 

UM EXEMPLO DE SABEDORIA, AINDA SENDO ANALFABETO
 
Hoje convido vocês a uma reflexão profunda e admirável, leia e tome uma atitude.
Fica em evidencia nosso estilo de vida, nossa indiferença, o consumo e a globalização aquecem a economia mundial, também o clima do planeta, que se revolta contra nos.
 
Após o Governo dos Estado Unidos, ter demonstrado intenção de adquirir o território da tribo duwamish, no Estado de Washington, o cacique Seathl escreveu a seguinte carta, ao presidente norte-americano Franklin Pierce, em 1855.
Esta carta é um relicário de palavras comoventes, que demonstram a sabedoria indígena e o apego dos índios à terra.
 
“O grande chefe de Washington, mandou dizer que deseja comprar a nossa terra.
O grande chefe assegurou-se também de sua amizade e sua benevolência.
Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade.
Porém, vamos pensar em tua oferta, pois sabemos que se não o fizermos o homem branco virá com armas e tomará nossa terra.
O grande chefe em Washington, pode confiar no que o chefe Seathl diz, com a mesma certeza, com que os nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano.
Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem.
Como podes comprar ou vender o céu, o calor da terra?
Tal idéia nos é estranha.
Nós não somos donos da pureza do ar, ou do resplendor da água.
Como podes então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre o nosso tempo.
Toda esta terra é sagrada para o meu povo.
Cada uma folha reluzente, todas as praias arenosas, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência de meu povo.
Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver.
Para ele um torrão de terra é igual a outro.
Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita.
A terra não é sua irmã, mas sim sua amiga, e depois de exauri-la, ele vai embora.
Deixa para trás o túmulo de seu pai, sem remorsos de consciência.
Rouba a terra dos seus filhos.
Não respeita. Esquece as sepulturas dos antepassados e o direito dos filhos.
Sua ganância empobrecerá a terra e vai deixar atrás de si os desertos.
A vista de suas cidades é um tormento para os olhos do homem vermelho.
Mas talvez, isto seja assim por ser o homem vermelho um selvagem, que nada compreende.
Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco.
Nem um lugar onde se possa ouvir, o desabrochar da folhagem na primavera, ou o tinir das asas de insetos.
Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é para mim uma afronta contra os ouvidos.
E que espécie de vida é aquela, em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno, ou a conversa dos sapos no brejo, à noite?
Um índio prefere o suave sussurro do vento, sobre o espelho d'água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho.
O ar é precioso para o homem vermelho.
Porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar - animais, árvores, homens.
Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira.
Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro.
Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição.
O homem branco, deve tratar os animais como se fossem seus irmãos.
Sou um selvagem e não compreendo que possa ser certo de outra forma.
Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros, disparados do trem.
Sou um selvagem e não compreendo, como fumegante cavalo de ferro, possa ser mais valioso do que um bisão que nós, os índios, matamos apenas para sustentar a nossa própria vida.
O que é o homem sem os animais?
Se todos os animais acabassem, os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais, pode também afetar aos homens.
Tudo está relacionado entre si.
Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra.
Os nossos filhos verão seus pais humilhados na derrota.
Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha.
E depois da derrota passam o tempo em ócio, e envenenam seu corpo com alimentos doces e bebidas ardentes.
Não tem grande importância onde passaremos nossos últimos dias – nós não somos muitos.
Mais algumas horas, até mesmo uns invernos, e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra, ou que tem vagueado em pequenos bandos nos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.
De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez venha um dia descobrir: O nosso Deus é o mesmo Deus.
Julgas, talvez possuir a nossa terra.
Mas não podes.
Ela é de Deus, da humanidade inteira.
E Deus, bem igualmente ao homem vermelho como ao branco.
A terra é amada por Ele.
E causar dano a terra é causar desprezo pelo seu criador.
O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças.
Continua poluindo a tua própria cama e hás de morrer uma noite, sufocado nos teus próprios desejos!
Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos silvestres, quando as matas misteriosas federem à gente, e quando as colinas escarpadas se encherem de mulheres a tagarelar, onde ficarão então os sermões? Terão acabado.
E as águias? Terão ido embora.
Restará dar adeus à andorinha da torre, e à caça do fim da vida, e será o começo da luta para sobreviver...
Talvez compreenderíamos, se conhecêssemos com que sonha o homem branco, se soubéssemos quais esperanças transmite a seus filhos, nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferece às suas mentes, para que possam formar os desejos para o dia de amanhã.
Mas nós somos selvagens.
Os sonhos do homem branco são ocultos para nós.
E por serem ocultos, temos de escolher o nosso próprio caminho.
Se consentirmos, é para garantir as “reservas” que nos prometeste.
Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias conforme desejamos.
Depois que o último homem vermelho tiver partido, e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo, continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos, como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe.
Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos.
Protege-a como nós a protegíamos.
Nunca esqueças como era a terra, quando dela tomaste posse.
E com toda a tua força, o teu poder, e todo o teu coração - conserva-a para teus filhos, e ama-a como Deus é o mesmo Deus.
Esta terra é querida por Ele.
Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum”.
Compilado e corrigido, Prof. Francisco Emilio Coutinho Goux.
Fonte: http://www.geocities.com

Prof. Francisco Emilio Coutinho Goux

Publicação: www.paralerepensar.com.br  18/01/2008