A casa dos grandes pensadores
 
 
 

FRANCISCO EMILIO COUTINHO GOUX

 

 

 

 
HOMENAGEM AOS ECOLOGISTAS E SUA LUTA
 
   Sempre foram tratados de loucos, assombrados, delirantes e até falsos adivinhos, mas a historia esta dignificando esses lutadores, a natureza esta manifestando seu desequilíbrio com desastres maiores a cada dia, e nas cidades morrem inocentes comendo alimentos sintéticos e rodeados de produtos tóxicos.
Parece que assistimos a uma luta entre as novas tecnologias e o antigo, do bem do mal, as empresas que poluem gastam dinheiro para demonstrar  que seus métodos e produtos são seguros, e do outro lado ecologistas  “radicais” segundo eles que atrapalham o desenvolvimento tecnológico.
Não existe pior cego do que aquele que não quer ver, EUA é o único pais do mundo a não assinar o protocolo de Kyoto (controle da emissão de produtos que esgotam a camada de ozônio e substancias do efeito estufa), segundo eles, 140 países estão errados, “segundo eles” que produzem 17% da contaminação mundial.
Se você testemunhasse o assassinato de um vizinho, ficaria calado?
Como especialista é nosso dever denunciar o errado, não posso alegar inocência quando surgem efeitos negativos para a saúde, a qualidade de vida ou o meio ambiente, devemos alertar a sociedade, não podemos ser coniventes.
Devemos falar com clareza, não podemos falar de “temores”, devemos falar de “riscos”.
Os “riscos” podem ser minimizados e até quantificados estatisticamente, segundo o dicionário “temor” se define como “fugir das coisas danosas”, “receio ou suspeita de um dano futuro”.
Risco se define como “contingência ou proximidade de um dano”
Um exemplo de “temor” foi o que sentiram os EUA quando lançaram a bomba atômica, eles não podiam prever os “riscos”, as conseqüências de uma reação em cadeia, aquele fungo de radioatividade que matou 300.000
japoneses ia se amortecer, ou continuaria a se multiplicar exponencialmente?
Lembro quando estudava três décadas atrás, se falava do uso “pacífico” da radiação, átomos para a paz segundo eles, uma revolução para a conservação dos alimentos, só que ainda não se conhecia a existência dos “radicais livres” o pivô de muitas doenças e o envelhecimento do corpo dos seres humanos.
Você nem imagina onde se usa hoje a radiação de alimentos, raios Gama nas batatas, verduras, nas frutas para que elas não germinem e durem mas tempo nas prateleiras, também recebemos raios “X” nos aeroportos, gratuitamente.
 
Folha de São Paulo, 23/05/2005 (*)
Estudo da Monsanto é mantido em segredo; companhia alega razões comerciais para não divulgar dados
 
Milho transgênico causa alteração em rato GEOFFREY LEAN do "INDEPENDENT" (Londres)
 
Ratos alimentados com uma dieta rica em milho geneticamente modificado desenvolveram anormalidades em seus órgãos internos e alterações em seu sangue, segundo um estudo.
Os resultados trazem à tona os velhos temores de que a saúde humana possa ser afetada pelo consumo de alimentos transgênicos.
O jornal britânico "The Independent" obteve detalhes de um estudo secreto realizado pela companhia Monsanto, uma gigante no ramo de alimentos geneticamente modificados, que mostra que ratos alimentados com o milho alterado tinham rins menores e variações na composição de seu sangue.
Em 2002, um grupo de pesquisadores italianos identificou danos causados ao fígado e pâncreas de ratos alimentados com soja transgênica, ( Malatesta et al., 2002).
O principal argumento dos defensores de produtos transgênicos é que vão acabar com a fome no mundo, mas a ONU e a FAO já demonstraram que sobram alimentos no mundo “globalizado”, o que falta é dinheiro para poder comprá-los.
Hoje o comercio mundial parece uma grande orquestra, dirigida pela bolsa de valores de Nova York, e todos tem que fazer sua parte só pena de ficar fora, os números mandam e sobrevivem e tem sucesso os mas espertos.
Monsanto, Novartis, Du Pont, Aventis, Astra Zéneca, Calgene ostentam o monopólio das sementes trangênicas e os produtos agro químicos.
Soja RR (por Round Up Ready): resistente ao Glifosato, herbicida fornecido pela Monsanto, o mesmo laboratório que produz as sementes transgênicas dos EUA.
Milho e algodão Bt (Bacilus thuringiensis): genes de uma toxina presente numa bactéria para matar insetos e larvas, (produzem resistência aos antibióticos).
Tomates com genes de peixe: anti-congelamento, agüenta mais tempo depois de colhido.
O grande trabalho biotecnológico levou muitos séculos, aqui na América (índios) com o milho e na Ásia (chineses) com a soja, foi a seleção natural das melhores sementes, hoje essas sementes são a base das “Patentes” que as multinacionais
de biotecnologia  querem cobrar ao mundo inteiro, só por ter adicionado os genes, parece uma piada.
A Monsanto comercializa sementes com um gen chamado “Terminator”, a semente produz plantas maravilhosas pero seus frutos são estéreis, elas não podem voltar a ser usadas e deixa aos produtores dependentes das sementes trangênicas, alem
da dependência dos produtos agroquímicos como o Glifosato.
Os defensores dos transgênicos pensam que nos só vemos coisa ruim nos mesmos, mas veja a industria farmacêutica levou anos e muito dinheiro para desenvolver antibióticos poderosos contra as infecções, alimentos transgênicos podem acabar
com décadas de esforços na medicina, ainda não existem estudos sobre o comportamento dos alimentos dentro do trato digestivo de seres vivos.
Um exemplo é o gen Blatem-1, muito utilizado na modificação genética de plantas, ele acelera a produção de uma “penicilinasa” que anula os efeitos dos antibióticos mas eficientes.
Segundo Courvalin (**) mutações pontuais podem conferir a enzima uma propriedade de desativar as cefaloporinas mas recentes, ou ser refratárias, assim anulam a ação da penicilinasa.
Tanto secas como enchentes podem arruinar produtores agrícolas nos países pobres, isso não acontece nos países desenvolvidos pois são subsidiados pelo governo, essa forma de pensar demonstra o racismo dos países desenvolvidos e das grandes empresas multinacionais.
Estudos do York Nutrition Laboratory da Inglaterra, alertam que existem fortes indícios que a lecitina de soja transgênica seja a causa direta do aumento de alergias em crianças, e ruim saber que a maioria das industrias de alimentos usam como base a lecitina de soja.
Como se não bastasse a maioria dos envases plásticos de alimentos contem Bisfenol, uma substancia sintética que imita hormônios humanos e pode produzir câncer.
Fazendo futurismo, as novas gerações vão se alimentar com comprimidos, como a margarina com sabor artificial de churrasco, cebola, provolone, parece um plástico (aceite-hidrogênio) lentamente vamos nos convertendo em “seres híbridos”, nosso sangue alem do alimento sintético só aceitará ar contaminado com petróleo.
Devemos conservar nossa memória, guardemos com orgulho sementes de frutas, plantas, trigo, milho, soja, tal vez podam ser a salvação da humanidade.
Como seres inteligentes devemos aceitar as novas tecnologias, sempre que elas sejam oferecidas democraticamente, sem imposição, sem ser obrigados pela “santa globalização”, ONLY BUSSINES.
                                                       
                                                         Prof. Francisco Emilio Coutinho Goux
                                                                 www.jornaldamulher.org/radarnacional
                                                                        emiliogoux@hotmail.com
 
(*)   Folha de São Paulo, 23/05/2005
(**)  Courvalin, "Plantes transgéniques et antibiotiques. Les ogm risquent-ils d'aggraver
le problème crucial de la résistance bactérienne?", en La Recherche, 1998, 309:36-40.


Prof. Francisco Emilio Coutinho Goux

 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  02/06/2005