A casa dos grandes pensadores
 
 
 

FRANCISCO EMILIO COUTINHO GOUX

 


 

 

PAULISTAS, VIVEMOS COMO RATOS DE LABORATÓRIO O PREÇO DE MORAR NUMA CIDADE POLUÍDA
 
Você pode demonstrar que um liquido pode virar sólido colocando água no congelador!
Como se pode demonstrar que a poluição do ar causa doenças irreversíveis?
Pesquisadores da USP selecionaram meia dúzia de ratos de uma mesma linhagem, três foram criados na torre de uma igreja no centro de São Paulo, o resto da família foi criada na cidade de Atibaia, e monitorados durante
seis meses na evolução e crescimento.
O DNA dos ratos é quase similar ao do homem, isso os faz ideais para pesquisas, os resultados da investigação foram concludentes e reveladores, os ratos de Atibaia apresentavam aparelhos respiratórios limpos e uma evolução física normal.
Coitados dos ratos criados na torre da igreja, no centro da cidade de São Paulo, que apresentavam diferenças notáveis, alimentados com a mesma dieta existia diferença de peso, maior mucosidade ao nível da nariz e boca, irritabilidade dos olhos, e o mais significativo, sistema respiratório comprometido no mecanismo ciliar, células que limpam o aparelho respiratório, menor capacidade respiratória volumétrica, maior batimento cardíaco pelas alterações metabólicas, além de outras alterações da poluição sonora (estresse).
Provas irrefutáveis da realidade de morar numa cidade infestada de veículos, somos culpados nos mesmos, existem famílias de cinco membros com um veículo para cada um, ou seja cinco carros, tem gente capaz de ir ao banheiro de carro, se puder.
Um termômetro dessa situação é a venda de carros “zero”, as fábricas batem recordes, tem modelos com lista de espera de ate sessenta dias para entrega, alem disso carros usados estão abarrotando lojas, agencias e estacionamentos, em tudo São Paulo.
A mãe de um amigo com sessenta e três anos falece de câncer de pulmão sem nunca ter experimentado um cigarro, doenças profissionais de gente que trabalha nas ruas, exemplo a conjuntivite dos taxistas, doenças respiratórias também.
 
CIENTISTAS DA USP MOSTRAM A REALIDADE
 
As evidências científicas de que o homem precisa preservar o ambiente atmosférico para ter uma boa qualidade de vida são obtidas na USP por um dos mais avançados centros de pesquisa sobre o assunto.
Trata-se do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina.
Desde a década de 80, os pesquisadores fazem ali experiências que comprovam os efeitos nocivos dos poluentes sobre o organismo humano.
Uma das originais descobertas trazidas à luz pelo laboratório se refere à relação entre a poluição do ar e os abortos.
Segundo os dados estatísticos obtidos pelas pesquisas relatados no artigo Association between air pollution and intrauterine mortality in São Paulo, Brazil, publicado em 1998, de cada oito abortos ocorridos diariamente na Capital
paulista, 1,5 deles pode estar associado à poluição atmosférica.
"Os nossos resultados sugerem que a poluição do ar em São Paulo pode promover efeitos nocivos à saúde dos fetos", alerta o professor Luiz Alberto Amador Pereira, um dos pesquisadores que assinam o artigo.
 Para os fetos, o poluente mais ameaçador é o dióxido de nitrogênio, que surge graças à reação entre dois gases (o oxigênio e o nitrogênio) durante o processo de combustão em altas temperaturas.
 
É o que ocorre, por exemplo, no motor dos automóveis (responsável por grande parte da emissão desse poluente na atmosfera).
Por ser muito solúvel, o dióxido de nitrogênio penetra até os mais distantes brônquios da árvore respiratória (como os especialistas chamam o sistema que conduz o ar para a corrente sangüínea).
O resultado da exposição do feto ao dióxido de nitrogênio pode ser a maior suscetibilidade a infecções provocadas por bactérias.
Acontece que o poluente parece enfraquecer os macrófagos  (agentes de defesa do organismo, que eliminam as bactérias) localizados nos alvéolos pulmonares, onde ocorrem as trocas de gases.
Outra conseqüência da ação do dióxido de nitrogênio são complicações como o aumento da "hiperreatividade brônquica", mesmo em baixas concentrações.
 
CÉLULAS SATURADAS
 
Além do dióxido de nitrogênio, os abortos podem ser causados também por outros dois poluentes (o dióxido de enxofre e o monóxido de carbono), segundo as pesquisas do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental.
Originário da ação das indústrias e dos motores a óleo diesel, o dióxido de enxofre é capaz de provocar irritações das vias aéreas superiores, causando assim a "bronco-constrição".
Estudos científicos chegam a relatar casos de mortes provocadas por ácidos derivados do processo de oxidação do dióxido de enxofre.
Já o monóxido de carbono (um gás derivado da combustão incompleta de combustíveis como a gasolina, o gás de cozinha e a madeira) é uma das maiores ameaças à saúde do ser humano (seja ele um feto, um recém-nascido ou adulto).
Com uma afinidade 220 vezes maior com a hemoglobina do que o oxigênio, o gás (quando em altas concentrações no ambiente) pode saturar as células sangüíneas, impedindo a oxigenação dos músculos cardíacos e esqueléticos.
"Estudos mostram que há diminuição da capacidade cardíaca durante o exercício em indivíduos saudáveis expostos a baixas concentrações de monóxido de carbono", afirma o professor Luiz Pereira, lembrando que pacientes com doenças cardiovasculares (principalmente as isquêmicas do coração) são particularmente suscetíveis àquele gás.
"Alguns autores sugerem que a ação do monóxido de carbono sobre o sistema nervoso pode levar a uma diminuição sensitiva e motora cerebral."
Se em adultos o monóxido de carbono provoca tantos distúrbios, os fetos são ainda mais prejudicados pelo poluente.
Estudos feitos em vários centros de pesquisa apontam o gás como o principal fator de aumento de risco de mortalidade perinatal e fetos com baixo peso em mães fumantes.
Pesquisas realizadas com animais apresentaram os mesmos resultados.
"Há o risco ainda de um maior desenvolvimento de lesões neurológicas", lembra Pereira.
"A associação entre o monóxido de carbono e a síndrome da morte súbita em recém nascidos também tem sido muito discutida por alguns autores.
" Apesar dessas evidências, a ação das poluição do ar nos fetos é um tema que não tem sido explorado pela literatura médica internacional (daí a originalidadedo trabalho dos pesquisadores do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental).
 
DOENÇAS E MORTES
 
O laboratório tem ainda uma série de pesquisas relacionadas à poluição atmosférica.
Cruzando dados como os índices de poluição diários (fornecidos pela Cetesb) e as internações ocorridas nos hospitais da Capital, os pesquisadores da USP verificaram que, justamente nos dias de maior poluição, há um aumento do número de complicações.
Só no Instituto do Coração, por exemplo, o pronto-socorro atende 10% mais pacientes nas épocas em que o ar está mais carregado de poluentes.
Isso pode estar ligado justamente à diminuição da oxigenação do coração provocada pelo monóxido de carbono.
Assim como sucede aos pacientes com doenças cardiovasculares, pessoas com outras complicações tendem a ser mais afetadas à medida que o ar piora.
Ao fazer o monitoramento de consultas feitas em mais de 200 hospitais, o laboratório mostrou que a poluição do ar estava relacionada ao aumento de internações e até mortes decorrentes de problemas respiratórios.
"É certo dizer que, para aquelas pessoas suscetíveis a doenças respiratórias e cardíacas, a poluição tende a agravar essas complicações."
 
PAULISTA, ESTÁ NA HORA DE FAZER A PARTE NOSSA
 
O que podemos fazer para tentar cambiar esta realidade?
Deixe de usar o carro quando puder, vai ao supermercado do bairro caminhando, na farmácia, na banca de jornais.
Compre um bicicleta para você e seu parceiro, seus filhos e saía a pedalar aos sábados,domingos e feriados.
Tome as devidas providencias de segurança para andar, (capacete, luz vermelha) e saía.
Resulta engraçado, muitos de nos pagamos uma academia para ir a pedalar numa “byke” fixa, estou errado?
Usando uma metáfora: “parecemos um louco serrando com entusiasmo a rama onde estamos sentados”.
A sociedade esta doente de “veiculismo” , essa mentalidade nos esta matando, devagar.

Prof. Francisco Emilio Coutinho Goux

Publicação: www.paralerepensar.com.br  08/08/2007