- PAULISTAS, VIVEMOS COMO RATOS DE
LABORATÓRIO O PREÇO DE MORAR NUMA CIDADE POLUÍDA
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- Você pode demonstrar que
um liquido pode virar sólido colocando água no congelador!
- Como se pode demonstrar
que a poluição do ar causa doenças irreversíveis?
- Pesquisadores da USP
selecionaram meia dúzia de ratos de uma mesma linhagem, três
foram criados na torre de uma igreja no centro de São Paulo, o
resto da família foi criada na cidade de Atibaia, e
monitorados durante
- seis meses na evolução e
crescimento.
- O DNA dos ratos é quase
similar ao do homem, isso os faz ideais para pesquisas, os
resultados da investigação foram concludentes e reveladores,
os ratos de Atibaia apresentavam aparelhos respiratórios
limpos e uma evolução física normal.
- Coitados dos ratos criados
na torre da igreja, no centro da cidade de São Paulo, que
apresentavam diferenças notáveis, alimentados com a mesma
dieta existia diferença de peso, maior mucosidade ao nível da
nariz e boca, irritabilidade dos olhos, e o mais
significativo, sistema respiratório comprometido no mecanismo
ciliar, células que limpam o aparelho respiratório, menor
capacidade respiratória volumétrica, maior batimento cardíaco
pelas alterações metabólicas, além de outras alterações da
poluição sonora (estresse).
- Provas irrefutáveis da
realidade de morar numa cidade infestada de veículos, somos
culpados nos mesmos, existem famílias de cinco membros com um
veículo para cada um, ou seja cinco carros, tem gente capaz de
ir ao banheiro de carro, se puder.
- Um termômetro dessa
situação é a venda de carros “zero”, as fábricas batem
recordes, tem modelos com lista de espera de ate sessenta dias
para entrega, alem disso carros usados estão abarrotando
lojas, agencias e estacionamentos, em tudo São Paulo.
- A mãe de um amigo com
sessenta e três anos falece de câncer de pulmão sem nunca ter
experimentado um cigarro, doenças profissionais de gente que
trabalha nas ruas, exemplo a conjuntivite dos taxistas,
doenças respiratórias também.
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- CIENTISTAS DA USP MOSTRAM A REALIDADE
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- As evidências científicas
de que o homem precisa preservar o ambiente atmosférico para
ter uma boa qualidade de vida são obtidas na USP por um dos
mais avançados centros de pesquisa sobre o assunto.
- Trata-se do Laboratório de
Poluição Atmosférica Experimental do Departamento de Patologia
da Faculdade de Medicina.
- Desde a década de 80, os
pesquisadores fazem ali experiências que comprovam os efeitos
nocivos dos poluentes sobre o organismo humano.
- Uma das originais
descobertas trazidas à luz pelo laboratório se refere à
relação entre a poluição do ar e os abortos.
- Segundo os dados
estatísticos obtidos pelas pesquisas relatados no artigo
Association between air pollution and intrauterine mortality
in São Paulo, Brazil, publicado em 1998, de cada oito abortos
ocorridos diariamente na Capital
- paulista, 1,5 deles pode
estar associado à poluição atmosférica.
- "Os nossos resultados
sugerem que a poluição do ar em São Paulo pode promover
efeitos nocivos à saúde dos fetos", alerta o professor Luiz
Alberto Amador Pereira, um dos pesquisadores que assinam o
artigo.
- Para os fetos, o poluente
mais ameaçador é o dióxido de nitrogênio, que surge graças à
reação entre dois gases (o oxigênio e o nitrogênio) durante o
processo de combustão em altas temperaturas.
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- É o que ocorre, por
exemplo, no motor dos automóveis (responsável por grande parte
da emissão desse poluente na atmosfera).
- Por ser muito solúvel, o
dióxido de nitrogênio penetra até os mais distantes brônquios
da árvore respiratória (como os especialistas chamam o sistema
que conduz o ar para a corrente sangüínea).
- O resultado da exposição
do feto ao dióxido de nitrogênio pode ser a maior
suscetibilidade a infecções provocadas por bactérias.
- Acontece que o poluente
parece enfraquecer os macrófagos (agentes de defesa do
organismo, que eliminam as bactérias) localizados nos alvéolos
pulmonares, onde ocorrem as trocas de gases.
- Outra conseqüência da ação
do dióxido de nitrogênio são complicações como o aumento da "hiperreatividade
brônquica", mesmo em baixas concentrações.
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- CÉLULAS SATURADAS
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- Além do dióxido de nitrogênio, os abortos podem ser
causados também por outros dois poluentes (o dióxido de
enxofre e o monóxido de carbono), segundo as pesquisas do
Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental.
- Originário da ação das
indústrias e dos motores a óleo diesel, o dióxido de enxofre é
capaz de provocar irritações das vias aéreas superiores,
causando assim a "bronco-constrição".
- Estudos científicos chegam
a relatar casos de mortes provocadas por ácidos derivados do
processo de oxidação do dióxido de enxofre.
- Já o monóxido de carbono
(um gás derivado da combustão incompleta de combustíveis como
a gasolina, o gás de cozinha e a madeira) é uma das maiores
ameaças à saúde do ser humano (seja ele um feto, um
recém-nascido ou adulto).
- Com uma afinidade 220
vezes maior com a hemoglobina do que o oxigênio, o gás (quando
em altas concentrações no ambiente) pode saturar as células
sangüíneas, impedindo a oxigenação dos músculos cardíacos e
esqueléticos.
- "Estudos mostram que há
diminuição da capacidade cardíaca durante o exercício em
indivíduos saudáveis expostos a baixas concentrações de
monóxido de carbono", afirma o professor Luiz Pereira,
lembrando que pacientes com doenças cardiovasculares
(principalmente as isquêmicas do coração) são particularmente
suscetíveis àquele gás.
- "Alguns autores sugerem
que a ação do monóxido de carbono sobre o sistema nervoso pode
levar a uma diminuição sensitiva e motora cerebral."
- Se em adultos o monóxido
de carbono provoca tantos distúrbios, os fetos são ainda mais
prejudicados pelo poluente.
- Estudos feitos em vários
centros de pesquisa apontam o gás como o principal fator de
aumento de risco de mortalidade perinatal e fetos com baixo
peso em mães fumantes.
- Pesquisas realizadas com
animais apresentaram os mesmos resultados.
- "Há o risco ainda de um
maior desenvolvimento de lesões neurológicas", lembra Pereira.
- "A associação entre o
monóxido de carbono e a síndrome da morte súbita em recém
nascidos também tem sido muito discutida por alguns autores.
- " Apesar dessas
evidências, a ação das poluição do ar nos fetos é um tema que
não tem sido explorado pela literatura médica internacional
(daí a originalidadedo trabalho dos pesquisadores do
Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental).
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- DOENÇAS E MORTES
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- O laboratório tem ainda
uma série de pesquisas relacionadas à poluição atmosférica.
- Cruzando dados como os
índices de poluição diários (fornecidos pela Cetesb) e as
internações ocorridas nos hospitais da Capital, os
pesquisadores da USP verificaram que, justamente nos dias de
maior poluição, há um aumento do número de complicações.
- Só no Instituto do
Coração, por exemplo, o pronto-socorro atende 10% mais
pacientes nas épocas em que o ar está mais carregado de
poluentes.
- Isso pode estar ligado
justamente à diminuição da oxigenação do coração provocada
pelo monóxido de carbono.
- Assim como sucede aos
pacientes com doenças cardiovasculares, pessoas com outras
complicações tendem a ser mais afetadas à medida que o ar
piora.
- Ao fazer o monitoramento
de consultas feitas em mais de 200 hospitais, o laboratório
mostrou que a poluição do ar estava relacionada ao aumento de
internações e até mortes decorrentes de problemas
respiratórios.
- "É certo dizer que, para
aquelas pessoas suscetíveis a doenças respiratórias e
cardíacas, a poluição tende a agravar essas complicações."
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- PAULISTA, ESTÁ NA HORA DE FAZER A PARTE NOSSA
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- O que podemos fazer para tentar cambiar esta realidade?
- Deixe de usar o carro
quando puder, vai ao supermercado do bairro caminhando, na
farmácia, na banca de jornais.
- Compre um bicicleta para
você e seu parceiro, seus filhos e saía a pedalar aos
sábados,domingos e feriados.
- Tome as devidas
providencias de segurança para andar, (capacete, luz vermelha)
e saía.
- Resulta engraçado, muitos
de nos pagamos uma academia para ir a pedalar numa “byke”
fixa, estou errado?
- Usando uma metáfora:
“parecemos um louco serrando com entusiasmo a rama onde
estamos sentados”.
- A sociedade esta doente de
“veiculismo” , essa mentalidade nos esta matando, devagar.
Prof. Francisco Emilio
Coutinho Goux