A casa dos grandes pensadores
 
 
 

FRANCISCO EMILIO COUTINHO GOUX

 


 

 

PEDESTRE UMA RAÇA EM EXTINÇÃO... CAMINHAR É PECADO?

Porque o império romano chegou a dominar quase todo o mundo antigo?

Além de ferozes guerreiros os romanos eram excelentes engenheiros, construíram longas estradas de pedra para facilitar a rápida movimentação dos exércitos.

Em contrapartida, a maioria das cidades brasileiras surgiu sem qualquer planejamento, muitas nasceram às margens de algum rio, aproveitando-se da água que é serviço vital para a população.

Existem cidades modernas, planejadas para facilitar a vida do homem, tal como Brasília a esplanada dos ministérios, um exemplo de urbanismo para a humanidade, com suas amplas ruas e enormes espaços verdes.

Porém, nem a mente mais brilhante poderia prever o que acontece hoje nas cidades onde, as ruas tornaram-se insuficientes ao tráfego de veículos a ponto de cidades como a própria Brasília ser suscetível a engarrafamentos.

A sociedade está doente de´veiculismo´, o culto ao carro é religião, um símbolo de juventude, a cada ano surgem novos modelos, o tamanho da frota depende do poder aquisitivo da família que, mesmo com número reduzido de pessoas chega a ter, em média, até três tipos de carros.

O SÍMBOLO DO EGOÍSMO EM NOME DA LIBERDADE DE IR E VIR...

Os carros foram desenhados para acomodar até cinco passageiros (salvo os esportivos), porém, hoje o marido tem carro, a esposa também e os filhos adultos cada um tem o seu. É a fartura da classe média alta, o desperdício de gasolina, de dinheiro e de tempo, assim essa mentalidade é responsável pela lentidão no trânsito, a gente não enxerga, na ida ou na volta do trabalho, filas e filas de carros com um só ocupante, esbanjando combustível e poluição e, o pior, corroendo os nervos.

A pessoas do campo vivem mais!

Também a vida na maioria das cidades é um caos, uma fábrica de estresse, de doenças respiratórias, além dos problemas pessoais, acontecem brigas no trânsito, nas filas dos bancos, isso por que, para a maioria dos motoristas o carro representa uma continuação da casa, um porto seguro, um item de segurança, sem carro sentem-se nus.

Já disse em algumas oportunidades que, se a gente pudesse ir de carro ao banheiro iria, mesmo sendo próximos ou a poucas quadras os centros comerciais, colégios, supermercados fazemos questão de utilizarmos o carro, deixamos de caminhar e o engraçado é que pagamos academia para podermos caminhar nos aparelhos de ginástica.

BRILHANTE IDEIA, ALARGAR AS RUAS E ENCURTAR AS CALÇADAS...

A cidade de São Paulo é como `Frankstein´, foi feita aos pedaços, um monstro, o que era a exuberante mata atlântica deu lugar ao concreto, espalhado de modo perverso e inconsciente, um verdadeiro suicídio coletivo.

Como conseqüência a cidade tem um ou dois graus a mais de temperatura, pois o cimento acumula calor durante o dia, transformando a cidade em um enorme forno.

As chuvas são uma tortura para o paulistano e desnudam os defeitos da obra homem, e o homem não aprende, as enchentes se repetem nos mesmos pontos, estragando casas, carros e ruas, estragando vidas também.

Depois de anos sendo ignorados, os descapacitados são reconhecidos como cidadãos, porém o direito a livre circulação é difícil de ser exercido, as calçadas são um desafio para atletas, imagine cadeirantes, cegos e pessoas que caminham com bengala, o cotidiano deles fica parecido com uma aventura de Indiana Jones.

O carro é uma arma e mata mais que muitas doenças, mata com licença mesmo, também mata com a poluição que produz, é o rei e senhor das ruas, coitados dos pedestres que tentam atravessar o seu caminho.

Devemos lembrar que em algum momento o motorista se converte em pedestre, devemos lembrar que nossos familiares também caminham.

Nós nos acostumamos a morar no caos, na poluição, os políticos, por sua vez, priorizam o carro alargando as ruas quando deveriam priorizar o transporte público.

Prof. Francisco Emilio Coutinho Goux

Publicação: www.paralerepensar.com.br  14/04/2009