PEDESTRE UMA RAÇA EM EXTINÇÃO... CAMINHAR É PECADO?
Porque o império romano chegou a dominar
quase todo o mundo antigo?
Além de ferozes guerreiros os romanos eram
excelentes engenheiros, construíram longas estradas de pedra
para facilitar a rápida movimentação dos exércitos.
Em contrapartida, a maioria das cidades
brasileiras surgiu sem qualquer planejamento, muitas nasceram às
margens de algum rio, aproveitando-se da água que é serviço
vital para a população.
Existem cidades modernas, planejadas para
facilitar a vida do homem, tal como Brasília a esplanada dos
ministérios, um exemplo de urbanismo para a humanidade, com suas
amplas ruas e enormes espaços verdes.
Porém, nem a mente mais brilhante poderia
prever o que acontece hoje nas cidades onde, as ruas tornaram-se
insuficientes ao tráfego de veículos a ponto de cidades como a
própria Brasília ser suscetível a engarrafamentos.
A sociedade está doente de´veiculismo´, o
culto ao carro é religião, um símbolo de juventude, a cada ano
surgem novos modelos, o tamanho da frota depende do poder
aquisitivo da família que, mesmo com número reduzido de pessoas
chega a ter, em média, até três tipos de carros.
O SÍMBOLO DO EGOÍSMO EM NOME DA
LIBERDADE DE IR E VIR...
Os carros foram desenhados para acomodar
até cinco passageiros (salvo os esportivos), porém, hoje o
marido tem carro, a esposa também e os filhos adultos cada um
tem o seu. É a fartura da classe média alta, o desperdício de
gasolina, de dinheiro e de tempo, assim essa mentalidade é
responsável pela lentidão no trânsito, a gente não enxerga, na
ida ou na volta do trabalho, filas e filas de carros com um só
ocupante, esbanjando combustível e poluição e, o pior, corroendo
os nervos.
A pessoas do campo vivem mais!
Também a vida na maioria das cidades é um
caos, uma fábrica de estresse, de doenças respiratórias, além
dos problemas pessoais, acontecem brigas no trânsito, nas filas
dos bancos, isso por que, para a maioria dos motoristas o carro
representa uma continuação da casa, um porto seguro, um item de
segurança, sem carro sentem-se nus.
Já disse em algumas oportunidades que, se a
gente pudesse ir de carro ao banheiro iria, mesmo sendo próximos
ou a poucas quadras os centros comerciais, colégios,
supermercados fazemos questão de utilizarmos o carro, deixamos
de caminhar e o engraçado é que pagamos academia para podermos
caminhar nos aparelhos de ginástica.
BRILHANTE IDEIA, ALARGAR AS RUAS E
ENCURTAR AS CALÇADAS...
A cidade de São Paulo é como `Frankstein´,
foi feita aos pedaços, um monstro, o que era a exuberante mata
atlântica deu lugar ao concreto, espalhado de modo perverso e
inconsciente, um verdadeiro suicídio coletivo.
Como conseqüência a cidade tem um ou dois
graus a mais de temperatura, pois o cimento acumula calor
durante o dia, transformando a cidade em um enorme forno.
As chuvas são uma tortura para o paulistano
e desnudam os defeitos da obra homem, e o homem não aprende, as
enchentes se repetem nos mesmos pontos, estragando casas, carros
e ruas, estragando vidas também.
Depois de anos sendo ignorados, os
descapacitados são reconhecidos como cidadãos, porém o direito a
livre circulação é difícil de ser exercido, as calçadas são um
desafio para atletas, imagine cadeirantes, cegos e pessoas que
caminham com bengala, o cotidiano deles fica parecido com uma
aventura de Indiana Jones.
O carro é uma arma e mata mais que muitas
doenças, mata com licença mesmo, também mata com a poluição que
produz, é o rei e senhor das ruas, coitados dos pedestres que
tentam atravessar o seu caminho.
Devemos lembrar que em algum momento o
motorista se converte em pedestre, devemos lembrar que nossos
familiares também caminham.
Nós nos acostumamos a morar no caos, na
poluição, os políticos, por sua vez, priorizam o carro alargando
as ruas quando deveriam priorizar o transporte público.
Prof. Francisco Emilio
Coutinho Goux