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QUEREMOS SER CIDADÃOS DO
PRIMEIRO MUNDO?
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- Os sonhos
e os pesadelos estão feitos dos mesmos materiais, embora o
pesadelo seja nosso único sonho permitido: viver um modelo de
desenvolvimento que deprecia a vida e adora as coisas.
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- PODEMOS
SER COMO ELES?
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- Promessa
dos políticos, razão dos tecnocratas, fantasia dos desamparados:
- o Terceiro
Mundo vai virar Primeiro Mundo, será rico, culto e feliz, tudo
isso só com boa conduta, fazendo o que mandam lhe fazer sem
protestar.
- Um destino
de prosperidade recompensará a obediência dos mortos de fome, no
ultimo capítulo da novela da história.
- Podemos
ser como eles, anuncia um gigantesco letreiro luminoso, aceso no
caminho do desenvolvimento dos subdesenvolvidos e a modernização
dos atrasados.
- Mas o que
não pode ser, não pode ser mesmo e alem disso é impossível: se
os países pobres chegassem ao nível de produção e fartura dos
países ricos, o planeta morreria.
- Já esta
nosso pobre planeta em estado de coma, gravemente intoxicado
pela civilização industrial e exprimido ate a penúltima gota
pela sociedade de consumo.
- O mundo,
convertido em mercado e mercancia, a natureza, humilhada, posta
ao serviço da acumulação de capital, envenena-se a terra, a água
e o ar para que o dinheiro produza mais dinheiro sem que caia a
taxa de lucros.
- A chuva
ácida dos gases industriais assassina os bosques e as lagoas do
Norte do mundo, os detritos tóxicos envenenam rios e mares,
enquanto ao Sul a agroindústria da exportação avança arrasando
arvores e gente, uma piada, EEUU o único país que não assina o
Protocolo de Kyoto para redução das substancias do efeito
invernadero e proteção da camada de ozônio.
- Ao Norte e
ao Sul, a Este e Oeste, o homem serra, com delirante entusiasmo,
a rama onde esta sentado.
- Na
fogueira continuada da Amazônia arde meia Bélgica por ano,
queimada pela civilização da cobiça, em toda América Latina a
terra esta ficando deserta e seca.
- No sul do
continente americano morrem 22 hectares de terra por minuto, na
grande maioria sacrificadas pelas empresas que produzem carne e
madeira, em grande escala, para o consumo dos cidadãos do mundo
globalizado.
- As vacas
de Costa Rica se convertem, nos Estados Unidos, em hambúrgueres
do MacDonald’s, a 50 anos as arvores cobriam três quartas partes
do território de Costa Rica: já são muito poucos as arvores que
ficam, e ao ritmo atual de desmatamento, o pequeno país vai
virar um sertão.
- Costa Rica
exporta carne aos Estados Unidos, e dos Estados Unidos importa
agrotóxicos que os norte-americanos proíbem aplicar sobre seu
próprio solo.
- A bolsa de
valores de New York dirige a grande orquestra da globalização.
- Os países
do hemisfério Norte dilapidam os recursos de todos, crime e
delírio da sociedade da abundância: uma minoria de ricos devoram
um terço de toda a energia, e um terço de todos os recursos
naturais do mundo inteiro.
- Segundo as
estatísticas revelam um só norte-americano consome como
cinqüenta haitianos; que aconteceria se os cinqüenta haitianos
consumissem subitamente como cinqüenta norte-americanos?
- Que
aconteceria se toda a imensa população do Sul pudesse devorar o
mundo com a impune voracidade do Norte?
- Que
aconteceria se multiplicasse nessa louca medida os artigos
suntuosos, as “limusines”, os computadores, as casas com
piscinas, o ar condicionado central, usinas termo elétricas e
nucleares?
- Que
aconteceria com o clima, que já esta perto do colapso pelo
aquecimento da atmosfera?
- Que
aconteceria com a terra, com a pouca terra que a erosão esta nos
deixando?
- E com a
água, que a metade do mundo bebe contaminada com nitratos,
pesticidas e detritos industriais de chumbo e mercúrio entre
outras substancias?
- Já esta
acontecendo, teríamos que nos mudar de planeta, este está gasto
e já não suporta mais.
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QUEREMOS SER COMO ELES?
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- Num
formigueiro bem organizado, as formigas rainhas são poucas e as
formigas obreiras muitas, as rainhas nascem com asas e podem ter
sexo, as obreiras que não voam nem amam, trabalham para as
rainhas, tem policias que vigiam as obreiras e as rainhas.
- Nossa
época esta marcada pela confusão dos meios e os fins, não se
trabalha para viver, vive-se para trabalhar; uns trabalham muito
porque necessitam mais do que consomem; outros trabalham cada
dia mais para seguir consumindo mais do que necessitam.
- Somos
peças de um sistema de engrenagens, estamos obrigados a dançar,
quem se nega fica fora, excluído do sistema bancário, da saúde,
da educação e da previdência.
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- A
CIDADE COMO CÂMARA DE GÁS
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- Nossos
campos se esvaziam, as cidades como São Paulo, se convertem em
infernos grandes como países, cresce a um ritmo de meio milhão
de pessoas e trinta quilômetros quadrados por ano, já tem cinco
vezes mais habitantes que Noruega.
- O ar limpo
e o silencio são artigos tão raros e tão caros que já nem os
ricos podem comprá-los.
- Existe uma
nuvem de sujeira no ar das grandes cidades, pássaros que tossem
em vez de cantar, arvores que se negam a crescer, só falta um
cartaz que diga “Recomenda-se não respirar”.
- As
crianças nascem com um coquetel no sangue, MONÓXIDO DE CARBONO,
OXIDO NITROSO, OZÔNIO FOTOQUÍMICO, DIÓXIDO DE ENXOFRE, a
contaminação sonora esta instalada fora e dentro do lar, para
que não esqueçam que temos que viver com ‘stress”.
- O direito
de contaminar e mais um incentivo fundamental para trazer
“Inversões Estrangeiras”, a liberdade do dinheiro que deprecia a
liberdade dos demais.
- São mais
importantes o direito de empresa e de propriedade que os
direitos humanos.
- A anarquia
dos veículos determina que os paulistas dediquem ate quatro
horas por dia para ir e voltar do trabalho, quatro horas
sentados no carro respirando sujeira, “smog”, e coitados dos
pedestres que ousarem invadir o território do maior predador da
metrópole.
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- A CIDADE
COMO PRISÃO
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- Caminhar
pelas ruas das cidades virou uma atividade de alto risco, ficar
em casa também, sair, só pela necessidade de trabalhar, vivemos
presos do medo, condenados ao pânico do próximo assalto, rezando
para evitar formar parte das estatísticas da violência.
- Quem tem
algo por pouco que seja, vive em estado de ameaça, em posição de
defesa.
- Prédios
residenciais que parecem castelos feudais da era eletrônica, só
falta a fossa com tubarões, grades eletrificadas, portões
levadiços, câmeras e alarmes, torres e guardas armados, e ainda
assim são alvo dos criminosos.
- Neste país
onde se condena a pena de morte, existe a pena de morte pelo
direito a propriedade, ou o direito ao seqüestro ou assalto.
- A
sociedade de consumo, que consome gente, obriga a gente a
consumir, enquanto a televisão dita cursos de violência a
universitários e analfabetos.
- A
televisão exibe o obsceno delírio da festa do consumo, a
opulência de políticos e famosos, e nos ensina também a defender
nosso território com balas.
- Crianças,
adolescentes e maiores pobres, praticam a iniciativa privada do
delito, o único campo onde podem-se desenvolver, os direitos
humanos se reduzem a roubar ou morrer, como feras saem nas ruas
de caçada, em qualquer esquina esta a presa, depois fogem.
- Sua vida
acaba cedo, consumida pelo álcool, cheiro de cola, maconha e
outras drogas, bom para enganar a fome, o frio, a solidão, a
vida acaba com uma bala ante as câmeras dos jornais, o
verdadeiro “Reality Show”.
- A
civilização do capitalismo selvagem, o direito de propriedade é
mais importante que o direito a vida, a gente vale menos que as
coisas.
- Temos que
acreditar na premissa “o mercado livre é a clave da riqueza”,
eficiente e quem mais ganha em menos tempo, cuidado com o
vizinho que é um concorrente.
- O duvidoso
casamento entre a oferta e a demanda, num mercado livre que
serve ao despotismo dos poderosos, castiga aos pobres e gera uma
economia de especulação.
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Tecnocracia que enxerga números e não pessoas, mas só enxerga os
números que a ela servem.
- Ao fim e
ao cabo, a dignidade humana depende do cálculo de custos e
benefícios, o sacrifício da população não é mais que o “custo
social do progresso”.
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- “A vida
e algo que acontece enquanto um esta ocupado fazendo outras
coisas” John Lennon.
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- “As
planícies do Norte da América e Rússia são nosso milho e trigo,
Canadá e o Báltico nossos bosques madeireiros, Austrália nossas
granjas de ovelhas é lá, Argentina tem nosso gado bovino, Peru
envia sua prata, o ouro é do Sul da África, os Hindus e Chineses
cultivam chá para nós, Brasil produz nosso café e açúcar,
Espanha, França e Itália são nossos vinhedos...”
- Futurismo
do Império britânico:
- Em 1865, o
economista inglês Jevons define a ordem do comercio mundial
“laissez faire”, como aberto e Londres como centro, a comparação
resulta inevitável com a santa “globalização”.
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- Prof.
Francisco Emilio Coutinho Goux
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www.jornaldamulher.org/radarnacional
- Fonte:
Patas para arriba/1991/Eduardo Galeano.
- A Future
Perfect: The Chalenge and hidden promise of Globalization/The
Economist
- Living
Planet Report/W.W.F.
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- Publicação:
www.paralerepensar.com.br 07/07/2005

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