Os inimigos do Invisível!
Além dos nossos desafetos do plano material, é importante que
não nos esqueçamos de que também os temos no outro lado da
vida, ou seja na vida espiritual, e que dessa forma, é
prudente que desde já busquemos entrar em contato com os
nossos irmãos que por qualquer motivo não têm conosco uma boa
convivência em nossa atual romagem terrena, para se possível
desfazermos os motivos de tais desarmonias e nos guiar pelas
instruções do Mestre de Nazaré para que façamos nossos acertos
enquanto estamos à caminho com eles, para que não aumentemos
ainda mais o número deles no outro lado da vida.
A doutrina espírita nos esclarece que espíritos equivocados e
ignorantes existem em grande número a nos influenciar a todo o
instante, e que precisamos estar bastante atentos para não nos
deixar levar por suas maléficas influências.
Informam-nos os Instrutores da Espiritualidade Superior que
alguns desses nossos irmãos, em estado de total desrespeito
por tudo e por todos, não se deixam influenciar nem mesmo
diante da invocação do nome de Deus nosso Pai, e que somente
aqueles que possuem elevado conceito de moralidade poderão
obter resultado positivo diante dessas criaturas infelizes,
exatamente porque já vivenciam os ensinamentos do mestre de
Nazaré em pensamentos, palavras e obras, trabalhando
incansavelmente pelo alastramento e implantação do bem no
coração dos seus irmãos, ajudando a levantar os caídos na
estrada da vida, única condição de impor respeito ante essas
entidades perversas e ignorantes.
Em o evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos as
instruções dos Imortais da Vida Maior, sobre o assunto,
conforme segue:
Os inimigos desencarnados
"Ainda outros motivos tem o espírita para ser indulgente com
os seus inimigos. Sabe ele, primeiramente, que a maldade não é
um estado permanente dos homens; que ela decorre de uma
imperfeição temporária e que, assim como a criança se corrige
dos seus defeitos, o homem mau reconhecerá um dia os seus
erros e se tornará bom.
Sabe também que a morte apenas o livra da presença material do
seu inimigo, pois que este o pode perseguir com o seu ódio,
mesmo depois de haver deixado a Terra; que, assim, a vingança,
que tome, falha ao seu objetivo, visto que, ao contrário, tem
por efeito produzir maior irritação, capaz de passar de uma
existência a outra. Cabia ao Espiritismo demonstrar, por meio
da experiência e da lei que rege as relações entre o mundo
visível e o mundo invisível, que a expressão: extinguir o ódio
com o sangue é radicalmente falsa, que a verdade é que o
sangue alimenta o ódio, mesmo no além-túmulo. Cabia-lhe,
portanto, apresentar uma razão de ser positiva e uma utilidade
prática ao perdão e ao preceito do Cristo: Amai os vossos
inimigos. Não há coração tão perverso que, mesmo a seu mau
grado, não se mostre sensível ao bom proceder. Mediante o bom
procedimento, tira-se, pelo menos, todo pretexto às
represálias, podendo-se até fazer de um inimigo um amigo,
antes e depois de sua morte. Com
um mau proceder, o homem irrita o seu inimigo, que então se
constitui instrumento de que a justiça de Deus se serve para
punir aquele que não perdoou.
Pode-se, portanto, contar inimigos assim entre os encarnados,
como entre os desencarnados. Os inimigos do mundo invisível
manifestam sua malevolência pelas obsessões e subjugações com
que tanta gente se vê a braços e que representam um gênero de
provações, as quais, como as outras, concorrem para o
adiantamento do ser, que, por isso; as deve receber com
resignação e como conseqüência da natureza inferior do globo
terrestre. Se não houvesse homens maus na Terra, não haveria
Espíritos maus ao seu derredor. Se, conseguintemente, se deve
usar de benevolência com os inimigos encarnados, do mesmo modo
se deve proceder com relação aos que se acham desencarnados.
Outrora, sacrificavam-se vítimas sangrentas para aplacar os
deuses infernais, que não eram senão os maus Espíritos. Aos
deuses infernais sucederam os demônios, que são a mesma coisa.
O Espiritismo demonstra que esses demônios mais não são do que
as almas dos homens perversos, que ainda se não despojaram dos
instintos materiais; que ninguém logra aplacá-los, senão
mediante o sacrifício do ódio existente, isto é, pela
caridade; que esta não tem por efeito, unicamente, impedi-los
de praticar o mal e, sim, também o de os reconduzir ao caminho
do bem e de contribuir para a salvação deles. É assim que o
mandamento: Amai os vossos inimigos não se circunscreve ao
âmbito acanhado da Terra e da vida presente; antes, faz parte
da grande lei da solidariedade e da fraternidade universais".
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Fonte:1) O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XII, itens 5
e 6.