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- DOIS BRASIS, DUAS
VERDADES.
A imensa e eterna desigualdade social do Brasil produz um
fenômeno intrigante e sui generis na vida política nacional: a
verdade da elite e a verdade da plebe.
Os recentes escândalos de corrupção desvelados à população, em
contraponto ao resultado que emerge das pesquisas eleitorais
para o pleito de Out/2006, demonstram de forma inequívoca e
inconteste as percepções antagônicas das duas classes sociais:
elite e plebe. De um lado, ou melhor, do lado de cima, a
elite, legítima herdeira natural do poder, agoniza incrédula e
desesperada, perante a opinião estatística eleitoral, a qual
favorece o seu falso, impróprio, asqueroso e indesejado
representante: o Presidente atual, lastimando o contra-senso.
Do lado de baixo, a rude plebe, miserável e "ignorante"
secular, desdenha a sanha elitista e manifesta matematicamente
sua outra verdade, a de que a devassidão moral da política
brasileira encontra-se entranhada nas vísceras do poder, em
todos os escalões e esferas, e não na conduta de seu infeliz
pupilo: o analfabeto, bebum, vagabundo e, agora, psicopata
Lula da Silva.
Infelizmente, é preciso concordar com os arautos da elite e
fazer-lhes coro quando vociferam nos quatro cantos dos jornais
e das telas de TV, planas ou não, em espaço e horário nobres,
divulgando pomposamente os "fatos" verossímeis dos "mensalões",
"sanguessugas", "curupiras", etc, que denigrem e ferem
profundamente a honradez, o caráter e a dignidade dos cidadãos
de bem, fatos estes dignos de repúdio e intolerância,
porquanto nocivos ao processo democrático. Esta é uma verdade
que se impõe.
Da mesma forma, há também a verdade da plebe. A miserável e
"ignorante" plebe sabe, e muito bem, que essas malévolas e
vergonhosas práticas criminosas perduram há cinco séculos nos
meandros do poder brasileiro, a serviço exclusivo da elite. Se
não, vejamos: esquema PC Farias, Casa da Dinda, PEC da
reeleição, venda das estatais, SUDAM, SIVAM, PROER, Salvatore
Cacciola, ex-senador Luis Estevão, etc, dentre outros tantos
"esquemas" que, por não terem sido devidamente escalpelados,
jazem no esquecimento. E tudo isso em plena vigência da
democracia. Seria inútil e talvez impossível relacionar todas
as falcatruas impetradas pela elite nesses séculos de
roubalheira, que mantêm inalterada a situação da plebe,
condenada à miséria e à ignorância. O crime do colarinho
branco, preto por dentro, tem lugar fixo, permanente e
irretocável nas altas e baixas esferas do poder. Ignorá-lo só
interessa à elite e é por isso que, dialeticamente, a plebe
miserável e "ignorante" não mais o ignora. Assim, a plebe
rude ajusta-se à conjuntura atual e solidariza-se com seu
igual Lula da Silva, sustentando-se moral e materialmente nas
migalhas assistencialistas do governo. E esta é outra verdade
que também se impõe.
É claramente perceptível a indigestão da elite em ter que
aturar e principalmente reverenciar, em certas ocasiões, o
miserável, ignorante, bebum, vagabundo e psicopata Lula da
Silva como Presidente. Deve ser muito ignominioso para a elite
ter que tratar com alguém tão ignóbil, ocupando uma posição
que lhe pertence por direito, ainda mais quando lembra que o
tal infame sucedeu nada mais nada menos que um dos mais
ilustres e lídimos representantes de sua estirpe, o FHC. Os
patrícios devem estar arrependidos de terem aceitado essa tal
democracia, que possibilita o enxovalho de sua nobreza. Eles
não atentaram para o "defeito da democracia" filosofado por
Baruch Spinoza: "permitir o poder aos medíocres". Isto talvez
ocorreu devido à histórica, inflexível e natural permanência
no poder, que lhe é vocacional.
Certamente a plebe miserável, mas não tão mais ignorante,
tenha concluído que qualquer que seja o mandatário, fidalgo ou
ralé, a corrupção permanecerá impregnada em seu colarinho,
mudando apenas de gravata.
Gerson Alves de Souza
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Publicação:
www.paralerepensar.com.br
29/06/2006
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