A casa dos grandes pensadores
 
 
 

GERSON ALVES DE SOUZA

 

 

 

 
QUE DILEMA!
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come!

A questão indígena brasileira está suscitando um grande dilema nacional, com reflexo na atuação das principais autoridades e instituições do país, sobretudo em relação  ao posicionamento do Exército Brasileiro.

As recentes, repercutidas e aplaudidas declarações do General Heleno, Comandante Militar da Amazônia, que questionam a política indigenista do atual governo, comprovam este impasse. Militar íntegro e competente profissional, o Gen. Heleno tem suas razões, e é seu dever tê-las, para se preocupar com a soberania do Estado brasileiro, no tocante à combatida demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, seja pela localização na faixa de fronteira, que pode comprometer a defesa militar e diplomática do território brasileiro; seja pelo modelo de  gestão dessas terras, com grande influência de ONGs dirigidas por estrangeiros, que pode dificultar ou, até mesmo, impedir a livre circulação de autoridades e instituições federais na área da reserva, como já ocorrera recentemente.

Entretanto, e por enquanto, as controversas deste assunto manifestam-se apenas no plano superficial, numa guerra ideo-filosófica, pró e contra, com argumentos requentados e repetitivos, de ambos os lados, como que, a quererem esconder o objetivo real e maior que o envolve: a exploração econômica da inestimável riqueza biológica e mineral dessas terras, passando, de relance, pela antipatia ao governo Lula. Como se sabe, o capitalismo baseia-se nos princípios da propriedade privada e do livre mercado, portanto, é disso que se trata, já que vivemos num governo, país e mundo capitalistas. São os interesses político-econômicos que estão por trás desta situação embaraçosa. E nisto é que reside o grande dilema nacional: explorar ou ser explorado, afirmar-se ou subjugar-se. Índios e arrozeiros locais são meros atores coadjuvantes nessa tragédia brasileira, assim como a defesa do território, preocupação militar do Gen Heleno e dos demais que o aplaudem, também é apenas um subterfúgio ideológico, para contestar um governo desafeto, uma vez que todos são capitalistas, e com tal, não refutam e nem combatem os interesses internacionais sobre a Amazônia.

Eis o dilema: sendo a área demarcada como tal, as ONGs organizadas e financiadas por instituições e governos estrangeiros (EUA, Inglaterra, França, Alemanha, etc) servirão de instrumentos de exploração bio-mineral para esses agentes internacionais. O zelo antropológico será secundário, como já é. Por outro lado, caso o STF reverta a situação, abrirá precedente para a continuidade do desmatamento da floresta, pelos arrozeiros, sojeiros e madeireiros, o que gerará contestações estrangeiras desses mesmos organismos forasteiros. De um jeito ou de outro, mais cedo ou mais tarde, haverá uma real ameaça à soberania do Brasil naquela região amazônica.

E como fica o posicionamento do Exército Brasileiro, neste imbróglio? Há de se perguntar ao Gen Heleno e sectários se o Exército Brasileiro tem condições de defender a região contra a ameaça desses países nela interessados (EUA, Inglaterra, França, Alemanha, etc). Caso contrário, é melhor o Gen Heleno seguir a admoestação do Rei Juan Carlos a Hugo Chaves, e se preparar para o pior, pois, diferentemente, em relação às exigências dos governos da Bolívia e do Paraguai, em que as perdas são apenas econômicas, e mínimas, até justas, as conseqüências desse enredo poderão ser trágicas e traumáticas para a soberania do Brasil, não só para o terceiro governo Lula.

É aquela estória: "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". Mas, parece que para alguns contestadores, dependendo do bicho, dói mais ou dói menos.

Gerson Alves de Souza - 1º Sargento do Exército Brasileiro.  
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  19/05/2008