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A escravidão social
20/07/2007
No ano de 1959, a Assembléia geral das Nações Unidas aprovou dez
pontos essenciais para a vida de qualquer ser humano, dentre
eles estavam: Direito à educação gratuita e ao lazer; direito de
viver em um espírito de solidariedade; compreensão; amizade;
justiça entre os povos; direito de ser protegido contra a
exploração no trabalho.
No entanto, não é isto que nos dizem os números: no mundo
inteiro o número de trabalhadores que vivem em condições de
trabalho escravo é de 12,3 milhões. Estas pessoas não possuem
nenhum dos direitos básicos intitulados pelas Nações Unidas,
talvez nem entrem nas estatísticas das Nações Unidas, portanto
não existem em sua concepção.
Estes números são de uma pesquisa da OIT (Organização
Internacional do Trabalho) divulgada no último mês e, diz que em
2004 o Brasil reconheceu perante a ONU ter pelo menos 25 mil
pessoas em regime de escravidão no país. Os responsáveis por
isto são em geral grandes latifundiários, principalmente dos
estados do Pará e Mato Grosso, que ao contrario do que
imaginavam, possuem em suas fazendas tecnologia avançada e
grande produção voltada para o mercado interno. Ou seja, estes
“empresários” são conscientes de que o trabalho escravo é crime.
Desde 1888, quando foi promulgada a Lei Áurea, a idéia que as
pessoas têm é de que aqueles escravos que viviam em regime de
servidão foram libertados, constituíram famílias, conseguiram um
emprego descente e viveram felizes para sempre. Porém, a
realidade é outra. Estes mesmos escravos foram jogados à margem
da sociedade, muitos continuaram nas fazendas, pois não tinham
para onde ir, além disso, o preconceito e a má distribuição de
renda ajudaram a manter estes homens em uma “escravidão
social”.
Hoje, 119 anos após a suposta abolição da escravatura ainda
temos pouco mais de 20 mil pessoas que ainda vivem neste mesmo
regime de trabalho escravo. Isto é o fruto de uma política
estrutural para uma minoria, de um país que em toda sua história
foi visto com uma “Colônia de Exploração” por outros países e,
infelizmente só cresceu para os grandes detentores do poder,
pois estes são realmente os que importam para o Estado.
Neste Brasil bipolar, temos de um lado os que se destacam os
grandes detentores do capital e dos direitos administrativos e
no outro seus consumidores, sem o qual os primeiros não
prosperariam. Estas 20 mil pessoas praticamente inexistem para
estes grandes empresários, pois não consomem são o verdadeiro
lixo humano da sociedade, sendo assim, todos os direitos, todas
as políticas não abrangem tal camada social .
O
Brasil com Z das exportações, das grandes multinacionais, dos
grandes empresários vai muito bem obrigado. Já o Brasil do povo
esta cada vez mais distante dos direitos básicos de um ser
humano. Onde a famosa frase : “Manda quem pode e obedece quem
tem juízo” continua a imperar em uma verdadeira ditadura de
privilégios.
Glener Ochiussi
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Publicação:
www.paralerepensar.com.br
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25/07/2007
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