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A gênese do
charlatanismo à inglesa
Um caos total se formou na capital de
Portugal, sob gritos de D. Maria I (a louca) a família real
embarcaria para seu mais novo quintal de extração ,a população
se sentia desprotegida, Napoleão iria dizimar Lisboa e a
administração real da metrópole fugia por questões meramente
“estratégicas” para sua colônia real, o Brasil .
Na bagagem real viria muito mais do que
três mil pessoas , um punhado de livros e alguns burocratas .
Viria também uma nova cultura , costumes e conceitos europeus
que seriam os mais desenvolvidos da época de acordo com a corte
real lusa .
No ano de 2008 fará duzentos anos da vinda
da família real para sua mais rendosa e única colônia de
exploração que lhes sobraria até então . Esta fuga iria mesmo
que indiretamente consolidar e supostamente libertar nosso país
quatorze anos mais tarde, assim reza a história .
Na verdade esse fato histórico e simbólico
para a consolidação da independência brasileira, teve um viés
sociológico e econômico fundamental para a formação das
primeiras grandes cidades da então nomeada metrópole provisória
do reino de Portugal e Algarves .
Pelo lado social, a partir do século XIX a
figura do patriarcado rural estava em completa decadência,
casas-grandes estavam se tornando apenas mais um complemento das
mais novas casas assobradadas da cidade em formação . Ao mesmo
tempo estavam surgindo,naquela sociedade até aquele momento
primitiva e conservadora, alguns intelectuais formados nas
mais prestigiadas faculdades européias e que seriam os primeiros
a conceituar como ultrapassado o patriarcado rural .
No cenário econômico, por volta da segunda
metade daquele mesmo século, nosso país começaria sua tímida e
inacabada industrialização, ou melhor dizendo, uma substituição
precária das exportações. Burocratas europeus iriam se
interessar formalmente com o potencial natural e econômico de
nossos trópicos .
Essa cultura européia em fusão com a
cultura africana e indígena que aqui já coexistia,que iria
formar a nova sociedade urbana brasileira, que nascerá entre
trancos e barrancos , em um charlatanismo que predomina até os
dias de hoje . Junte pregações morais, interesses econômicos e
uma ideologia de superioridade européia, mescle com a ginga, a
criatividade e a inteligência negro-indígena, assim
progressivamente se formará nossa atual cultura .
Conseqüentemente, nossas raízes foram
mascaradas e sobrepostas por interesses econômicos, sociais e
étnicos, não se extinguiu completamente, pode ser vista em cada
um de nós, mesmo assim sofrera perdas irreparáveis .
Pois bem, uma história particularmente
ilustra muito bem o intuito e a linha de pensamento desse
artigo. Conta os livros da época que quando a família real aqui
desembarcou, Carlota Joaquina ( esposa del rei D. João VI ) e
suas criadas estavam todas de cabeças raspadas e com véus sob a
cabeça , rapidamente a população da cidade do Rio de Janeiro
concluiu que aquele penteado era a nova moda européia e logo
rasparam a cabeça como a princesa da metrópole. O que poucos
imaginavam é que a cabeça raspada de D. Carlota era fruto de um
surto de piolhos, resultante de meses em um navio sem a higiene
e as condições humanas necessárias.
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Repensemos os valores esquecidos ou
exclusos de nossos antigos “avós” culturais , só assim poderemos
entender a simbólica vinda da família real para estes “tristes
trópicos”.
Glener Ochiussi
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Publicação:
www.paralerepensar.com.br
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17/10/2007
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