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Agora é que são elas !
A convivência
familiar sempre foi um assunto essencial para entendermos a vida
social em si: Sabemos que a primeira educação se dá no âmbito
familiar, todos os nossos costumes e vícios advém do nosso
primeiro contato amoroso, sentimental e instintivo com nossas
mães e pais. Por esse motivo podemos analisar e compreender
diferentes sociedades tomando como parâmetro o habitat familiar
.
Vejamos, desde a
idade média o domicilio sempre foi classificado como uma espécie
de “estufa de tradições” . O pai, a pessoa que perpetuava essa
tradição, trazia o alimento , protegia sua esposa e filhos
contra ataques de tribos rivais e tinha o papel de passar seus
ensinamentos para o filho mais velho que por sua vez iria
assumir a família quando o atual progenitor desta viesse a
falecer . A esse homem se atribuiu o papel de pater familias, ou
seja: elemento principal de uma família .
Superando a
“idade das trevas” e analisando nosso país, onde , até o século
XIX a mulher sempre foi vista como subordinada ao marido, o
papel da mulher era meramente de fachada, em uma sociedade
tipicamente patriarcal de casas-grandes e sobrados urbanos . O
marido quase sempre tinha várias mulheres, além de manter
relações com escravas de casa, a quem era atribuído o papel de
criação e princípios básicos de higiene e “sociabilidade” entre
as sinhás moças .
Esta sociedade
patriarcal sofreu duros abalos como por exemplo: em 1865, a
Guerra do Paraguai deixou um déficit de 100 mil homens para o
lado tupiniquim, suas viúvas iriam exercer um papel fundamental
na valorização feminina da época .
Uma cultura não
é estruturada da noite para o dia : todos os sentidos, valores,
costumes, conceitos e também preconceitos são sistematizados ao
longo de séculos . Esse último, é resultado direto de má
informação ou instrução sob determinados atos e seus devidos
valores . Criam-se paradigmas, e esses estão aí para serem
quebrados e não revividos. Sendo assim, a palavra preconceito
está diretamente ligada à regresso .
O interessante é
ver que mesmo após milhares de anos, nossa sociedade ainda
continua a manifestar preconceito com a figura feminina, esta
tão igual ou superior a masculina em toda nossa história . Mas a
cultura patriarcal, deixou marcas inimagináveis, onde até hoje
resvalam resquícios desse primitivismo .
Estatísticas do
IBGE nos mostram que mulheres com 11 anos ou mais de estudo, por
exemplo, recebem 58,6% do rendimento dos homens com essa mesma
escolaridade. Da mesma forma, enquanto 49% da população feminina
ganha até um salário mínimo, entre os homens esse percentual não
ultrapassa 32%.
No século XXI a
sociedade patriarcal está em baixa, cada vez mais mulheres
ocupam cargos de chefia, visando sempre sua independência
profissional e financeira em relação ao homem . Contrariando
toda a nossa história patriarcal, as mulheres chegaram para
ficar e porque não deixar os homens para trás, onde a frase:
“Este trabalho não é para mulheres “ se tornou,e com
justeza,ultrapassada e vulgar .
Quem sabe daqui
a alguns anos não estaremos analisando a típica sociedade
pós-moderna matriarcal , onde os preconceitos, as diferenças
sexuais e os estereótipos errôneos sobre o sexo feminino se
tornaram “assunto de idade média” .
Glener Ochiussi
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Publicação:
www.paralerepensar.com.br
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24/09/2007
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