A casa dos grandes pensadores
 
 
    

GLENER OCHIUSSI

 

 

O processo de obsolência da educação

A educação pública agoniza. Quando jovens, somos propensos a sonhar, não que os sonhos não sejam importantes, eles o são, a discussão é até quando vale à pena sonhar e perder de vista o real? Grandes parcelas de nossos estudantes universitários idealizam uma utopia que se revela inconcebível fora da mera teorização, é o sonho da revolução feita pela educação. Por certo, toda e qualquer sociedade vive por base de esperanças ideais que nutrem o moinho de nossa existência, porém, algumas vezes estas idealizações nos perseguem, e o resultado é trágico quando não conseguimos as realizar de modo pleno e satisfatório.

Poderíamos nos arriscar a dizer que sonhos e utopias se restringem à arte e a cultura, nós educadores trabalhamos com um público real, não utópico e muito problemático. O processo de obsolência em nosso universo pós-moderno é há muito conhecido. Éticas, valores e qualidades são facilmente descartados em um cosmos de consumo e reposição imediata de mercadorias. A educação em nosso país não fica fora desta dialética, principalmente quando debatemos o ensino público. Basta de nos entorpecermos com esperanças e idealizações baratas que massageiam nossos egos. As medidas necessitam ter caráter imediato e real, em um salvem-se quem puder sem precedentes em nossa história.

O processo de divisão do trabalho, taxado assim pelos economistas clássicos do século XVIII, atingiu a educação com exatidão. O ensino não é mais visto pela família como seiva procriadora de valores e humanismo, mas sim como uma terceirização da prole, embalada e selada, com destino traçado a professores e gestores. A escola representa o prédio fechado e arredio onde o filho, devidamente despachado e sob responsabilidade alheia, deve preencher e permanecer a maior parte de seu dia. Hipocrisias e auto-projeções mutilam nossos jovens discentes, muita cobrança e poucos exemplos norteadores, eis as mazelas das famílias modernas, sangue e espelho de nosso alunado.  

Imaginem vocês, atentos leitores, que estamos todos em uma locomotiva em alta velocidade, o básico não é mais o necessário, destaques fogem a regra, e a perda de passageiros pelos quentes trilhos faz parte de nossa realidade. No momento, a educação pública perde inúmeros passageiros pelo caminho, estes, pagaram o bilhete para o destino único, porém foram barrados na primeira estação. O mundo em que vivemos se difere do básico preto e branco, onde todos nós somos relativamente iguais, as disparidades, sejam elas econômicas ou intelectuais, tendem a aumentar.

Às vezes, em um momento subliminar de prestarmos contas a nossa existência nos perguntamos: O que ocorreu com nossa educação? Esta, que por muito era vista como a essência norteadora de qualquer animal pensante, hoje se basta a formar animais projetados e formalizados, com um objetivo profissionalizante específico, sem argüições ou contestações.  Deixemos de lado os discursos moralizantes e utópicos, o cenário atual exige frieza e destreza. Mais do que nunca a idéia racionalista weberiana tende a ganhar espaço, em uma equação de possíveis lucros ou prejuízos.

Enfim, chegamos ao fim deste escrito, chega! Basta de afirmações céticas e desesperançosas. Coloquemos mais uma vez nossas máscaras sociais, postura e moral em nosso discurso: Tudo nessa vida se pode transformar, basta força de vontade do agente criador. Assim caminham nossas pobres existências, opacas e hipócritas. Como foi dito acima, toda sociedade persegue um ideal ascético que norteia sua vivência, verdade ou alienação, este é outro debate. Continuemos seguindo nossas convicções, evitando ao máximo as contradições e valorizando excessivamente nosso comodismo. Todos pela educação! 

Glener Ochiussi

Graduando em História -  Membro da equipe de História do Cursinho Everest  - José Bonifácio/SP e do Colégio Genaro Domarco - Mirassol / SP

Publicação: www.paralerepensar.com.br - 25/11/2008