|

O processo de obsolência da educação
A educação
pública agoniza. Quando jovens, somos propensos a sonhar, não
que os sonhos não sejam importantes, eles o são, a discussão é
até quando vale à pena sonhar e perder de vista o real? Grandes
parcelas de nossos estudantes universitários idealizam uma
utopia que se revela inconcebível fora da mera teorização, é o
sonho da revolução feita pela educação. Por certo, toda e
qualquer sociedade vive por base de esperanças ideais que nutrem
o moinho de nossa existência, porém, algumas vezes estas
idealizações nos perseguem, e o resultado é trágico quando não
conseguimos as realizar de modo pleno e satisfatório.
Poderíamos
nos arriscar a dizer que sonhos e utopias se restringem à arte e
a cultura, nós educadores trabalhamos com um público real, não
utópico e muito problemático. O processo de obsolência em nosso
universo pós-moderno é há muito conhecido. Éticas, valores e
qualidades são facilmente descartados em um cosmos de consumo e
reposição imediata de mercadorias. A educação em nosso país não
fica fora desta dialética, principalmente quando debatemos o
ensino público. Basta de nos entorpecermos com esperanças e
idealizações baratas que massageiam nossos egos. As medidas
necessitam ter caráter imediato e real, em um salvem-se quem
puder sem precedentes em nossa história.
O processo
de divisão do trabalho, taxado assim pelos economistas clássicos
do século XVIII, atingiu a educação com exatidão. O ensino não é
mais visto pela família como seiva procriadora de valores e
humanismo, mas sim como uma terceirização da prole, embalada e
selada, com destino traçado a professores e gestores. A escola
representa o prédio fechado e arredio onde o filho, devidamente
despachado e sob responsabilidade alheia, deve preencher e
permanecer a maior parte de seu dia. Hipocrisias e
auto-projeções mutilam nossos jovens discentes, muita cobrança e
poucos exemplos norteadores, eis as mazelas das famílias
modernas, sangue e espelho de nosso alunado.
Imaginem
vocês, atentos leitores, que estamos todos em uma locomotiva em
alta velocidade, o básico não é mais o necessário, destaques
fogem a regra, e a perda de passageiros pelos quentes trilhos
faz parte de nossa realidade. No momento, a educação pública
perde inúmeros passageiros pelo caminho, estes, pagaram o
bilhete para o destino único, porém foram barrados na primeira
estação. O mundo em que vivemos se difere do básico preto e
branco, onde todos nós somos relativamente iguais, as
disparidades, sejam elas econômicas ou intelectuais, tendem a
aumentar.
Às vezes,
em um momento subliminar de prestarmos contas a nossa existência
nos perguntamos: O que ocorreu com nossa educação? Esta, que por
muito era vista como a essência norteadora de qualquer animal
pensante, hoje se basta a formar animais projetados e
formalizados, com um objetivo profissionalizante específico, sem
argüições ou contestações. Deixemos de lado os discursos
moralizantes e utópicos, o cenário atual exige frieza e
destreza. Mais do que nunca a idéia racionalista weberiana tende
a ganhar espaço, em uma equação de possíveis lucros ou
prejuízos.
Enfim,
chegamos ao fim deste escrito, chega! Basta de afirmações
céticas e desesperançosas. Coloquemos mais uma vez nossas
máscaras sociais, postura e moral em nosso discurso: Tudo nessa
vida se pode transformar, basta força de vontade do agente
criador. Assim caminham nossas pobres existências, opacas e
hipócritas. Como foi dito acima, toda sociedade persegue um
ideal ascético que norteia sua vivência, verdade ou alienação,
este é outro debate. Continuemos seguindo nossas convicções,
evitando ao máximo as contradições e valorizando excessivamente
nosso comodismo. Todos pela educação!
Glener
Ochiussi
Graduando
em História - Membro da equipe de História do Cursinho Everest
- José Bonifácio/SP e do Colégio Genaro Domarco - Mirassol / SP
Publicação:
www.paralerepensar.com.br -
25/11/2008
|