A casa dos grandes pensadores
 
 

GLENER OCHIUSSI

O teatro do regresso

Aproximadamente a 130 mil anos atrás surgiria na África os primeiros sinais de um animal extremamente inteligente, com raciocínio cognitivo superior aos outros animais até então existentes, o chamado continente “negro” foi o berço e a primeira escola do ser humano moderno .

Teorias eurocentristas serviram de pretexto por vários séculos para simplesmente dizimar um dos maiores continentes do mundo . Nosso país colaborou com essa hecatombe por três séculos, a base principal de mão-de-obra do Brasil colonial era o escravo africano, alguns milhões de africanos foram explorados em nossa terra tropical de tantas riquezas abstratas e muita injustiça posta em pratica .

Um navio tumbeiro, como diz o nome era o maior símbolo de perversidade que a humanidade tem relatos, metade da carga somente chegaria ao destino final da viagem , bantos, yorubás ou nagôs povos inteiros foram levados por traficantes ingleses, espanhóis, portugueses, franceses , etc. para servirem de mão-de-obra para a construção do novo mundo, sem direito a indenização, aposentadoria ou qualquer outro benefício moderno .

Cientistas renomados na Europa, apoiados pela santa igreja,  afirmavam com toda veemência que os negros eram povos inferiores e teriam que ser submissos por esse motivo ao primeiro mundo. Fatos passados ? Africano é menos inteligente, diz Nobel Americano James Watson, co-descobridor da estrutura do DNA, dá declaração de cunho racista a jornal (Folha de S. Paulo- 18/10/2007).

O mundo pós consenso de Washington sofre uma carência de valores extrema, brasileiros preferem viajar para Disney, conhecer Hollywood do que olhar para além do atlântico e tentar entender que o continente africano, o qual foi explorado por nosso país 300 anos de sua história, nos dá mais respostas e riquezas do que qualquer outro fast-food americano possa vender. O que não queremos lembrar , simplesmente esquecemos ... a hipocrisia e a ignorância são doenças e precisam ser tratadas com doses altas de estudo.

Não se pode interpretar a cultura brasileira sem o estudo profundo da africana, que está impregnada e embutida em nossa, queiram os céticos ou não. No Brasil castigos de sinhás como arrancar os olhos da negra sensual da senzala por ciúmes ou surras no tronco para punir negros fugidos , hoje são substituídos pela segregação no cenário educacional , estatísticas do IBGE nos mostram que mais da metade dos alunos (54,3%) que freqüentam as universidades públicas pertencem aos 20 % mais ricos da população; 67,4 % dos analfabetos de nosso país se declara negro ou pardo. A camada social desses marginalizados pelo estado é a pobre em alguns casos e de miséria em outros (vivem com menos de 1 dólar dia / ONU ). Desse modo concluímos que o nível de pobreza está diretamente ligado com a má educação e esta infelizmente com a cor da pele .

Por fim, vejamos alguns dados médios que nos expõe a atual crise por qual passa o continente africano : 40,3 % em geral são analfabetos, a expectativa de vida chega a 45 anos em alguns países ( mesma média da Europa feudal do século XII ), 2/3 dos portadores de HIV/SIDA do mundo estão no continente africano, a África contribui com 1% do PIB mundial (contra 80% do G7- sete países mais ricos do mundo), a cada três segundos uma criança morre de malária no continente “negro” .

Números e estatísticas são reais e nos mostram a conseqüência de bilhões de vidas desperdiçadas e jogadas no lixo na África, coincidências ? Pouco provável, o que mais observamos hoje é realmente a ignorância e o preconceito por parte desses países (incluindo o Brasil). A mãe de todos os seres humanos foi dizimada pelo “primeiro mundo” e hoje representa somente um painel midiático de campanhas e promessas fictícias. O real se tornou imaginário e ainda assim não possui seu verdadeiro valor .

Glener Ochiussi

Publicação: www.paralerepensar.com.br - 06/11/2007