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Traficando
conhecimento
Dos Princípios e
Fins da Educação Nacional- LDB (Lei das Diretrizes e Bases da
Educação)
Titulo II/Art.
2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos
princípios de liberdade e nos deais de solidariedade humana, tem
por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo
para o exercício da cidadania e sua qualificação para o
trabalho.
No ano de 1530
chegara junto com Tomé de Souza (1° Governador Geral) os
primeiros jesuítas para uma colonização mais formal e
estratégica das terras tupiniquins. Esses jesuítas foram os
responsáveis pela primeira educação sistemática em nosso país,
nem heróis e nem tão bandidos os padres da Companhia de Jesus
usavam a educação católica para catequizar e domesticar aqueles
índios “selvagens”. Parafraseando Darcy Ribeiro: “ Os jesuítas
comiam os índios considerados primitivos por eles, não antropofagicamente
mas sim culturalmente “ .
Quatro séculos
se passaram e nosso país assistia a ascensão no poder de um
gaúcho inteligente e estrategista, Getúlio Vargas inaugurara a
nova República e posteriormente alguns anos de ditadura e
repressão no seu intitulado Estado Novo, no cenário educacional
começava uma tímida popularização da educação, ainda católica
porém progressivamente se universalizando. A taxa de
analfabetismo em 1950 chegava a 59,3% aos homens e 60,6% às
mulheres.
Hoje o Brasil
perpassa por um período que ao mesmo tempo nos remete vitórias e
deficiências, o sistema educacional atual atingiu o número de
96,9% de crianças de 6 a 14 anos matriculadas na escola, por
outro lado o país possui 32,1 milhões de analfabetos funcionais
(menos de 4 anos de estudos contínuos) o que responde por 26% da
população maior de 15 anos.
Recentemente foi
publicado na imprensa nacional uma pesquisa encomendada pelo
governo Britânico, onde a empresa de
consultoria McKinsey sublinha quais os pontos que fazem a
diferença quando o assunto é educação. O resultado foi o
seguinte: Os países com melhores índices educacionais do mundo
(Canadá, Finlândia, Japão,
Cingapura, Coréia do Sul) investiram pesado na formação de seus
professores, fazendo com que os profissionais já veteranos na
docência treinassem e aperfeiçoassem os novos mestres, sendo que
esses últimos só poderiam assumir o professorado quando
totalmente preparados e seguros para esta prática.
No
cenário nacional podemos destacar que a principal preocupação de
um país em pleno desenvolvimento econômico é formar
profissionais qualificados e competentes para o mercado de
trabalho, porém a profissão de professor vem sendo esquecida
entre os jovens (o que não é bom), primeiro pela completa falta
de estruturas dadas a profissão de licenciatura e em segundo
pela falta de perspectiva e valorização que a área educacional
oferece em nosso país.
Atualmente se
investe 4,3% do PIB (Produto Interno Bruto) em educação,
especialistas apontam que no mínimo esse número deveria dobrar
para um possível desenvolvimento educacional, o ministério da
cultura (que também faz parte da educação do povo) recebe 0,5%
deste bolo, enquanto isso, todo cidadão brasileiro paga na faixa
de 36% do PIB em tributos para o estado (o equivalente à 5 meses
de trabalho por ano).
Outro grave
problema que ilustra a deficiência da educação no Brasil é a
constante falta de preparo psicológico e social por qual
perpassa nossos educadores, esses não levam em conta que cada
aluno possui diferentes realidades, ideologias, criações,
crenças e costumes; não é possível unificar 50 pessoas(número
médio em uma sala de aula do estado) em somente um método de
aprendizagem (uns possuem muita dificuldade, outros possuem
problemas de saúde, deficiências na família, ou seja são pessoas
normais e precisam ser tratadas como tais). A falta de
perspectiva de desenvolvimento de vida via educação também
assola nosso alunado, a educação é um processo longo, contínuo e
que se arrasta por toda a vida, pessoas em condições sociais
desfavoráveis as vezes não podem e não querem esperar e se
dedicar tanto para um retorno a longo prazo (conseqüência de
nossa profunda desigualdade social).
Por fim queria
aqui lhes apresentar um dado estatístico que realmente espanta e
ao mesmo tempo ajuda a alertar que estamos jogando no lixo toda
uma geração, que poderia (ou ainda pode) propiciar um
desenvolvimento econômico, político e social em todo território
nacional . Estimativas afirmam que temos no mínimo 5% de pessoas
que possuem potencial para altas habilidades – os chamados
superdotados - ou seja 3 milhões de pessoas em nosso país
poderiam ser altos empresários, músicos de sucesso, grandes
escritores, intelectuais acadêmicos, entre outras profissões de
destaque. Porém esses possíveis superdotados atualmente são mais
valorizados nos ramos de: tráfico de drogas, assalto a mão
armada, seqüestro relâmpago ou contrabando ilegal de armas.
O site
www.ibge.gov.br/ibgeteen
disponibiliza todos os dados e tabelas atualizadas a respeito da
educação brasileira, entre outros indicadores sociais, vale a
pena dar uma olhada!
Glener Ochiussi
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