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ACABOU-SE A MENTIRA
Vamos considerar definitivamente:
Se você é um ser humano com um pingo de pensamento próprio,
reflita (se ainda, no meio de tudo em que estamos,
conseguir):
Considere que a figura que descendemos de um homem e uma
mulher é de fato isso; somos mesmo filhos de homem e mulher.
Ponto.
Considere que imaginariamente nos sentimos atirados para as
estrelas; e de fato é isso, porque dos mesmos nutrientes
estelares somos feitos. Ponto.
Considere que vimos a Terra, ao olharmos em redor, que
estávamos num lugar maravilhoso de viver. De fato em algum
momento sentimos isso.
Considere que pressentimos que nos acompanhava como que
muita sorte entre tantas formas de vida que víamos. De fato
nos confortávamos, e nos confortamos mesmo com isso.
Nós e a Terra, e a Terra e nós; e expandido e estirando-se
um Universo esplêndido configurado com muitas estrelas.
Só podíamos mesmo pensar. Gostamos muito de nós mesmos. E
nessa nossa admiração por tudo, a vaidade nos adornou
singelamente.
E pensamos de maneira sincera: "Somos filhos dessa maravilha
toda"; "E nesse pequeno pedacinho de chão, tão lindo que
estamos, sentimos como uma casa muito especial pra nós, que
representa toda a nossa sorte; pois nela vivemos, dela
gostamos, nela nos preservamos, e gozamos nossos sonhos".
Muito bem, de certa feita, consideremos o quanto queríamos
pular, correr, usufruir, trocar o que produzíamos.
Daí, em algum instante, um desvirtuamento de nossa psiquê
inventou a mais sórdida imaginação: de que devíamos sem mais
nem por que, entregar a uns "favorecidos" o imposto de: para
termos de olhar com gosto para o Infinito, termos que nos
carimbarmos como dependentes de uns "intermediários", para
expressarmos nosso sentimento; e teríamos que nos selarmos,
fincando nossos pés e vidas, em arremedos ínfimos que imitam
a grandiosidade da nossa Terra; e aceitarmos que outros como
nós deviam se regalar às nossas custas, só para terem que
nos dar "acesso"para extasiarmo-nos com o Infinito, como se
não pudéssemos vislumbrar o Horizonte esfuziante de nossos
sonhos, em nosso viver.
Isto é muito sério, e muito triste. Porque teremos que nos
livrar disso.
Para sobrevivermos como civilização precisaremos nos cuidar
do prejuízo que nos trouxe isto. Porque hoje nossa mais
infeliz invencionice está disposta a tudo para não deixar de
cuspir quando quer na nossa cara, e pisar-nos como quer
embaixo de seus pés, como se fôssemos trastes sujos, que só
servimos para lhes dar fartos e sobejados tantos de nosso
esforçado viver.
Haddammann Veron Sinn-Klyss
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