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As quedas.
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Quando cai um avião com mais de 10 vítimas fatais, ocorre uma
comoção mundial pelo fato. Alguns explicam que isto acontece
pelo fato da imprensa manter o assunto nas manchetes durante
vários dias. Quando as possibilidades das causas esgotam, enchem
as páginas até com o tipo de cardápio que era servido dentro do
aparelho. Outros afirmam que existe uma atração natural das
pessoas por ser um acontecimento raro em comparação com choques
de veículos que se tornaram banais pela quantidade elevada de
ocorrências destas fatalidades. Os que ainda não tiveram a
oportunidade de viajar pelos ares, declaram que o fato chama
atenção por ocorrer num cenário onde pobre só transita se tiver
sido premiado em algum concurso esporádico. Estas tragédias
ocorrem poucas vezes devido à criteriosa sistemática de
manutenção dos equipamentos envolvidos.
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Alguns menos comovidos esclarecem que até a queda de um avião
pode ser considerada normal, ainda que sejam duas ou três por
ano. Fazem comparação com qualquer evento anual (como dia dos
finados) que acontece uma vez por ano e é conduzido sem alarde.
Uma comparação pálida pelo fato de nestes festejos não
acontecerem falecimentos em alta escala.
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O fato é que eventos bem mais contundentes, com mais prejuízos
materiais e colocando milhares de pessoas ao desalento são
produzidos regularmente. E na maior parte das vezes, pela falta
de critério das autoridades públicas na construção e manutenção
dos artefatos de uso cotidiano por milhares de eleitores.
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A tragédia do rompimento da represa no Piauí ocorrida alguns
dias antes da queda do avião da Air France talvez já não
freqüente nem a terceira página dos jornais. O desleixo (como a
tv Band exibiu) que envolve a obra tende (como outras do
passado) a não destacar os culpados. Quanto mais penalizá-los!
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E assim, milhares de desabrigados que só enxergam aviões quando
os mesmos passam sobre suas cabeças, ficarão a ver navios (ou
aviões?) dependendo de ajuda humanitária para a reconstrução de
suas vidas destroçadas pelas águas que a Natureza despejou na
região e a engenharia mal aplicada não soube conter.
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Certamente receberão algum auxílio quando faltarem uns dois
meses para as eleições de 2010.
Haroldo P. Barboza - Vila Isabel / RJ - Aulas de Matemática.
Autor do livro: Brinque e cresça feliz
Publicação:
www.paralerepensar.com.br -
03/06/2009
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