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Boas perguntas.
Há uns 4 anos a tv Bobo implantou o evento semestral BBB (Big Bobo Brasil) com o objetivo de arrecadar milhões de Reais (sem precisar pagar caros artistas) através de telefonemas e assinaturas de tv a cabo de expectadores anestesiados pelas atraentes figuras desnudas que são exibidas em cenas íntimas no decorrer dos programas. Apenas isto, pois exemplos úteis a serem copiados pela sociedade são raros (talvez censurados) na série.
Seguindo uma linha similar, a cada dois anos entre agosto e outubro, os gestores do processo eleitoral em parceria com as tvs, estão aprimorando uma versão similar de programa para entreter a população anestesiada e iludida. É o EEE (Engana Eleitor Exaurido), carinhosamente chamado de “debate político”.
Os inocentes que não possuem meios de obterem informações detalhadas (são suprimidas pela imprensa dominada) sobre os candidatos que poluem o cenário nacional há mais de 30 anos, ficam extasiados pelos belos cenários montados, mas adormecem pelo horário avançado e pelas MESMAS promessas efetuadas pelos bem trajados debatedores.
Os totalmente desinformados que não tiveram oportunidade de aprimorar o estudo e a cultura em suas vidas (grande parte por culpas destes mesmos candidatos) apenas sentem falta de dançarinas no palco agitando suas plumas e cinturas ao som de um funk agitado.
A credibilidade fica arranhada num programa onde as regras obedecem às prévias combinações, tais como: a) perguntas de jornalistas são negociadas antes do programa; b) perguntas entre candidatos são leves para não exigirem respostas agressivas que podem acabar revelando ligações entre escândalos dos candidatos presentes; c) perguntas de ouvintes (0,02% da população participa via Internet) são separadas em dois grupos: estas podem / estas não podem vir a público; d) metade do tempo (2 ou 3 minutos) concedido para cada resposta é consumido com referências a fatos antigos fúteis onde a culpa do problema abordado acaba sendo atribuída ao aumento do preço do barril de petróleo na OPEP (jamais esclarecem que tudo começa no desvio criminoso de nossos impostos); e) a platéia de quase 150 pessoas é composta de educados familiares e doutrinados assessores, que jamais externarão uma condição de desagrado às respostas fornecidas.
Certamente 97% dos expectadores do país, pagantes dos altos impostos e sem estruturas adequadas para nos atender nas áreas sociais cotidianas, gostariam de fazer pelo menos as seguintes perguntas (para TODOS eles)!
1 – Por que na sua gestão há 12 anos (observe que nossa memória está ótima) quando seu parente era chefe da secretaria XX (qualquer uma), o desvio de R$ ZZ Milhões na área não foi recuperado e ninguém foi preso? 2 – Por que aquela licitação na área XX foi vencida por uma empreiteira onde seu parente era o diretor e o preço foi o triplo do praticado no mercado? 3 – Como seu patrimônio cresceu 50 vezes durante o tempo em que o senhor foi o mandatário da esfera pública para a qual foi eleito? 4 – Por que no último escândalo em que esteve envolvido não permitiu abrir seu sigilo financeiro para comprovar sua inocência? 5 – Por que nos últimos 30 anos sendo eleito governante diversas vezes o senhor não realizou 10% do que está prometendo AGORA que fará na próxima gestão? 6 – Por que seu partido não luta pela mudança da lei eleitoral para que possamos escolher (como nos vestibulares) a opção N.R.A. (nenhum refugo acima)?
Por enquanto só escapam os “novos” candidatos, sem experiência administrativa pública e talvez com alguns bons serviços prestados em instituições tipo ONG. Mas é bom ficarmos atentos a eles também. Podem estar bem treinados pelos caciques de seus partidos numa improvável vitória ou apenas de olho numa barganha de cargos para apoio num provável segundo turno. |