Carteira da paz
Um “alumiado” figurão do poder que se locupleta
no planalto com nossos impostos elevados, acordou com uma
“brilhante” idéia! Criar uma carteira para ser adquirida pelos
freqüentadores dos estádios de futebol e a ser passada numa
catraca. Deve ser o projeto “piloto”. Depois deve ser expandido
para ginásios de basquete, vôlei, skate, circuito de corridas de
carros e talvez igrejas (onde corre a sacolinha para quem não
quiser ser excomungado).
Segundo o autor da idéia, de posse desta
carteira o torcedor terá garantia para adquirir ingresso (será
que o cambista vai exigir este documento?) e a violência entre
as torcidas será reduzida, pois a polícia facilmente
identificará os brigões.
Quatro perguntas para começar a polêmica:
1 – como deve proceder um turista paraguaio para
comparecer ao estádio?
2 – como a tal carteira evitará que valentões em
grupos se esfaqueiem a duas quadras do estádio?
3 – Num país onde a impunidade está disseminada,
a tal carteira vai garantir a prisão dos condenados considerando
que muitos são da linha “filhos das elites queimadores de índios
Pataxós”?
4 – Se a carteira tiver um mecanismo para impedir
a entrada do incauto isto vai evitar que ele use a carteira de
um primo ou dê 20 pilas ao roleteiro para entrar pela porta dos
fornecedores e jornalistas?
Tal medida está cheirando a alguma armação
para plastificar um pedaço de papelão com foto e implantação de
catracas para dar dinheiro a alguma empresa fabricante de crachá
de propriedade de algum gajo ligado à FIFA e que deverá vencer a
licitação “honesta”. Sem esquecer de ratear a diferença do
superfaturamento, é claro.
Caso um ser normal crie um “banzé” num
restaurante pelo bife duro e pise no pé do garçon, é processado
por danos físicos. Um arruaceiro de estádio que depreda as
instalações locais e coloca um torcedor em coma ou na cova,
filmado, identificado e capturado é levado à mesa do Delegado.
Se tiver cabelos louros e olhos azuis, é liberado com a seguinte
mensagem aos pais que vão buscá-lo: “- não faça mais isso que é
muito feio!”. Se for mulato, tiver emprego e título de eleitor,
é levado à presença do Juiz que o condena a pagar 5 cestas
básicas e o libera para novos confrontos. Se for escuro,
maltrapilho, desempregado e bêbado, dorme uma noite no corredor
da delegacia e no dia seguinte é chutado para as ruas.
Conclusão: temos muitos cadastros e controles mas
não executamos o básico: CADEIA neles!
Para evitar desperdício de recursos (tempo,
dinheiro e futura CPIzza), sugiro que cada torcedor, ao
atravessar a roleta do estádio, passe seu título de eleitor numa
leitora ótica que simultaneamente fotografa seu rosto.
Desta forma, este atual inútil documento
passará a ter alguma serventia. Se fosse bem usado (e com
transparência do sistema) formaríamos uma legião decente de
políticos.
E poderíamos freqüentar os estádios com a
família em paz. Sem carteira.
Haroldo P. Barboza - Vila Isabel / RJ - Aulas de Matemática.
Autor do livro: Brinque e cresça feliz