Criança moderna
Você
nasce criança como todas
Mas já
está sendo forçada
A
tornar-se mais cedo adulta.
Adulterada.
A que
nasce no campo florido
Ao
lado da pródiga Natureza
Tem de
empunhar o machado.
Manchado.
A que
nasce na clínica iluminada
Já
recebe belos presentes coloridos
Mesmo
um mero micro de palma.
Sem
alma.
A que
nasce sob o viaduto escuro
Sobrevive pela teimosia divina
Dorme
suja e com fome na rua.
Nua.
Como
permitir que entre elas ocorra
A
sonhada e desejada igualdade?
Quando
deixarmos elas serem crianças.
Com
esperanças.
Haroldo P. Barboza
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
10/10/2007