O espelho da sociedade.
Que a sociedade tem
o direito e o dever de reclamar dos desmandos dos governantes
eleitos, não há dúvida nenhuma. Mais do que isto: não deve esperar
a consumação das ações danosas para reclamar posteriormente. Tão
logo a eleição acaba, ela se desliga do processo, quando deveria
anotar o endereço e telefone dos seus candidatos e contatá-los
regularmente com o seguinte recado: "Estamos
de olho em você!".
Mas a lavagem
cerebral que a tv realiza em nossas mentes, só faz com que a
maioria das pessoas se preocupe com futebol, samba, tempo para
praia, novelas e “paredão” de Big Besteira Brasil. Mesmo alertadas
por jornalistas conscientes sobre mutretas em elaboração, as
pessoas indignadas e comovidas não se organizam para fortificar
sua revolta com os desvios dos seus impostos para fins escusos. A
Rua Alzira (Tijuca) junta 30.000 pessoas na época da copa mundial
de futebol, mas não reúne 1000 para tratar de assuntos de
interesse do bairro. A sociedade na verdade, tem preguiça (ou
vergonha) de cobrar um comportamento reto de seus mandatários em
função dela mesmo não dar o
exemplo. Vejamos.
1) Como cobram do órgão
público a limpeza regular da cidade se milhares de pessoas jogam
latas no asfalto, garrafas de plástico nas calçadas e permitem
seus cães defecarem nas praias?
2) Como cobram
segurança da polícia, se as pessoas que solicitam tais ações
avançam os sinais, estacionam em fila dupla e permitem que seus
filhos comprem drogas e agridam domésticas?
3) Como cobram um
mínimo de educação na escola por parte de professores humilhados
pelo baixo salário se não conversam com os filhos para ensiná-los
a desenvolver cidadania, respeito pelo vizinho e amor pela pátria?
4) Como cobram
condições de saúde nos hospitais se não preservam as suas dentro
de casa? Por que fumam em excesso, deixam água acumulada para
criar mosquitos e não zelam pela limpeza de seus animais?
5) Como cobram água
para os nordestinos sedentos enquanto lavam seus carros e calçadas
com mangueiras que jorram centenas de litros pelos ralos da rua?
Como cobramos o
crescimento honesto da nação se votamos sempre nos mesmos
corruptos que a
empobrecem?
Haroldo P. Barboza - Vila Isabel / RJ - Aulas de Matemática.
Autor do livro: Brinque e cresça feliz