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Justiça corporativa.
A Justiça é mantida emperrada por interesse de seus legisladores, para que crimes cometidos pela elite possam ser enquadrados em meros deslizes praticados sob "estado emocional alterado". Se a queima de índio Patachó, o desabamento do Palace na Barra e outras dezenas de eventos estão impunes, você acredita que um magistrado será punido por um atropelamento? E um domo de jornal que atira pelas costas em sua namorada? E um Juiz que é filmado atirando num vigia de mercado? Mais fácil processar as vítimas por "obstrução” da Justiça. A criança favelada que toma conhecimento destes fatos logo imagina que empunhar uma arma de fogo é coisa boba perto disto. Que campanha terá apoio para combater violência urbana se os crimes mais hediondos começam nas escrivaninhas do poder?
Depois que os governos (em todas as esferas) deixaram de cumprir suas obrigações sociais e morais com seus contribuintes nos últimos 100 anos, perderam credibilidade e respeito dos eleitores e do restante da população. Com isto, surgem espaços para que gangues tomem várias áreas de nosso território à força e estabeleçam as "leis" que passam a vigorar. Os governantes desmoralizados não possuem forças nem moral para combatê-las, pois tornam-se coniventes (ou sócios). Acabam sendo envolvidos e nós, passamos a acreditar que nossa sobrevivência só depende do nosso horóscopo.
Existe apenas um motivo para que não se discuta a alteração dos textos das obsoletas leis que possuímos: os editores das mesmas (e seus patrocinadores de campanhas) são os maiores delinqüentes de nossa sociedade e não irão escrever normas claras que os impeçam de escapulirem pelas duplas (e triplas) interpretações que fazem questão de manter. Também não há interesse em informatizar o sistema judiciário, pois a agilidade e a existência de backup dos processos, deita por terra o velho artifício de se queimar um prédio para sumir com provas que possam comprometer um suspeito de rombo nos cofres públicos.
A sociedade tem o direito e o dever de reclamar dos desmandos dos governantes eleitos, pois ela paga seus polpudos salários. No entanto, tão logo a eleição acaba, ela se desliga do processo. Esquece o nome do candidato votado, quando deveria ser o contrário. Acabado o pleito, deveria acompanhá-lo regularmente com o seguinte (e singelo) recado: "- Estamos de olho em você!".
Mas a lavagem cerebral que a tv realizou nas mentes dos nossos habitantes, só faz com que a maioria das pessoas se preocupe com futebol, samba, tempo para praia, novelas e concursos de rebolado. Mesmo quando alertadas por alguns jornalistas conscientes e independentes sobre mutretas em elaboração, as pessoas (mesmo indignadas e comovidas) não se organizam para fortificar sua revolta e seus protestos com os desvios dos seus impostos suados para fins escusos.
O caos moral envolveu a sociedade com seu escuro manto de lama. A ética só funciona entre agentes do jogo do bicho. As seitas comerciais se multiplicam mensalmente. Compram rádios e redes de tv e diversificam suas filosofias. A religião Católica se acomodou, se desmantela e não acompanhou nossos tempos. Por isto as músicas de exaltação ao crime ganham espaço.
Padre Marcelo e seus adeptos lúcidos deveriam ter surgido antes de 1900 e pouquinho.
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