A casa dos grandes pensadores
 
 
HAROLDO P. BARBOZA
 

MUTRETAS SECULARES

 

Com a aproximação das eleições, são justas as dúvidas da população em relação à honestidade do evento, pois já está cansada das mutretas seculares que a elite utiliza para manter seus fantoches no poder. O caso Proconsult no Rio, manipulação do painel do Senado e as discrepâncias nas urnas-E em Alagoas, até hoje não explicadas pelo TSE ilustram este fato.
   Mas a preocupação não deve estar restrita apenas ao pleito. Existe algo muito mais importante do que checar se os vencedores foram eleitos de forma honesta. Vai ser difícil que nos permitam conferir a lisura do processo.  É preciso criar um mecanismo de acompanhamento das ações dos eleitos ao longo de seus mandatos, que há muito tempo deixaram de lado o patriotismo e a cidadania em troca de alguns dólares pelos quais vendem nossa dignidade e nosso patrimônio construído com suor e sangue. Seria positiva a criação de um órgão tipo PROPOL (Procon dos Políticos) para fiscalizar as condutas dos eleitos. Isto também é difícil, em função do poder que a tv exerce através de seus programas de chanchadas rebolativas, shows do tipo Big Bobo Brasil (onde quem pronuncia frase com mais de 5 palavras atinge a posição de gênio) e de suas novelas pobres de valores morais e enriquecidas com mensagens subliminares voltadas para nos manter anestesiados, esquecidos de nossos direitos. Esta mudança de atitude jamais nascerá de uma campanha pública, pois não interessa aos poderosos que a população descubra que foi iludida por dezenas de anos para manter as mordomias dos ratos engalanados que trafegam nos palácios do poder. Tal ação terá de nascer dentro de cada lar que ainda não foi debilitado pelo acúmulo de sofrimentos provocados pelos satânicos gananciosos. Se alguns lúcidos que conseguem formar opiniões elevarem suas vozes, receberão o apoio daqueles milhões que já perderam a esperança por uma vida melhor e se sujeitam a servir de capacho e se orgulham de suas vestes de palhaços. Vamos dar um voto de confiança à população na próxima eleição. Quem sabe se desta vez ela descobre o quanto estamos perto da Argentina e percebe que quando vivemos no charco, nos tratamos todos por "hermanos".
   Certamente votar NULO não é a solução para fazer um país estável crescer. Mas é o tipo de PROTESTO que o país doente tem no momento para dizer que não deseja estes ratos no poder. A possibilidade real de recusar de uma vez só, TODOS os pilantras que se locupletam com nossos impostos.
 
Haroldo P. Barboza
 
Autor do livro: Brinque e cresça feliz.
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br - 28/01/2008