Navios que voam.
A
presença de milhares de pessoas nos enterros de João Henrique
(RJ-2007) e Eloá (SP-2008) revela a total indignação do povo já
saturado pela extrema violência urbana com requintes de maldade.
No entanto, esta indignação é passageira. Dentro de uma semana
cai no esquecimento, e infelizmente perdemos a oportunidade de
acender o estopim para criar uma pressão constante sobre as
autoridades no sentido de efetuar uma reforma adequada neste
setor vital de nossa sociedade que no momento encontra-se
anestesiada pela mídia domesticada.
Quem consegue produzir plenamente sob constante risco de vida e
envolvido pela angústia de não ter certeza de rever algum
familiar à noite?
A
Rua Alzira (RJ) reúne entre 30.000 e 50.000 pedestres nas festas
carnavalescas e das copas do mundo de futebol. Escrevi para o
site deles em 2006 sugerindo que convocassem 2.000 pessoas por
trimestre (convidando uma autoridade) para equacionar problemas
sociais do perímetro (Tijuca). Se criassem este hábito,
contaminariam outros bairros no mesmo objetivo.
Recebi a resposta que estudariam a idéia. Uma resposta lacônica,
similar àquelas que nossos representantes públicos nos devolvem
quando não possuem argumentos sólidos para debater com seus
eleitores.
Como nada aconteceu até hoje, imagino que já estejam envolvidos
com o próximo Carnaval. E quem sabe com a copa de
2014. A de 2010 já deve estar
planificada há vários meses. Com ou sem brigas entre torcidas
adversárias, que agora passou a ser evento agendado pela
internet com exibições até no youtube!
Violência globalizada e informatizada!
Enquanto isto, os “patetas lamentares” (nós) assitem a sucessão
de escândalos de desvio de verbas públicas que a cada 3 meses
mudam de rótulo mas mantém os mesmos personagens. As maracutaias
mais recentes foram: mensalão, cartões corporativos (usados até
para comprar bolinhos em barracas de baianas), verbas
indenizatórias e uso de passagens aéreas para deleite dos
familiares dos agraciados, que acumulam milhagens (ou
pilhagens?) junto às companhias aéreas.
Enquanto isto, o povo fica a ver navios (que voam).