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O programa das eleições.
Na preparação do primeiro turno das eleições fica menos fácil conferir o programa fonte de gerenciamento das eleições, pelas dificuldades impostas pelo TSE e pela complexidade dos programas, tendo em vista a existência de vários cadastros a conferir e dezenas de instruções a serem verificadas. Mas num segundo turno (se houver), quando em grande parte dos Estados só haverá disputa entre 2 concorrentes, deverá ser mais fácil examinar o novo programa misterioso (para o segundo turno é outro programa), pois tendo apenas dois candidatos para monitorar, a quantidade de instruções (comandos) não deve passar de 50 na parte lógica do mesmo e 30 na parte básica. Para quem não entende bulhufas de comandos de programação (que podem ser definidos em diversas linguagens) é como tentar ler mensagens dos egípcios gravadas em pedras há mais de 2 mil anos. Mas a parte lógica do processo é perceptível para qualquer ser humano que tenha iniciativa para trocar um pneu sob a chuva. Um programa de computador exige alguns comandos iniciais básicos e semelhantes em quase todos eles, quaisquer que sejam as linguagens usadas. Mas a parte lógica (que cada autor elabora de acordo com seu raciocínio), depois de pronta é claramente perceptível até por quem só tem dois dias de curso da linguagem. Qualquer um de nós pode elaborar a lógica desejada para uma rotina e o programador posteriormente a traduzirá (através dos comandos) para uma linguagem que a máquina entenda. Para o programa eleitoral para cargo majoritário, imaginei esta lógica rasteira. Depois de lê-la, você vai continuar entendendo menos de 1% de informática, mas estará testando a velocidade de seu raciocínio lógico.
INICIO DO PROGRAMA 01 - Receber senha do presidente da mesa. 02 – Conferir se está na hora de liberar urna. 03 – Zerar acumuladores (contadores de votos de cada candidato, de nulos e brancos). CICLO DE VOTAÇÃO 04 – Receber número do título eleitoral (ou senha fornecida por mesário). 05 – Conferir contra cadastro de eleitores (ou de senha) da seção. 06 – Apresentar painel (tela) limpo (com 3 linhas de mensagens orientadoras sobre uso dos botões abaixo da mesma). 07 – Capturar número digitado pelo eleitor. 08 – Conferir contra cadastro (contendo apenas 2 candidatos). 09 – Apresentar painel com foto e nome do candidato. 10 – Exibir comprovante impresso (livre de manipulação) !!! ç=== este é o ovo de Colombo! 11 – Pedir confirmação. 12 – Exibir a palavra FIM. CICLO DE CONTAGEM 13 – Se número = XX acumular +1 para candidato do partido XXX. 14 – Se número = YY acumular +1 para candidato do partido YYY. 15 – Se número = diferente acumular +1 para NULO (não vale desviar para o amigo). 16 – Se número = <branco> acumular +1 para branco. 17 – Voltar para o CICLO DE VOTAÇÃO. CICLO de TOTALIZAÇÃO EXTRA (trecho ilegal e se bem camuflado, imperceptível à primeira vista). A – Se acumulador de nulos for superior ao limite (parâmetro externo fornecido na abertura da urna), Desviar 50% para candidato XX e 40% para o outro. B - Se acumulador de brancos for superior ao limite (parâmetro externo fornecido na abertura da urna), Desviar 60% para candidato XX e 30% para o outro.
Após estes comandos, mais uns 6 para finalizar a urna, imprimir o BU (Boletim de Urna) e gravar dois cds (um deles é a cópia de segurança) contendo os totais acumulados.
Concordo que minha exposição foi muito didática e até simples para incentivar a qualquer desanimado que se recusa a mergulhar no mundo da informática. Mas que está perto disto, não tenho dúvida alguma. Resta saber se os partidos terão fiscais habilitados, entusiasmados, resistentes às pressões e interessados em efetuar a checagem do programa em seu estado legível (fonte). Posteriormente, acompanhar a tradução do programa fonte para linguagem de máquina onde a assinatura criptografada do TSE deverá ser acompanhada das assinaturas eletrônicas destes fiscais, que deverão também acompanhar a carga inicial de cada urna a partir desta origem lacrada. Não dá para fazer isto em meses? Qualquer guri de 12 anos faz isto em dois dias. E alteração de programas é apenas uma das diversas maneiras de se burlar o sistema. As outras, podem ser compreendidas no fabuloso livro “Fraudes e defesas do voto eletrônico” de Amílcar Brunazo. O grande perigo está no despreparo de 80% dos fiscais, que estão mais interessados em ostentar um crachá sobre seu paletó, sem saber nem mesmo onde fica a tecla <enter> que dispara o início de toda a montagem do circo. Autor do livro: Brinque e cresça feliz
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