Parada
da independência (ou: Independência parada)
Apesar
de por cinco séculos
Sermos
um povo dominado
Um dia
iremos descobrir
Que
não somos apenas gado.
De que
adianta enaltecer
Que
nosso chão possui riquezas
Se na
maioria das casas
Não há
comida sobre as mesas?
De que
adianta dizer ao filho
Que
nosso regime é de liberdade
Se por
onde podemos caminhar
Prolifera a falta de igualdade?
Berço
esplêndido apenas existe
Na
canção do hino nacional
A
grande parcela da população
Dorme
sobre folhas de jornal.
No
início de cada setembro
Ecoam
desfiles da independência
Mas o
sistema de comando
Aprisiona até a consciência.
Pensemos no escuro futuro
Que
deixaremos às crianças
Um
saco cheio de problemas
E
vazios de ricas esperanças.
Vamos
ensinar aos herdeiros
A
idolatrar o hino e a bandeira
Para
que em um tempo breve
Tenham
amor à nação brasileira.
Independência só em papel
É mero
exercício de utopia
Liberdade de crescer feliz
Representa a real soberania.
No dia
das paradas cívicas
Levemos o povo às janelas
Soldados baterão continência
Nós
bateremos nas panelas!
Haroldo P. Barboza
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
04/09/2007