A casa dos grandes pensadores
 
 
HAROLDO P. BARBOZA

 

 

Haroldo P. Barbosa

 
 
Viva a Independência
 
   No decorrer da 1ª semana de setembro, nos passa pela mente alguns fatos cujo conjunto configura nossa cidadania. Entre eles, podemos destacar :
 
a)     Escolas – os que podem requentá-las, com raras exceções, já não cantam o Hino Nacional (quanto mais o da Independência) nem hasteiam nossa gloriosa bandeira nas festividades esporádicas. Outros milhares que desejam estudar, não podem, pois são obrigados a trabalhar nos engenhos dos amigos da elite que controla o poder da nação.  Uma enorme parcela é matriculada longe da residência e não possuem meios de transporte adequado. Cada escravo é livre para escolher o sonho diplomado de seu futuro obscuro e incerto.
b)     Hospitais – Existem centenas de prédios sucateados, com teto pingando, sem leitos e sem macas, ambulâncias com 30 anos de vida, equipamentos guardados nas caixas compradas há mais de 10 anos, toneladas de remédios falsos e vencidos em suas prateleiras, manipulações sem luvas, médicos e enfermeiros desmotivados com a falta de recursos (a extinta CPMF recuperou a “saúde” de quem ?). Planos de saúde mudam regras de contrato sob o olhar benevolente das autoridades. Cada necessitado é livre para escolher se vai para as filas de atendimento às 2 ou às 3 horas da madrugada e se permanece de pé ou sentado nas calçadas desconfortáveis.
c)      Segurança – O nível de violência está acima do suportável. As delegacias estão quase desabando (e trancadas após 22 horas) e os presídios em nada recuperam seus internos (formam novos adeptos). Os policiais não recebem salários justos nem suporte para um combate adequado à criminalidade. São empurrados para a corrupção, que chega até ao 1º escalão. O comércio de armas e de drogas não é combatido de forma eficaz pois muitas autoridades estão lucrando com esta prática. A população é livre para escolher a esquina onde será violentada.
d)     Empregos – A política de entrega de nosso patrimônio por valores 10 vezes abaixo da realidade não reverte em benefícios para os nativos. Cada vez mais chegam novos estrangeiros para ocuparem os cargos que deveriam estar abertos aos nossos trabalhadores (a Petrobras reservou o 12o. andar do EDISE desde 1999 para dezenas deles vasculharem os arquivos da empresa). A cada ano, milhares de novos formandos são despejados dentro do caldeirão do desemprego. Pelo menos, cada  diplomado é livre para escolher o ramo de barraca de camelô  (com diploma pendurado) que possa lhe dar um sustento mínimo para comer.
e)     Alimentação – Nosso território tem potencial para alimentar o planeta por mais 500 anos. No entanto, não temos condições de obter comida adequada ao sustento de um jovem em formação. Estes, crescem carentes de vitaminas, com a mente atrofiada, carregando doenças para o resto de suas vidas (muitos não chegam aos 30 anos). A água no Nordeste só chega aos açudes dos poderosos fazendeiros. Cada esfomeado é livre para catar restos nas latas de restaurantes ou nos depósitos de lixo da cidade. Os mais afortunados serão meros escravos do sistema.
f)        Soberania – nossas forças militares foram paulatinamente desacreditadas por campanhas premeditadas para apagar o valor que elas possuem diante do povo que nelas confiavam. A inércia se alastrou em todas suas unidades, como em outras entidades outrora conscientes de seu papel na formação de idéias de crescimento com qualidade. Nosso povo é livre, pois nossos dirigentes não criam obstáculos que impeçam os abutres internacionais carregarem nossas riquezas a preço de palitos de fósforo.
 
   Em contradição a este quadro, observamos uma arrecadação monstruosa de impostos ao longo do ano, que são desviados por Lalau, Georgina, Caciola, Esteves, João Alves e outros do mesmo quilate que regularmente se elegem. Mesmo com os amigos da alta elite sonegando a parcela que lhes cabe (o que quintuplicaria o montante arrecadado). Os jornais amordaçados noticiam lucros acima de 250% dos bancos no último período.
 
    Então vamos comemorar a independência ... financeira dos banqueiros. Para eles e seus pares que legislam em pela causa corporativa, farta mesa com champagne, caviar e compotas da estação. Para os pagantes anestesiados que se divertem com as atrocidades a que são submetidos, mais 500 anos de submissão.
 
Haroldo P. Barboza - Vila Isabel / RJ - Aulas de Matemática.
Autor do livro: Brinque e cresça feliz
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br - 08/09/2008