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Professor
Alguém
um dia se propôs a trabalhar na construção de vidas, estudou
psicologia, filosofia e as melhores técnicas de comunicação. Passou
dias, horas e minutos, observando o comportamento de todas as faixas
etárias do ser humano.
Alguém sentiu-se vocacionado e, atendendo aos apelos do coração,
inscreveu-se na batalha de frente da luta milenar contra os
analfabetismos. Armado de pouquíssimos recursos materiais, postou-se de
peito aberto, levando flechadas federais, estaduais, municipais.
Alguém se especializou nas oficinas mecânicas do ser humano e
candidatou-se a reformar conceitos e valores da educação mal orientada.
Alguém se inscreveu no concurso da vida, não se importando de sacrificar
o próprio corpo na concorrência desleal de convênios, convenções,
tratados e dissídios.
Alguém fez-se alheio às dificuldades, tendo plena certeza delas, e saiu
disposto a questionar leis, portarias, resoluções e regimentos. Nos
desmaios da sobrevivência, impôs-se.
Alguém foi nomeado, designado, empossado para o exercício do magistério,
não se perdeu no labirinto do caminho nem se assustou com o fantasma da
exigência impossível. Saiu a procurar o aluno perdido nas balas perdidas
da guerra civil.
Alguém convive com a distância, com a fome, com a injustiça, com a
carência e a canseira, contudo, ensina gerações a acreditar no futuro, a
ter fé e não se deter.
Para um ser assim tão especial, só um nome poderia identificá-lo:
PROFESSOR.
Ivone Boechat
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 27/02/2007


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