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Socorro!
Um rei ganancioso ordenou que toda a agricultura do
seu reino fosse desativada para que a mão-de-obra se concentrasse na
exploração de ouro e de pedras preciosas. Ninguém mais poderia plantar
nada. Os súditos deveriam se preocupar somente com o ouro, porém, a
rainha, mulher sensível e muito sensata, ficou apavorada com essa
decisão e começou a pensar noite e dia numa solução para tão grande
problema.
Um dia, a rainha teve
uma idéia. Mandou que os servos preparassem um banquete com pudins,
manjares e delícias prediletas do rei, em ouro e pedras preciosas. Sem
que o marido soubesse, distribuiu os convites aos seus melhores amigos,
às pessoas mais ilustres.
Era o dia tão esperado
e os convidados começavam a chegar. A mesa estava lindíssima, ninguém
jamais vira nada igual, só que a rainha deu ordens para que se atrasasse
o máximo o serviço: o jantar deveria sair bem tarde.
A hora ia passando e as
pessoas estavam inquietas. O rei reclamava do atraso e confessava sua
fome à esposa. E nada de jantar. Finalmente, foi dada a ordem para que
se ocupassem os lugares à mesa. Só que na hora de arrumarem os pratos, a
rainha pediu a palavra e lamentou:
- Senhores, neste reino
a ordem é para que ninguém plante mais nada, nosso jantar desta noite
será o cardápio do futuro. É lindo, reluzente, mas ninguém pode tocar,
mas é bom que se acostumem, desde agora, a comer ouro e pedras
preciosas.
O rei levantou-se
indignado, morto de fome e naquela noite mesmo, revogou o decreto que
proibira a agricultura.
Que lição aprendemos? O
Brasil com milhões de metros quadrados de terra fértil não tem política
de prioridade para a agricultura e hoje quem se desfruta de um pequeno
quintal, ao invés de plantar, pelo menos, uma pequena horta, resolveu
espalhar cimento, por comodidade.
Onde estão as hortas
escolares que tanto poderiam ajudar na suplementação da merenda escolar?
Alguém se lembra de educar para a adoção de uma dieta correta? Estamos
nos alimentando de maneira totalmente errada. As receitas dos programas
de tv são para a minoria copiar e até parece que se come caviar por
aqui. Quase ninguém ensina sobre o valor do inhame, da abóbora, da
couve, da batata-doce. Pelo contrário, discriminam-se os alimentos que
poderiam ser cultivados num pequenino quintal...
Atenção, professor,
ajude a valorizar aquilo que ainda se pode ter na mesa dos brasileiros.
Ivone Boechat
Ivone Boechat
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 17/10/2007
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