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Mar
Morto
Mar Morto pertence a primeira fase do autor:
depoimentos líricos, com predominância do elemento
sentimental, sobre rixas, e amores de marinheiros.
A história se passa no Cais da Bahia, onde viviam os
marinheiros, e um dos mais antigos era Seu Francisco que
criava o sobrinho Guma, ensinando-lhe as leis do mar.
Guma, com o tempo, tomou conta do saveiro chamado
Valente. A fama de Guma no cais ocorreu em uma noite de
tempestade, onde Guma, com o seu Valente, salvou um
navio (Canavieiras) que iria naufragar. Depois disso,
Guma conheceu Lívia, uma das moças mais bonitas do
cais, casou-se com ela e foram morar com Seu Francisco,
onde ao lado deles foram morar Rufino (um grande amigo
de Guma) e Esmeralda.
Viviam muito bem, até que Guma envolveu-se com
Esmeralda que o perseguia, Rufino descobriu, matou
Esmeralda e depois matou-se de desgosto. Logo depois, Lívia
descobriu que estava grávida. Guma, com remorso de ter
traído Rufino e Lívia, pegou o Valente e foi para o
mar e bateu nas pedras. Não morreu, mas o Valente ficou
totalmente destruído. Lívia teve o filho que se
chamava Frederico e Guma estava feliz com o filho, mas
ao mesmo tempo arruinado por ter perdido seu saveiro.
Sem escolha, começou a contrabandear seda (já tinha
comprado outro saveiro) para os árabes. Numa dessas
viagens, o filho de um dos árabes tinha ido junto para
Porto de Santo Antônio, mas caiu no mar. Guma pulou no
mar e conseguiu salvá-lo, mas morreu com seu ato de
coragem. Lívia ficou com Frederico e o Seu Francisco, e
tomaram conta do saveiro (de nome Paquete Voador) apenas
com a lembrança de Guma que ficará na memória do
cais, principalmente porque após sua morte as águas do
mar se tornaram calmas e mortas, mas também por ele ter
sido um homem de coragem e bom coração.
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1ª
parte
A
primeira parte da obra denomina-se IEMANJÁ, Dona dos
Mares e dos Saveiros, e possui doze capítulos:
Primeiro capítulo
- Tempestade
Jorge
Amado destaca a chegada da noite com tempestade,
carregada de nuvens, lavando o cais, amassando a areia,
balançando os navios atracados e maltratando, sem
piedade, os negros da estiva. Todos abandonaram o cais.
O preto Rufino, diante do copo de cachaça, sabia que,
com a tempestade, Esmeralda não viria ao encontro dele.
Mestre Manuel resolveu não sair com seu saveiro,
preferiu ficar amando Maria Clara. Lívia ficou, aflita,
à beira do cais, sob a chuva e o vento, esperando Guma
que vinha no "Valente", desafiando a fúria
dos ventos. Um saveiro virou no mar e dois homens
(Raimundo e Jacques) caíram na água e morreram.
Segundo
capítulo - Cancioneiro
do Cais
Cessada
a tempestade, Lívia continua esperando Guma e ouve os
gemidos de Maria Clara dentro do saveiro com mestre
Manuel. Breve ela também estaria nos braços de Guma,
pois há oito dias não o via. Rufino conta a Lívia que
Raimundo e Jacques morreram afogados, tendo sido seus
corpos encontrados por Guma. Todos passam a compartilhar
do sofrimento de Judith, mulher de Jacques, uma mulata
que ficou com um filho na barriga. Maria Clara ainda
soluça de amor. Judith não terá amor esta noite nem
nunca mais, pois seu homem morreu no mar. Do forte
abandonado, vem a música cantada pelo velho soldado
Jeremias, voz possante de preto:
"A
noite é para o amor...
"Vem
amar nas águas, que a lua brilha...
"É
doce morrer no mar...
Terceiro
capítulo
- Terras do
sem fim
Agora,
o velho soldado Jeremias entoa uma canção que diz
"desgraça é a mulher que casa com um homem do
mar, seu destino será infeliz". O velho Francisco
conhece essa canção, pois foram quarenta anos num
saveiro, e era amigo de todos daquela região. Uma vez,
ao salvar uma tripulação, viu o vulto de Iemanjá. Já
teve três saveiros, mas agora vivia de remendar velas e
do que lhe dava Guma. Frederico, seu irmão e pai de
Guma, morreu na tempestade para salvá-lo. Sua mulher
Rita morreu do coração quando soube do acidente com o
marido.
A
mãe de Guma, que o entregou ao pai logo que ele nasceu,
chega de Recife para levar o menino. Frederico,
mulherengo que nem macaco, passando um mês em Aracaju e
prometendo-lhe mundos e fundos, deixou-a naquele estado.
Havia morrido, Guma era um filho sem pai e seria criado
por ela. O velho Francisco não entregaria o seu
sobrinho para uma mulher da vida. Quando foi apresentá-la
ao filho, Guma pensou que aquela fosse a mulher que seu
tio lhe prometera, que deitaria com ele numa cama, mesmo
tendo apenas onze anos. Guma assusta-se ao saber que
aquela mulher tão esperada por ele era sua mãe, pois
nunca lhe tinham falado dela. Ela o chama de filho e só
então Guma sente um pouco de ternura por aquela mulher.
Despediu-se e nunca mais voltou.
Não
iria jamais com ela. Seu destino era o mar.
Uma
noite, Velho Francisco deixou uma mulata para Guma no
saveiro. Depois, vieram outras. Somente quando Guma
tinha dezoito anos, o tio contou ao sobrinho as peripécias
do irmão, que vivia pelo mundo e uma vez voltou
trazendo a vida de um homem na ponta da faca. Guma já
era homem, pois manobrava muito bem um saveiro.
Quarto
capítulo
- Acalanto de
Rosa Palmeirão
Neste
capítulo, Jorge Amado dá ênfase à história dessa
mulata que possuía um ABC com as suas aventuras,
contadas por todos, principalmente pelo velho Francisco.
Sua fama corria o mundo, e todo marinheiro a conhecia:
navalha na saia, punhal no peito, deu em seis soldados,
comeu vinte prisões, bateu em muito homem. Andava pelo
Recôncavo, sul do Estado e Rio de Janeiro. Uma flor
(uma rosa palmeirão) que trazia sempre no vestido
herdou-lhe o nome. Não aparecia há anos.
Certa
vez, na terceira classe de um navio, chegou do Rio de
Janeiro e foi o centro das atenções, reviu a todos e
conheceu Guma (tinha-o visto ainda menino) a quem
confessou que queria ter um filho e com quem viveu uns
tempos. Dessa vez, contou que, vivendo com um tal de
Juca, um cabra frouxo que havia apanhando dela invadiu a
casa com mais seis homens querendo bater no Juca e abrir
a vela. Todos apanharam. Na delegacia, o delegado, que
era baiano, já conhecia sua a fama de Rosa Palmeirão.
Juca foi-se embora de medo.
Quinto
capítulo
- Lei
Uma
nova tempestade assustou os homens do cais, proibindo
viagens e dando prejuízos. Num dia igual a esse, morreu
João Pequeno, o mestre de saveiro que mais conhecia a
profissão naquele cais. O governo deu uma pensão à
mulher dele, cortada por economia. Aparecia nas noites
de tempestade.
Xavier,
mulato troncudo, chegou no seu saveiro Caboré. Quando
lhe perguntam o porquê daquele nome, ele explica, meio
alterado: "Foi por causa de uma mulher". Ela o
chamava de Caboré, mas ele não sabia por quê. Um dia,
sem nenhum motivo, foi embora.
Godofredo,
comandante da Companhia, odiado no cais por perseguir a
todos, ofereceu duzentos mil réis, mais cem mil réis
do seu bolso, para um prático que trouxesse o
"Canavieiras", que estava fora, sem poder
entrar e pedindo socorro. Seus dois filhos estavam
dentro. Guma aceitou o desafio, resgatou o saveiro e
salvou a tripulação. A partir desse episódio, ganhou
fama no cais da Bahia.
Sexto
capítulo
- Iemanjá
dos cinco nomes
Ninguém
no cais tinha um só nome, inclusive Iemanjá, que tinha
cinco nomes doces, conhecidos por todos:
IEMANJÁ,
seu verdadeiro nome, dona das águas, senhora dos
oceanos.
DONA
JANAÍNA, para os
canoeiros.
INAÊ,
para os pretos, seus filhos mais diletos.
PRINCESA
DE AIOCÁ, para
quem os pretos também faziam suas súplicas.
DONA
MARIA, para as
mulheres do cais, as mulheres da vida, as mulheres
casadas, as moças que esperam noivos.
O
pai de santo Anselmo era quem organizava as festa de
Iemanjá, presidia as macumbas e, com ordem dela, curava
as doenças. No Dique, nas Cabeceiras, em mar Grande, em
Gameleira, em Bom Despacho e na Amoreira, seu dia é 2 de
fevereiro. Já em Monte Serrat, onde a festa é a maior,
seu dia é 20 de outubro. Porém todos se uniam para
festejar Iemanjá.
Sétimo
capítulo
- Um navio
ancorou no cais
"Um
navio ancorou no cais e nele Rosa Palmeirão foi
embora." Alguém a chama de bicha doida, pois só
vivia correndo o mundo. Num grupo de conhecidos, Guma,
cabisbaixo, é zombado por Maneca e Severiano que, ao
ser socado por Guma, puxou de uma faca.
"Severiano
encostou-se na parede do mercado, faca na mão, e gritou
para Guma:
-
Manda Rosa brigar comigo que tu não é homem."
Apesar
de Guma pular, o pé de Severiano alcançou-o na boca do
estômago. Rodolfo interveio e salvou Guma da morte.
Rodolfo,
malvisto no cais, chamado por muitos de ladrão, conta a
Guma as aventuras do velho Concórdia, seu pai, que
tinha uma filha, agora sua irmã, que ele não conhecia.
Ela queria ver Guma para agradecer-lhe, pois alguns da
tripulação do "Canavieiras" (navio salvo por
Guma) eram seus parentes. Na saída, Guma pergunta:
"-
Como é o nome dela?
-
Lívia!" - respondeu Rodolfo.
Traíra
morreu, vítima de um tiro, numa confusão, em um prostíbulo,
em uma das cidadezinhas do Recôncavo (Cachoeira), após
ter sido socorrido por Guma, que o conheceu na ocasião.
No momento da morte, lembrou-se das filhas: Marta,
Margarida e Rachel.
Oitavo capítulo
- Marta,
Margarida e Rachel
Aqui,
o autor destaca dr. Rodrigo, que era de família de
marinheiros. Seus pais e avós cruzaram os mares como
meio de vida. Era magro e fraco, incapaz de levar um
saveiro pelas águas; por isso, tratava da moléstia dos
marinheiros e tirava até gente da cadeira. Era estimado
no cais. Era também poeta, mas somente a professora
Dulce sabia que ele fazia poemas sobre o mar. Todos
esperavam que os dois se casassem; até saíam e
conversavam.
Jorge
Amado destaca também as filhas de Traíra (o que morreu
com um tiro, em Cachoeira). Marta tinha dezoito anos,
cosia peças, estava preparando um enxoval à espera de
um noivo. Margarida nadava na beira do rio; Rachel era a
menor, de quatro anos, brincava com uma boneca e não
sabia pronunciar direito as palavras.
Nono
capítulo
- Viscondes,
Condes, Marqueses e Besouro
Coloca-se
em evidência a cidade de Santo Amaro, pátria de muito
barão do Império, viscondes, condes e marqueses. Pátria
também de gente humilde do cais, pátria de Besouro, o
mais valente dos negros do cais, que derramou sangue,
esfaqueou, atirou, lutou capoeira e foi morto perto
dali, à traição, em Maracangalha, cortado todinho de
facão. Virou uma estrela.
No
dia em que Traíra morreu, Guma estava para ir ver Lívia,
que foi à festa de Iemanjá somente para vê-lo. Lívia
nasceu na capital, a cidade das sete portas, onde nascem
as mulheres mais lindas do cais. Guma assumiu um
compromisso com Rosa Palmeirão: ter um filho com Lívia
para Rosa ajudar a criar.
Décimo
capítulo
- Melodia
Guma
fez boa viagem em busca de Lívia, a mais bela mulher
que seria oferecida ao mar. O "Valente"
correu, e já brilham as luzes da Bahia, Guma já ouve o
baticum dos candomblés, parecia ouvir a risada clara de
Lívia.
Décimo
primeiro capítulo
- Rapto de Lívia
Guma
alimentava seis meses de um desejo intenso. Chegando de
Santo Amaro, Rodolfo levou-o para ver Lívia, que estava
bela e tímida. Os tios dela, que tinham uma pequena
quitanda e que foram salvos por Guma no acidente com o
"Canavieiras", não aceitavam o
relacionamento, queriam que ele fosse embora, pois Lívia
não podia esperar nada de um marinheiro mais pobre que
eles.
Guma
entregou a ela uma carta; na verdade, foi escrita pelo
doutor Filadélfio, conhecido por todos como doutor,
escrevia histórias em versos, ABCs do cais, cantigas. A
resposta de Lívia veio quando ele voltava:
"-
Estou preparando o enxoval."
Os
tios proibiram Guma de visitá-la, e Rodolfo sugeriu que
ele a raptasse, que a levasse para Cachoeira e casasse
na volta. Combinaram tudo para uma semana. E assim se
fez. Na ida, preso ao leme do "Valente", sente
as carícias dos cabelos dela.
Décimo
segundo capítulo
- Marcha
nupcial
Rodolfo
acalma os tios de Lívia, que estavam revoltados, e pede
a Guma que faça sua irmã feliz. O casamento seria daí
a sete dias, na igreja de Monte Serrat e no fórum.
O
velho Francisco ficou danado, pois sabia que um
marinheiro não se devia casar. Iria embora. A mulher de
Guma poderia não gostar de que ele continuasse morando
ali. Mas não foi. Ali mandava Guma. Doutor Filadélfio
bebeu no Farol das Estrelas à saúde de Guma e de sua
futura.
No
dia do casório, o cortejo entrou na casa de Guma.
Jeremias trouxera o violão, e o negro Rufino, sua
viola. Cantaram as canções do mar; desde aquele dia,
que a noite é para o mar.
Lívia
jurou que seu filho não seria marinheiro.
2ª parte
A
segunda parte da obra denomina-se O PAQUETE VOADOR
(nome do segundo barco de Guma) e compõe-se de nove capítulos.
Primeiro
capítulo
- Roteiro do
mar grande
Meses
de dificuldades no cais. Poucas viagens. Trabalho só
para a bóia. Quando Guma estava de bom humor, Lívia
acompanhava-o, às vezes ficava sozinha, com o velho
Francisco, ouvindo as histórias do cais. Sabia que o
marido estava no mar e que podia não voltar. Gostou
quando Esmeralda, amásia de Rufino, veio morar junto
dela. Era uma mulata bonita e peituda.
Às
vezes, a professora Dulce passava por lá e dava dois
dedos de prosa. Esmeralda não gostava de Rufino que, se
morresse no mar, ela arranjaria outro, ele já era o
quarto. E ficava com insinuações para cima de Guma,
que evitava, pois ela era amásia de Rufino, que era seu
amigo.
Guma
no "Valente" e mestre Manuel no "Viajante
sem Porto" apostam corrida. Guma ganha. Andando
pela praia, Lívia e Maria Clara encontram duas ciganas,
e uma delas disse a Lívia que eles, ela e o marido,
estavam passando por dificuldades, que as coisas iriam
melhorar, que Guma corria grande perigo. Já há um ser
que se move dentro de Lívia.
Segundo
capítulo
- Esmeralda
Grávida,
Lívia procura Dr. Rodrigo, que ajudava as mulheres do
cais e não se negava, inclusive, a fazer anjos, pois
era um favor para muitas daquelas mulheres que passavam
fome.
Guma,
ao saber que ia ser pai, avisou a todos, primeiro a
Rufino, e foi comemorar no Farol das Estrelas. Esmeralda
falou a Guma que não tinha topado ainda com um homem
que lhe fizesse um filho. Não queria um filho de
Rufino. Ela era preta e queria melhorar a família. E
mais uma vez, insinuou-se para Guma. Lívia passou mal e
quase abortou. Guma chamou Esmeralda e doutor Rodrigo
para ajudá-lo.
Enquanto
Lívia dorme, Guma, sozinho com Esmeralda, deita-se com
a amásia do seu melhor amigo. Depois, num momento de cólera,
ameaça matá-la, quando ouve os passos dos tios de Lívia
que chegavam com o velho Francisco.
Lívia
passava bem.
Terceiro
capítulo
- Eram cinco
meninos
Após
a melhora de Lívia, Guma viajou, fugindo das perseguições
de Esmeralda e tentando evitar Rufino, pois havia
quebrado a lei do cais, traindo seu melhor amigo. Sentia
vergonha. Encontrou Rufino no mar com a canoa engolindo
água, parte da carga de açúcar perdida, que foi
removida para o "Valente". Lívia e Esmeralda
esperam os seus homens no cais. Somente Guma chega e, ao
subir a ladeira com Lívia, Esmeralda sente ciúme. Guma
fugia dela.
Leôncio,
dado como morto, irmão do velho Francisco e tio de Guma,
chega misteriosamente. Todos se assustam, principalmente
o velho Francisco que pede que ele vá embora, mas Lívia
permite que ele fique por duas noites. Saiu para andar
pelo porto e nunca mais voltou. Guma tem receio de que
Esmeralda conte a Rufino o seu relacionamento com ele.
Esmeralda tinha os seios pontudos, e Rufino estava
enrabichado por ela.
Na
viagem seguinte, Rufino perguntou a Guma se ele já
tinha ouvido falar de Esmeralda no cais. Vêem os destroços
de três saveiros. Salvam a tripulação. Eram cinco
crianças que o pai esperava. Só sobrou uma.
Quarto
capítulo
- Água mansa
Depois
do novo desaparecimento de Leôncio, velho Francisco
pouco parava em casa, vivia no cais, bebia no Farol das
Estrelas, voltava sempre bêbedo. Rufino já desconfiava
de que Esmeralda andava enganando-o, de que era corno.
Achou uma carta dela endereçada a um marinheiro do
"Miranda".
Num
passeio de canoa, com troca de acusações, Esmeralda,
sabendo que ia morrer, conta em detalhes o seu
envolvimento com Guma, mas Rufino não acreditou. E ela
ria. E foi rindo que morreu. Rufino abriu a cabeça dela
com o remo: matou-a e, depois, jogou-se no mar para ser
comido pelos tubarões. Morreu sem alegria. Só
encontraram, depois, pedaços dos cadáveres.
Guma
trabalhando no mar, Lívia achava cada vez mais que a
vida dele corria perigo. Os tios dela iam visitá-la,
queriam que Guma deixasse aquela vida do cais e fosse
trabalhar na cidade alta.
Quinto
capítulo
- O
"Valente"
"
Valente" era o nome do saveiro de Guma.
Aqui,
Jorge Amado destaca a volta de Chico Tristeza, um negro
que fora embora há muito tempo e, agora, voltava hercúleo,
contando histórias. Trouxe um xale de seda para a sua mãe
que vendia cocada.
A
história que mais impressionou a todos foi a da África.
Ali, vida de negro era pior que vida de cachorro. Lá,
num descarregamento do Lloyd Brasileiro, os negros
trabalhavam sob o chicote do branco. Aí, um preto que
era foguista do navio, de nome Bagé, viu um negro ser
chicoteado. Tomou o chicote das mãos do branco francês
e, à frente de todos, deu-lhe uma surra. Nunca ninguém
tinha visto aquilo.
Chico
Tristeza foi embora. Seu navio só demorou dois dias.
Sexto
capítulo
- O Filho
O
dr. Rodrigo foi chamado, pois Guma, no acidente, ficou
com um ferimento na cabeça, mas primeiro teve que
atender Lívia.
Nasceu
o filho de Guma. Ao invés de ficar alegre, Guma estava
triste: seu filho nasceu, e ele não tinha um saveiro.
Com a ajuda do dr. Rodrigo, comprou de João Caçula,
para pagar em parcelas, o "Roncador", que
passou a chamar de "Paquete Voador".
Sétimo
capítulo
- Toufick, o
árabe
Nesse
capítulo, aparece a figura do árabe Toufick, que
chegou na terceira classe de um navio e vivia em uma
aldeia entre os desertos. Com sua mala de mascate, sem
conhecer direito a língua, já vendia sombrinhas, seda
barata e bolsas às empregadas e criadas da Bahia. Aos
poucos, foi conhecendo a cidade; morava num bairro árabe
da Ladeira do Pelourinho.
Por
suas qualidades de comerciante, foi trabalhar para F.
Murad, o árabe mais rico da cidade, dono de uma casa de
tecido que tomava quase todo um quarteirão e
contrabandista de seda.
Oitavo
capítulo
- Contrabandista
Frederico,
o filho de Guma e Lívia, já começava a andar, mas não
queria saber de brincar com trenzinho, ursinho ou palhaço.
Preferia brincar com um barquinho numa bacia de água,
prenúncio de que teria o destino do pai.
O
"Roncador", comprado a prazo de João Caçula,
havia-se transformado em "Paquete Voador".
Guma devia a dr. Rodrigo, que não cobrava, mas João Caçula
vivia no seu pé, querendo que ele vendesse o barco para
lhe pagar o que devia.
Toufick
propõe a Guma que aceite transportar o contrabando de
sedas, serviço feito por Xavier, que o deixou na mão.
Guma podia ganhar, de uma só vez, até quinhentos mil réis
e pagar o seu saveiro em dois ou três meses. Guma
reluta, mas, por extrema necessidade, aceita o serviço,
recebendo cem mil réis de adiantamento. Na primeira
viagem, conhece Haddad, outro contrabandista, e F. Murad,
o árabe mais rico da cidade.
Rodolfo
e Lívia já desconfiavam de que Guma estava metido no
negócio de contrabando, até que ele, encurralado e sem
argumentos, diz a ela que, quando acabasse de pagar o
"Paquete Voador", deixaria aquela vida.
Guma
pagou o saveiro. Tomou amizade ao árabe Toufick. A vida
havia melhorado. Guma tinha duzentos e cinqüenta mil réis
em casa e estava livre de dívidas. Em breve, quando
juntassem um conto de réis, deixariam aquela vida para
morar na cidade alta. Dariam um destino melhor para o
filho.
Nono
capítulo
- Terras de
Aiocá
Guma
manda avisar a Rosa Palmeirão, nas terras do Norte, que
o "neto" dela já havia nascido. Lívia a
recebeu como uma irmã. Guma, enfrentando um grande
temporal, numa das viagens de contrabando, com Toufick,
Haddad e, desta vez, com Antônio, jovem árabe e filho
de F. Murad, naufraga com o "Paquete Voador".
Os tubarões devoram Haddad, Guma salva Toufick e fica
ouvindo os gritos e F. Murad, na praia, pedindo pelo
filho. Guma volta ao mar, pega o jovem que é jogado na
praia pela forte correnteza.
Numa
luta mortal com tubarões, Guma desaparece. O vento joga
o "Paquete Voador" na areia do porto.
3ª parte
A
terceira parte da obra denomina-se MAR MORTO e
possui quatro capítulos.
Primeiro
capítulo - O
mar é doce amigo
No
"Viajante sem Porto", mestre Manuel, dr.
Rodrigo, o velho Francisco, Maneca, Maria Clara e Lívia
chegam ao local onde Guma desapareceu. O velho Francisco
acende uma vela. Onde o pires parasse, lá estaria o
corpo. Era só mergulhar. Todas as tentativas foram em vão.
Guma desapareceu salvando dois, teve a morte mais heróica
do cais.
Segundo
capítulo
- A noite é
para o mar
Aqui,
temos a volta da mãe de Guma, depois de vinte anos,
velha e trôpega, meio cega. Toufick agradece a Lívia
por Guma ter salvado a vida dele e a de Antônio. Murad,
pai de Antônio, mandara uma certa quantia em dinheiro.
Em certa estação de rádio da Bahia, alguém pede às
mulheres que rezem para encontrar o corpo de uma
marinheiro que morreu afogado.
Lívia
assume o comando do "Paquete Voador".
Terceiro
capítulo
- Hora da
noite
Lívia
sente o peso da solidão. O seu homem estava longe,
morto no mar. Outros homens rondavam a sua porta. Para
ela, a noite continua. A noite sem estrelas do mar
morto.
Quarto
capítulo
- Estrela
A
professora Dulce olha da escola. Os saveiros saem. Lívia,
bem frágil, e Rosa Palmeirão, de navalha na saia e
punhal no peito, seguem no veleiro. Rosa Palmeirão
parece um homem em cima do "Paquete Voador".
O
velho Francisco, olhando para o mar, vê Lívia em pé,
no "Paquete Voador". E grita para os outros no
cais:
"-
Vejam! Vejam! É Janaína."
Era
a segunda vez que ele a via. Segundo Jorge Amado,
"assim contavam na beira do cais."
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