O homem tem feito pela
paz o mesmo que com as árvores. Os resultados já começam a se
revelar para os céticos, conquanto já era visível há anos,
pelos lúcidos.
Ela – a paz – que
deveria ser mantida, hoje precisa ser reconstruída. E este é
um trabalho que poderia encaixar-se como um 13º trabalho de
Hércules. Mas ele permanece retido na mitologia grega.
Quando o homem se
insurgiu contra a Natureza e sua paz, criou uma ampliação de
conflitos contrários à lei natural. Pior: os conflitos criados
pelo homem obedecem tão somente ao egoísmo, o inimigo nada
desprezível do bem estar da humanidade.
Na sua louca corrida
em direção ao caos, a humanidade executa um suicídio coletivo
em “doses homeopáticas”. Vem morrendo a cada dia, acreditando,
paradoxalmente, que possui o dom da verdade imutável.
A impressão que se
pode ter, é que tudo tem sempre uma única direção: o
sensacionalismo barato, cujo único objetivo são os dividendos
financeiros e a evidência das celebridades. Na outra ponta, o
lucro fácil e rápido, seguindo sempre a lei do menor esforço.
Cada um possui o olhar
fixo no próprio umbigo. E o resto é resto.
Mas a paz deveria ser
o centro de todas as ações, a bem de sua manutenção no tempo e
perpetuação na história de seres que nasceram para ser
luminosos, mas se apaixonaram pelas trevas.
A soma de fanatismos,
nas mais diversas áreas da atuação humana, evidencia o
desequilíbrio mental (evitando-se dizer loucura) da raça
humana sobre a terra. As religiões que deveriam ser um porto
seguro, seguem a serviço da ganância pura e simples do
materialismo que sabe, como ninguém, travestir-se de algo
santificado, enquanto – na verdade – é sacrílego.
A energia conhecida em
sua manifestação com o nome de dinheiro, teve seu sentido
invertido. Não labora em favor do bem comum, mas dos mais
aviltantes interesses particulares. A vergonha da morte pela
fome perdeu-se na incapacidade de amar instalada por um
processo tenebroso de condicionamento coletivo.
As fronteiras,
funcionam como desgraças programadas, onde a santidade da vida
é algo irrelevante. E as guerras, a mais inequívoca revelação
deste fato.
Loucos com poder
pululam pelo planeta. Surgem nos mais variados meios. No
oceano fétido de políticos doentios até as administrações de
impérios econômicos com total desconhecimento e
insensibilidade quanto ao valor da a vida.
As mais perigosas
combinações, de fanatismo religioso com sistemas políticos se
consolidam em vários pontos do planeta e jamais se encontram a
serviço da paz, mas radical e doentiamente contra ela. As
palavras e os gestos raramente combinam.
Cada vez mais cegos
guiam cegos!
E a Terra segue seu
destino no Universo. E, se preciso for, ela se livrará de nós
e seguirá seu “caminho”, sua órbita. Talvez um pouco avariada,
mas livre dos incômodos de uma civilização sem a menor
civilidade.
A humanidade, no seu
todo, se comporta como um enfermo grave que se julga
perfeitamente sadio: recusa parar de olhar o próprio umbigo e
perceber, de alguma forma, que algo está errado. Tremendamente
errado.
Não nos damos conta de
que estamos perdendo muito. Antigamente tínhamos quatro
estações no ano. Hoje temos anos caóticos, onde primavera;
verão; outono e inverno, misturando-se estranhamente, para
formar uma só e estranha “estação” onde não haverá lugar para
a vida e quiçá retorno à normalidade.
Mesmo aqueles que
falam em paz, trazem no coração o egoísmo disfarçado pelas
palavras escolhidas a dedo e provocam, ironicamente uma
anti-paz.
Por isso, enquanto as
crianças pagarem pelos nossos erros, transformando-se – quando
sobrevivem – em adultos frustrados, infelizes, revoltados e
até violentos, as guerras existirão, a droga reinará absoluta
e a PAZ não existirá.
E num certo dia
teremos construído, por um breve e efêmero tempo, a vitória da
iniqüidade. Será nossa última “façanha” como humanidade!
A realidade se desenha
cada vez mais terrível. Nosso planeta é uma bomba contendo
centenas de bombas. E se ele não explodir por si, explodirá
pelas mãos dos imbecis que regrediram no tempo e reinstalaram
a era da belicosidade atômica.
As terríveis lições do
passado, parecem nada haver ensinado àqueles que se julgam
donos do poder. Um provável inverno nuclear será, sem dúvida
filho de nosso “inverno da insensibilidade” e da mais
elementar burrice.
Podemos entender que
qualquer pessoa, com uma mediana lucidez, haverá de concordar
com o fato de que jogar sobre os jovens aquela antiga sensação
de medo, por conta do errôneo emprego da energia nuclear,
ultrapassa as raias da perversidade.
Uma questão se
levanta acima de tantas outras em nosso tempo: por quê temos
essa insólita e terrível tendência de optar pelo nosso lado
escuro, em detrimento da luminosidade que a PAZ pode nos dar?
Joaquim Saturnino da Silva
Publicação:
www.paralerepensar.com.br -
01/03/2007