Se existe
algo que a vida teima em nos ensinar cotidianamente é que,
queiramos ou não, sempre pagamos pelos nossos reiterados erros
e, na maioria das vezes, em dinheiro.
Estamos
nos consumindo na busca de uma resposta para a crescente
ausência de ética nos comportamentos das mais variadas áreas.
Deixando de lado o setor público, onde qualquer tentativa de
esculacho será mera gota no oceano, vamos nos ater aqui apenas
àquela fatia do empresariado brasileiro que insiste em seguir
caminhos que, já abandonados pelos lúcidos há muito tempo,
continua sendo trilhados com incompetência, d i l i g e n t e
m e n t e.
Levando em
consideração que meu ambiente de trabalho, durante mais de
vinte e
três
anos, foi na área de pessoal, os números com os quais vamos
“brincar”, tratam de comportamentos reiterados nesta área.
Nada impede que se estenda o raciocínio para outros setores de
uma empresa.
Existem –
e poucos ousariam negar – empresários que optam pelo
comportamento negligente com o gerenciamento sério dos
negócios, na busca de um gerenciamento “meia boca”, por uma
questão de preço na sua aquisição.
Antes de
continuarmos vamos dar uma olhada nas tabelas abaixo. Brincar
com alguns números fictícios. Estas tabelas foram elaboradas
numa tentativa de refletir simplificação para exemplificar uma
idéia. Transformada em slide, é utilizada em palestras, quando
estas ocorrem num ambiente empresarial. Vejamos:
Tabela
“A”:
|
DESCRIÇÃO |
VALOR |
|
Faturamento médio mensal da empresa |
200.000,00 |
|
Salário Encarregado de Depto. Pessoal |
-2.200,00 |
|
Salário Assistente de Depto. Pessoal |
-1.500,00 |
|
Salário Auxiliar de Depto. Pessoal |
-1.000,00 |
|
Perda
Mensal com retrabalhos por erros no Depto. Pessoal (1%) |
-2.000,00 |
|
Saldo
bruto para abatimento das outras despesas |
195.300,00 |
Tabela
“B”:
|
DESCRIÇÃO |
VALOR |
|
Faturamento médio mensal da empresa |
200.000,00 |
|
Salário Encarregado de Depto. Pessoal |
-1.000,00 |
|
Salário Assistente de Depto. Pessoal |
-700,00 |
|
Salário Auxiliar de Depto. Pessoal |
-600,00 |
|
Perda
Mensal com retrabalhos por erros no Depto. Pessoal (10%) |
-20.000,00 |
|
Saldo
bruto para abatimento das outras despesas |
177.700,00 |
Os números
acima, em ambas as tabelas, refletem dados exemplificativos,
apenas relativos ao departamento pessoal de uma
pequena ou média empresa.
Embora os
dados dispensem comentários, vale a pena ressaltar que uma
empresa pode perder muito na escolha errada de seus
colaboradores, seguindo os moldes da tabela “B”. Comumente,
podemos chamar isso de prática da “economia burra”. E como diz
a velha sabedoria popular: o barato sai caro.
O mais
impressionante é observar que muitas empresas insistem nos
mesmos velhos erros, preferindo repassar o prejuízo para o
preço de seus produtos. Trabalham com um eufemismo chamado
“risco calculado”. Começam a perder mercado, colecionam
derrotas e imaginam que sua “política” administrativa está
correta, apesar de tamanha ingerência e que todos os outros
estão errados.
Muitas
empresas estão sucumbindo e colocando como culpada exclusiva,
a globalização. Mas não é apenas isso. A globalização, na
verdade, poderá até ser instrumento de impulso para o
aperfeiçoamento, mais que nunca necessário.
Um
gerenciamento correto optaria pela tabela “A”, pois aquilo que
pode parecer “caro”, na verdade, é razão de economia real e,
acima de tudo, agente de capacitação apropriada para
enfrentar, entre outras coisas, a globalização.
No plano
pessoal, muitas pessoas às vezes optam pela compra de produtos
de quinta categoria, sem atentar para o fato de que fará tais
compras muito mais vezes, do que se adquirisse o produto
original. Ou seja: praticam pequenas economias para obterem
grandes prejuízos. É o caso típico que as tabelas acima
revelam.
Hoje, mais
que nunca, existe uma opção coletiva pelos produtos piratas e
descartáveis, ao máximo. Existe ainda, a nova moda dos
produtos “remanufaturados” que, não raro, “rendem” prejuízos
gigantescos. Isto ocorre muito com relação às peças
automotivas. Segurança passou a ser item dispensável.
Há um
elenco imenso de exemplos do barato que sai caro, neste jogo
despido de qualquer ética ou bom senso.
Além dos
prejuízos, o mais perverso dos “sub-produtos” de tais
comportamentos, é o desemprego.
Para
complicar esse círculo vicioso, surgem tributações de
“emergência”, onde os governos ampliam a já absurda carga
tributária.
Vivemos no
País da vantagem, onde o poder vai à frente dando péssimos
exemplos e sempre mais propenso a punir que a evitar danos. Se
há sonegação, esta é incentivada pela majoração das alíquotas
e pelos sistemáticos desvios das arrecadações. A burrice
explícita não permite que se entenda que a redução de
alíquotas aumenta a arrecadação. Parece ser preferível matar
“a galinha dos ovos de ouro”. Sofremos o mal da ingerência
progressiva de forma geométrica.
Voltando
aos números: se quantificássemos os prejuízos dando-lhes seus
valores, teríamos um número que, de tão gigantesco, seria
impronunciável.
Chegamos
então, diante de todo o estrago visível na economia nacional,
frente à revelação de que não se trata de apenas alguns
números. Vidas estão sendo destruídas, unicamente por pura
burrice.
Enquanto
isso, (sobre)vivemos num País eternamente “do futuro”
!
Joaquim Saturnino da Silva
Publicação:
www.paralerepensar.com.br -
26/07/2006