A casa dos grandes pensadores
 
 
 

JOAQUIM SATURNINO DA SILVA

 

 

 

A SINCRONICIDADE

 

Existe um conceito que se acentua cada dia mais em nosso mundo atual: o sincronismo, ou ação da sincronicidade, como ensinava o mestre Carl Gustav Jung.

Vivemos absortos em nossos problemas cotidianos, sem nos atentarmos para o fato de que as tais “coincidências” não são, como pensamos, meras coincidências. Creditamo-las ao acaso. Mas acaso nada mais do que o funcionamento infalível da consciência universal que, por falta de nome melhor adequado, chamamos de Deus.

Existe uma frase fantástica que nos informa o seguinte: “acaso é um apelido que Deus utiliza, quando não quer assinar a obra”.

Hoje a física quântica já identificou que o Universo possui uma consciência. E é essa Consciência que se encarrega de realizar os sonhos que sonhamos. Tal como uma “lei de causa e efeito”, ela age sutilmente, sem alarde, dando-nos ou tirando-nos aquilo que desejamos que façam parte, ou não, de nossas vidas.

O problema é que, inadvertidamente, desejamos e deixamos de desejar as coisas com uma incomum displicência.  E esse comportamento nos faz construir e destruir as coisas em nossas vidas, sem nos darmos conta do disso. Os resultados, normalmente, chamamos de “ironias da vida”, mas não paramos para observar que fomos nós mesmos que as criamos no tempo e no espaço.

Assim, pequenos atos nossos, de forma solidária e descontraída, geram situações agradáveis que, depois, classificamos como “coincidência”. O contrário também é verdadeiro, quando algo desagradável acontece e jamais iremos imaginar que aquilo foi criado por nós mesmos.

Há um sincronismo, sempre, entre os fatos e nossas ações ou pensamentos imaginativos (criadores). Não temos noção de nosso próprio poder. E embora já nos tenha sido informado que somos criados à imagem e semelhança, comportamo-nos como alunos que apenas decoraram a matéria, sem aprender de fato.

Olhemos para mundo. Ele é  hoje, nada mais nada menos do que aquilo que acreditamos, aquilo que construímos no tempo e espaço, sem a menor atenção.

A vida humana está sincronizada. Todos são parte de um mesmo “ser”, mas insistem em acreditar que cada é um é um ser separado do todo. Ilusão. Esta é a palavra que define e explica tudo.

Em uma única e tétrica análise, somos nós e somente nós, os criadores de nossa própria desgraça, ou benção. A escolha é sempre nossa, mas não exercitamos com consciência.

Novamente: o problema é que não nos atentamos para este sutil detalhe, estamos cegos para o óbvio.

Simplicidade!

Esta é a chave. Aquela que abre as portas misteriosas daquilo que é claro, nítido, explícito, mas que poucos vêem.

Parece haver uma conspiração para que o homem seja escravo, que aceite as “verdades” divulgadas como algo inquestionável. E talvez haja tal conspiração, sustentada pelo poder material em destaque. Mas isso nada mais é que uma ampliação programada da ilusão. Seres que descobriram parte da verdade, se corromperam. Elegeram o egoísmo como a força motriz do progresso. O único problema deles, é que se obtiverem sucesso na empreitada, todos sucumbirão. Todos.

Não há mais dúvida de que vivemos sob o jugo de uma lavagem cerebral coletiva. Estamos sendo preparados para aceitar a violência como algo natural e não como um desequilíbrio, uma anulação da harmonia entre os seres.

E estamos ligados uns nos outros. Aquele que mata faz parte de sua vítima. Não percebe, mas é parte integrante dela. Aquele que causa a fome, será faminto um dia, pois determinou isso, acredite ou não.

Um homem, um dia, teve a coragem de falar sobre tudo isso. Ele não fundou religião nenhuma, seita nenhuma. Apenas viveu e morreu pelo significado de uma única palavra: amor!

Como ninguém, Ele conhecia  a sincronicidade, a ligação, a verdade de que tudo é tudo. Não há divisão. Que a unidade não pode ser dividida, sob pena de causar o perecimento total. De todos e de tudo.

Isso é o que nos revela o que podemos observar agora.

Portanto, todo aquele que tiver olhos de ver, que veja!

Joaquim Saturnino da Silva
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 12/06/2007