A sublimação do ego, não é tarefa fácil ou aceita com
facilidade pela grande maioria dos viventes que se intitulam
humanos. E poucas pragas têm causado tanto mal à vida neste
planeta, como atos ditados puramente pelo egoísmo.
Em nome de palavras fortes e marcantes como família;
liberdade; igualdade; democracia e outras de peso, egoístas
perpetram e consolidam atos de verdadeira barbárie. Profanam o
que é sagrado, cometendo crimes que se multiplicam
geometricamente.
Mas as
vítimas não são sempre inertes e, como seus algozes, não estão
proibidas de, também, praticar seu egoísmo. Ação e reação não
é apenas uma lei da física newtoniana, mas também da
psicologia humana. A isso podemos chamar de vingança, o pior
dos caminhos.
Desta
forma, dia após dia, a desvalorização da vida se acelera. Os
objetivos das ações continuam sendo escusos, travestidos de
nobres. E as mesmas mãos que acenam na busca de maior
popularidade, empunham canetas que assinam a instauração de
guerras. Assassinatos legalizados por uso de uniformes.
Seria simples se de um lado estivessem os certos e de
outro os errados. Mas o mundo não funciona desta forma
maniqueísta.
Assim como nas grandes cidades a violência fornece
balas perdidas para matar inocentes, nas guerras as bombas não
diferenciam civis de militares.
Vivemos a
cultura da morte em nome da vida. É bem verdade que uma é
parte complementa a outra, mas a exaltação da primeira,
liquidará com a segunda.
O homem é o mais estranho dos animais. Primeiro foi (e
ainda é) predador feroz, condenando os animais ditos
irracionais à extinção. Aprendeu rápido. Agora o homem também
é um animal em extinção, mas não se deu conta do desastre que
provocou.
Os egoístas
contumazes, quase religiosamente egoístas, atiram “bumerangues
de destruição” em direção ao futuro, esquecidos de que é uma
característica destes “equipamentos” retornar ao ponto de
partida.
Assim, o maior problema dos não egoístas, é sobreviver
num tempo e espaço onde não entendem o que acontece. E são as
maiorias, por mais que isso se apresente como um paradoxo.
Pois a lógica nos diria que o voto (desejo) da maioria deveria
prevalecer. Não acontece.
E a razão disso, é o fato que o egoísta desenvolveu
uma estranha impermeabilização a sentimentos. Para ele,
sentimental é sinônimo de idiota, de vítima, ou algo
semelhante.
Por tal e singela razão, o mundo está como está. E
piorando.
Quando os homens inventaram as religiões, pensavam que
elas controlariam o “lado escuro” dos seres humanos. Mas hoje,
verifica-se que são de pseudo-religiosos, os mais mesquinhos
meios de domínio e busca de riqueza material.
A humanidade foi enganada por si mesma e a sublimação
do ego fracassou.
Por egoísmo, almas se vendem. Transforma-se o mundo
num mercado pecaminoso, onde a vantagem se suplanta, colocando
o outro como mera moeda de troca.
Um dia, tudo poderá mudar, se ainda tivermos tempo
para isso. Até lá, o time dos egoístas continuam ganhando de
dez a zero!
Joaquim Saturnino da Silva
Publicação:
www.paralerepensar.com.br -
04/06/2007