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Na
inversão absurda de conceitos, da qual padece o mundo atualmente –
e nosso País em particular – é motivo para orgulho, o que deveria
ser motivo de vergonha. A expressiva ampliação do poder econômico
na área financeira, nos últimos tempos, está sem dúvida assentada
sobre um alicerce de ossos de várias gerações de brasileiros.
Mas não há
vergonha nisso, pois o foco está centralizado no grande desempenho
dos bancos aqui no Brasil, como não acontece em outra parte do
planeta. Ao contrário, é orgulho o sentimento que predomina.
E calados
assistimos ao espetáculo grotesco espalhado no entorno. Muitas
vidas se perdendo por via do desespero dominante. Os mais fracos
(de espírito) jazem sem forças, entregues aos vícios e à
violência. Enquanto isso, a renda é distribuída somente entre uma
camada minúscula da sociedade. Apenas um seleto grupo que navega
acima da lei, pois o diploma legal que coíbe a usura, só o faz
para a maioria impotente.
O sistema
financeiro é composto por pessoas “mais iguais” do que a igualdade
estampada na Constituição Federal. Leis específicas as protege,
numa aberração jurídica sem precedentes.
O pobre
mortal que lê estas letras aqui mal dispostas, de propósito,
jamais poderá aventar a hipótese de ultrapassar os juros legais de
12% ao ano. Mas haverá de pagar taxas de juros escorchantes
ditadas pelo sistema financeiro acima (ou fora) da Lei.
O
lucro é pecado?
É
evidente que não, mas a exploração sistemática de uma nação,
empobrecendo cada dia mais seu povo, é mais que pecado, beira as
raias do crime. E como tal seria tratado, não fosse uma legislação
específica a tornar legal aquilo que é imoral e criminoso.
As
manchetes sobre o lucro dos bancos estampam, a cada edição,
números assombrosos. Lucro de mais de 100% em menos de um ano, já
é coisa ridícula.
Os
dois maiores bancos do mercado financeiro nacional estão
disputando quem ganha mais, enquanto os cidadãos perdem, cada dia
mais, na exata proporção inversa.
E
o que mais torna abominável tudo isso, é a letargia de um governo
que não tem a coragem de tomar atitudes que lembrem a finalidade
da riqueza: o povo. Ou não seria pura letargia/covardia, mas uma
mera cumplicidade?
Não seria preciso tomar nenhuma atitude drástica que colocasse em
risco a autonomia econômica nacional, mas medidas que
minimizassem, com seriedade, a usura praticada pelo sistema
financeiro. Fazer valer o disposto na Lei Maior, juros legais de
12% ao ano, ou algo mais próximo disso e não juros de 12% ao mês.
Isso para ser otimista.
Mas detalhes técnicos são mais importantes que vidas. Nossa Terra
se tornou uma nau sem rumo, ou pior, em direção ao inferno, se por
acaso ele existisse fora daqui.
Não há falta de vergonha só na cara. Há falta de vergonha em todo
lugar. E ainda teremos políticos, na próxima eleição, prometendo
exatamente o oposto do que irão fazer.
Deveriam, também, não ter vergonha de dizer a verdade!
Joaquim Saturnino da Silva
Josaturnino@aasp.,org.br

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