Existem contradições na humanidade que nós, por mais que tentemos, não
conseguimos explicar sua origem, ou alguma razão.
Há uma premissa da qual jamais conseguiremos mudar e que deveríamos
tê-la sempre em mente: as coisas mais valiosas nesta vida
NÃO POSSUEM PREÇO!
Por exemplo: tape a boca e o nariz durante algum tempo e rapidamente você
poderá cientificar-se do valor do ar. Quanto
você paga para respirar?
Nós não precisamos pagar nada para respirar o ar que é vital. No entanto,
temos em relação ao ar um compromisso: mantê-lo puro.
Mas nem isso fazemos. Nós humanos, ao contrário dos animais
ditos irracionais, tornamos a cada dia o ar um fluído tóxico.
Ou seja: estamos nos condenando a uma asfixia coletiva. Cada
árvore derrubada representa menor volume no processo de
fotossíntese. A emissão de poluentes na atmosfera é um
envenenamento que ocorre sob nossa anuência, ou omissão.
Então, teremos que aprender – difícil saber como – conseguir
respirar dióxido de carbono e sobreviver.
Olhe para os jardins! Quanto se paga pelo poder de ver e
pelas flores que se vê? O sol brilha constantemente, sem
discriminar nenhum de seus beneficiados. Qual o salário do
sol? Tente imaginar o sol “de greve” por uma ano!
- Imagine-se habitando um
edifício composto por cem apartamentos. Cada um possuindo
noventa e nove vizinhos no entorno. Então um dia falta
água e a falta se estende por três longos dias. Impossível
não perceber a importância da água numa hora dessas.
Ocorre ao menos, em cada um, uma leve noção de sua
importância. Nestes momentos chegamos a pensar nisso,
porém assim que a situação se normaliza, voltamos ao mesmo
descaso com o precioso líquido, igual ao que dedicamos ao
ar que (ainda) respiramos. Estamos, da mesma forma,
envenenando a água que um dia poderá matar nossos
descendentes.
Este “processo humano” de destruir tudo que realmente possui importância,
que é vital, precisa entrar em regime de extinção
urgentemente.
E não será fácil quebrar esse comportamento inercial do conforto da
preguiça de pensar e poder ver – como todo mundo pode – o
resultado de tudo isso. É como somar dois mais dois. O
resultado será, sempre e inevitavelmente, quatro!
Existem “n” exemplos de como as
coisas mais valiosas não possuem preço a ser pago em espécie.
E nós seguimos, de forma “perseverante”, no cometimento dos
mesmos erros.
Atiramos nossa liberdade no lixo da história, ao elegermos os mesmos
vagabundos que irão roubar, impunemente, o erário.
Enfiarão em bolsos, malas e cuecas o dinheiro retirado de
nosso trabalho através dos impostos. Não somos capazes de
parar para valorizar o ar que respiramos, a água que bebemos e
na qual nos banhamos, mas trabalhamos quase metade de cada ano
para sustentar esses mesmos vagabundos. Seres incapazes de –
ao menos – criar e fazer cumprir leis que realmente
protejam o meio ambiente.
Cá entre nós: você sabia que o voto não pode ter valor comercial, mas
apenas valor cívico? Pois voto de confiança vendido é
ato de traição em seu mais amplo sentido. Em síntese, a
comunidade vem traindo a si mesma há séculos.
Não diga que houve mudança de assunto, pois estamos raciocinando aqui
sobre contradições humanas. E existe maior contradição que a
contradição política, onde o que se prega raramente tem algo a
ver com o que se pratica?
Vamos esperar que não seja preciso chegar o momento de não termos mais ar
para respirar ou água para beber, para pensarmos seriamente em
mudar alguma coisa!
Joaquim Saturnino da Silva
Publicação:
www.paralerepensar.com.br -
01/02/2007