A casa dos grandes pensadores
 
 
 

JOAQUIM SATURNINO DA SILVA

 

 

 

CÁ ENTRE NÓS...

 

Existem contradições na humanidade que nós, por mais que tentemos, não conseguimos explicar sua origem, ou alguma razão.

Há uma premissa da qual jamais conseguiremos mudar e que deveríamos  tê-la sempre em mente: as coisas mais valiosas nesta vida  NÃO POSSUEM PREÇO!

Por exemplo: tape a boca e o nariz durante algum tempo e rapidamente você poderá cientificar-se do valor do ar. Quanto você paga para respirar? 

Nós não precisamos pagar nada para respirar o ar que é vital. No entanto, temos em relação ao ar um compromisso: mantê-lo puro. Mas nem isso fazemos. Nós humanos, ao contrário dos animais ditos irracionais, tornamos a cada dia o ar um fluído tóxico. Ou seja: estamos nos condenando a uma asfixia coletiva. Cada árvore derrubada representa menor volume no processo de fotossíntese. A emissão de poluentes na atmosfera é um envenenamento que ocorre sob nossa anuência, ou omissão. Então, teremos que aprender – difícil saber como – conseguir respirar dióxido de carbono e sobreviver.

Olhe para os jardins!  Quanto se paga pelo poder de ver e pelas flores que se vê?  O sol brilha constantemente, sem discriminar nenhum de seus beneficiados. Qual o salário do sol? Tente imaginar o sol “de greve” por uma ano!

     Imagine-se habitando um edifício composto por cem apartamentos. Cada um possuindo noventa e nove vizinhos no entorno. Então um dia falta água e a falta se estende por três longos dias. Impossível não perceber a importância da água numa hora dessas. Ocorre ao menos, em cada um, uma leve noção de sua importância. Nestes momentos chegamos a pensar nisso, porém assim que a situação se normaliza, voltamos ao mesmo descaso com o precioso líquido, igual ao que dedicamos ao ar que (ainda) respiramos. Estamos, da mesma forma, envenenando a água que um dia poderá matar nossos descendentes.

Este “processo humano” de destruir tudo que realmente possui importância, que é vital, precisa entrar em regime de extinção urgentemente.

E não será fácil quebrar esse comportamento inercial do conforto da preguiça de pensar e poder ver – como todo mundo pode – o resultado de tudo isso. É como somar dois mais dois. O resultado será, sempre e inevitavelmente, quatro!

Existem “n” exemplos de como as coisas mais valiosas não possuem preço a ser pago em espécie. E nós seguimos, de forma “perseverante”, no cometimento dos mesmos erros.

Atiramos nossa liberdade no lixo da história, ao elegermos os mesmos vagabundos que irão roubar, impunemente, o erário.  Enfiarão em bolsos, malas e cuecas o dinheiro retirado de nosso trabalho através dos impostos. Não somos capazes de parar para valorizar o ar que respiramos, a água que bebemos e na qual nos banhamos, mas trabalhamos quase metade de cada ano para sustentar esses mesmos vagabundos. Seres incapazes de – ao menos – criar e fazer cumprir leis que realmente protejam o meio ambiente.

Cá entre nós: você sabia que o voto não pode ter valor comercial, mas apenas valor cívico?  Pois voto de confiança vendido é ato de traição em seu mais amplo sentido. Em síntese, a comunidade vem traindo a si mesma há séculos. 

Não diga que houve mudança de assunto, pois estamos raciocinando aqui sobre contradições humanas. E existe maior contradição que a contradição política, onde o que se prega raramente tem algo a ver com o que se pratica?

Vamos esperar que não seja preciso chegar o momento de não termos mais ar para respirar ou água para beber, para pensarmos seriamente em mudar alguma coisa!

Joaquim Saturnino da Silva
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 01/02/2007