Toda vez que se
instala uma CPI no Congresso, temos a impressão de que os
alvos das investigações são aconselhados, pelos seus pares da
própria Comissão a renunciarem a seus mandatos, para não
perdê-los, juntamente com o direito político. E isto nos tem
legado a tarefa de suportar os mesmos crápulas que retornam
pelas urnas, para começar tudo de novo.
Conchavo com
anuência de irresponsáveis eleitores. Isso parece mais com uma
Campanha Pró Impunidade.
Ou como diria um
antigo líder sindical: maracutaia!
Pena que o poder
tenha a estranha capacidade de provocar uma irreversível
amnésia em antigos idealistas, se é que realmente o foram.
Seria o interesse pessoal mais importante que o ideal pelo bem
comum? O tempo responderá tal pergunta!
Enquanto isso
vamos assistindo às sucessivas instalações de CPI´s, com o
pomposo nome de Comissão Parlamentar de Inquérito, que sempre
faz sua última audiência em alguma pizzaria de Brasília.
Por isso o nome
mais apropriado deveria ser Comissão Parlamentar de Idiotas.
Ou seja, idiotas que representam outros idiotas que votaram
neles. Sofremos o mal da idiotia coletiva. E no nosso caso é
mais grave, pois cometemos a idiotice de eleger os vagabundos
de sempre e uma segunda idiotice, de não fiscalizar, não
cobrando as punições necessárias dos criminosos da vez. Ou
seja, não somos simplesmente idiotas, nós o somos ao quadrado.
Quanto aos
idiotas das tais Comissões, é bom que se diga: são idiotas
porque negligenciam a tarefa assumida na posse de seus
mandatos. E sua idiotice se consolida, por não perceberem que
estão destruindo o País ao qual deveriam servir. Idiotas,
porque sujam toda uma classe. Revelam, num imenso ato falho,
onde é que, verdadeiramente, está instalado o crime
organizado. A Polícia Federal e o Ministério Público que se
cuidem, senão acabarão todos presos. Criminosos, hoje, são os
que zelam pelo patrimônio público.
Fizeram da
política apenas um instrumento de ampliação do sentimento de
asco, naqueles que percebem isso e não podem fazer nada. Tudo
porque não somos um povo ainda, somos apenas um monte de gente
junto. E só.
Claro que não se
pode esquecer as honrosas exceções. Mas até elas estão fadadas
ao fracasso, pois embora em meio à elite política, são minoria
e como toda minoria é sempre discriminada.
Seria cômico,
não fosse a tragédia que isso representa. Mas a inversão dos
valores sempre provoca aberrações. Assim o certo passa a ser
errado e vice-versa, naturalmente.
Mas somos,
afinal, uma multidão displicente que desconhece o significado
da palavra união e faz piada da própria desgraça. As vítimas
perfeitas de um sistema corrompido até a medula.
Que paguemos por
isso então, até aprendermos (se tempo houver) que somos nós
que criamos e mantemos essas comissões de idiotas, nada
parlamentares, mas amantes exemplares das safadezas todas que,
de uma forma ou de outra, sempre transforma dinheiro público
em dinheiro privado, sob o sagrado manto da impunidade que
criaram com suas “brechas” nas leis.
Somos nós que
enfiamos no poder seres doentios, às centenas, que nunca – em
tempo algum – entenderam, ou sequer souberam o que significa
caráter ou ética. Aberrações incapazes de perceber suas
autorias no assassinato coletivo que patrocinam, através da
fome, ignorância, desemprego e violência. A única coisa que
fazem, com inimitável maestria, é aumentar seus próprios
salários e benefícios, ato contínuo à posse.
A nossa história
recente, ainda contada pelos cantos, um dia será publica e
ganhará o mundo, bastando para isso que o tempo faça seu
trabalho. Por ora, a verdade ainda não faz parte da história
oficial. Pois até o momento a história oficial é apenas uma
piada sem a menor graça. Navalhas cegas. Xeque-mate sem final
do jogo. Sanguessugas que continuam sugando tudo. E por ai
vai...
Parece que
(sobre)vivemos num mundo onde ninguém se preocupa com
descendentes. Descendente não é gente!
Os instrumentos
de controle externo – leia-se mídia – continuam aceleradamente
a serviço dos idiotas em troca de benesses fiscais e outras “mutretas”.
Pois se houvesse alguma séria no mundo tupiniquim, poucos
setores da mídia passariam pelo crivo do Código de Defesa do
Consumidor, notadamente no quesito propaganda enganosa.
Plim! Plim! A
gente se encontra aqui, no inferno da consciência.
Enfim, é assim
que se desencaminha a humanidade!
Joaquim Saturnino da Silva
Publicação:
www.paralerepensar.com.br -
14/06/2007