A casa dos grandes pensadores
 
 
 

JOAQUIM SATURNINO DA SILVA

 

 

 

Comissão Parlamentar de Idiotas

 

   Toda vez que se instala uma CPI no Congresso, temos a impressão de que os alvos das investigações são aconselhados, pelos seus pares da própria Comissão a renunciarem a seus mandatos, para não perdê-los, juntamente com o direito político.  E isto nos tem legado a tarefa de suportar os mesmos crápulas que retornam pelas urnas, para começar tudo de novo.

   Conchavo com anuência de irresponsáveis eleitores. Isso parece mais com uma Campanha Pró Impunidade.

   Ou como diria um antigo líder sindical: maracutaia! 

   Pena que o poder tenha a estranha capacidade de provocar uma irreversível amnésia em antigos idealistas, se é que realmente o foram. Seria o interesse pessoal mais importante que o ideal pelo bem comum?  O tempo responderá tal pergunta!

   Enquanto isso vamos assistindo às sucessivas instalações de CPI´s, com o pomposo nome de Comissão Parlamentar de Inquérito, que sempre faz sua última audiência em alguma pizzaria de Brasília.

   Por isso o nome mais apropriado deveria ser  Comissão Parlamentar de Idiotas. Ou seja, idiotas que representam outros idiotas que votaram neles. Sofremos o mal da idiotia coletiva.  E no nosso caso é mais grave, pois cometemos a idiotice de eleger os vagabundos de sempre e uma segunda idiotice, de não fiscalizar,  não cobrando as punições necessárias dos criminosos da vez. Ou seja, não somos simplesmente idiotas, nós o somos ao quadrado.

   Quanto aos idiotas das tais Comissões, é bom que se diga: são idiotas porque negligenciam a tarefa assumida na posse de seus mandatos. E sua idiotice se consolida, por não perceberem que estão destruindo o País ao qual deveriam servir. Idiotas, porque sujam toda uma classe. Revelam, num imenso ato falho, onde é que, verdadeiramente, está instalado o crime organizado. A Polícia Federal e o Ministério Público que se cuidem, senão acabarão todos presos. Criminosos, hoje, são os que zelam pelo patrimônio público.

   Fizeram da política apenas um instrumento de ampliação do sentimento de asco, naqueles que percebem isso e não podem fazer nada. Tudo porque não somos um povo ainda, somos apenas um monte de gente junto. E só.

   Claro que não se pode esquecer as honrosas exceções. Mas até elas estão fadadas ao fracasso, pois embora em meio à elite política, são minoria e como toda minoria é sempre discriminada.

   Seria cômico, não fosse a tragédia que isso representa. Mas a inversão dos valores sempre provoca aberrações. Assim o certo passa a ser errado e vice-versa, naturalmente.

   Mas somos, afinal, uma multidão displicente que desconhece o significado da palavra união e faz piada da própria desgraça. As vítimas perfeitas de um sistema corrompido até a medula.

   Que paguemos por isso então, até aprendermos (se tempo houver) que somos nós que criamos e mantemos essas comissões de idiotas, nada parlamentares, mas amantes exemplares das safadezas todas que, de uma forma ou de outra, sempre transforma dinheiro público em dinheiro privado, sob o sagrado manto da impunidade que criaram com suas “brechas” nas leis.

   Somos nós que enfiamos no poder seres doentios, às centenas, que nunca – em tempo algum – entenderam, ou sequer souberam o que significa caráter ou ética. Aberrações incapazes de perceber suas autorias no assassinato coletivo que patrocinam, através da fome, ignorância, desemprego e violência. A única coisa que fazem, com inimitável maestria, é aumentar seus próprios salários e benefícios, ato contínuo à posse.

   A nossa história recente, ainda contada pelos cantos, um dia será publica e ganhará o mundo, bastando para isso que o tempo faça seu trabalho. Por ora, a verdade ainda não faz parte da história oficial. Pois até o momento a história oficial é apenas uma piada sem a menor graça. Navalhas cegas. Xeque-mate sem final do jogo. Sanguessugas que continuam sugando tudo. E por ai vai...

  Parece que (sobre)vivemos num mundo onde ninguém se preocupa com descendentes.  Descendente não é gente!

   Os instrumentos de controle externo – leia-se mídia – continuam aceleradamente a serviço dos idiotas em troca de benesses fiscais e outras “mutretas”.  Pois se houvesse alguma séria no mundo tupiniquim, poucos setores da mídia passariam pelo crivo do Código de Defesa do Consumidor, notadamente no quesito propaganda enganosa.

   Plim! Plim!  A gente se encontra aqui, no inferno da consciência.

   Enfim, é assim que se desencaminha a humanidade!

Joaquim Saturnino da Silva
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 14/06/2007