A casa dos grandes pensadores
 
 
 

JOAQUIM SATURNINO DA SILVA

 

 

 

IMBECIS COM PODER

 

Quando uma autoridade científica alerta que, daqui a cinqüenta ou sessenta anos, o aquecimento da terra a transformará e tornará a vida insuportável no planeta, um imbecil diz: “que me importa isso, não estarei vivo mesmo!” 

E quando não diz pensa, pois seus atos revelam seus pensamentos.  Atos falhos que só os cretinos geram tão bem, sem saber que o fazem.

O pior de tudo, é que não são imbecis quaisquer, mas chefes de Estado como o alcoólatra que comanda os EUA, por exemplo, que é o supra-sumo da estupidez. Pois o Protocolo de Kioto, para ele, significa prejuízo econômico, pouco importando se a vida venha a ser inviável daqui a algumas décadas. Se é necessário algo que comprove essa estupidez presidencial, basta verificar-se que New Orleans, destruída pelo furação Katrina, permanece até hoje o escombro de uma cidade.

O aquecimento global é um fato do qual não podemos mais fugir. Já não temos as estações do ano, como eram antigamente. Há duas décadas mais ou menos que a natureza se rebela e revela seus desígnios, quando não respeitada.

Mas o homem, centrado na sua “sapiente estupidez”, segue destruindo tudo em nome de um progresso que, na verdade, representa o maior retrocesso da humanidade e pelo qual pagaremos muito caro.

E quando dizemos PAGAREMOS, queremos dizer que nossos próprios descendentes pagarão, o que, para alguém de bom senso, significa a mesma coisa.

Existe seres que deveriam ter nascidos estéreis, para não povoar a Terra com predadores descontrolados. Seres abjetos que, incapazes de avaliar que seus desatinos transformam a vida em morte, sem cerimonial.

Pois seus atos predatórios atingem a Natureza num primeiro momento e a humanidade na seqüência.

Venenos correm pela seiva da Terra, que chamamos de água. A vida murcha a olho nu.

Os avisos que chegam através de furacões, vulcões e tsunamis, são solenemente ignorados pelos imbecis e autoritários comandantes de seus estados.

Para cada um deles o centro do Universo é seu umbigo. E assim o mundo passa a ter centros plúrimos e, em última análise, centro algum. Pois o centro único será destruído impiedosamente em nome de uma ignorância sofisticada e arrogante.

Os animais entram em processo de extinção. As florestas são dizimadas. E quando muito pouco restar, quando for tarde demais, a humanidade será extinta, como ponto final de uma história.

Deixaremos de herança, para os que vieram depois de nós, se vierem, um ar irrespirável e uma água envenenada. Estamos matando, ao permitir isso, a viabilidade das gerações do amanhã.

Sacos plásticos, aos milhares, sufocam a terra e muitos animais marinhos que não os diferenciam de prováveis alimentos. Pilhas que transportavam energia passam a transportar a morte através de componentes químicos letais, ao serem abandonadas em lixões pelo planeta afora. Baterias de celulares e outras congêneres seguem o mesmo padrão.

A queima do petróleo retira das entranhas da terra o calor adormecido a milhares de anos. E o planeta aquece, aquece, mas a verdade só é aceita, quando vira tragédia.

Cobertor de CO2 e energia solar que não consegue retornar para o espaço, são fatos interligados e comprovados: superaquecimento global.

Muitos reconhecem a Amazônia, como “pulmão do mundo”.

E como destruíram seus próprios “pulmões”, tentam hoje confiscar nossa floresta, através de movimentos sub-reptícios. Criminosos posando de paladinos da Justiça em favor do planeta, quando na verdade, o único objetivo é apropriação da riqueza representada por uma biodiversidade ímpar.

E se não defendermos nossa soberania, estaremos anuindo com a asfixia da humanidade, nossa própria gente inclusa.

Existem líderes no mundo, que deveriam caminhar “de quatro”, pois seria mais condizente com o cérebro que possuem. Pois todo aquele que não consegue compreender o valor da Natureza e a grandeza de sua doação à raça humana, deveria ter vergonha de caminhar ereto, como verdadeiro homem.

Se existirem sobreviventes daqui a 80 anos, eles nos condenarão. E nem será necessário julgamento. Seremos culpados. Uns por sofrerem de uma crassa obtusidade e a maioria por uma incontestável cumplicidade. Pois a covardia do silêncio em nada difere o covarde dos autores do crime!

Não é necessário que nos tornemos membros do honroso Greenpeace, mas que tenhamos a noção de que estamos destruindo o futuro da vida em nosso planeta. Mas que não joguemos lixo em qualquer lugar, tornando nossa vida, gradativamente, em lixo também.

Não precisamos nos tornar médicos sem fronteiras, mas tenhamos amor a todas as vidas, como se elas estivessem ligadas às nossas, como de fato estão.

 Consciência é algo que não se implanta nas pessoas, mas que cada pessoa deve ter, despertada em si, naturalmente!

E despertar é a palavra exata para a possibilidade de salvarmos o mundo – e nós mesmos – de uma inevitável destruição, estúpida e sem sentido, como toda destruição.

Joaquim Saturnino da Silva
 
Publiação: www.paralerepensar.com.br  - 29/08/2006