A casa dos grandes pensadores
 
 
 

JOAQUIM SATURNINO DA SILVA

 

 

 

PAC, PAC, PAC

 

    Tentando imaginar os resultados do  PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, cheguei à inevitável conclusão de que ele funcionará, apenas para alguns, jamais trazendo bem estar para a maioria.
   
    Não é crível, que esse plano possa funcionar se não  estiver precedido um outro PAC.  O PAC - Plano de  Anti-Corrupção. Este deveria ser o “irmão mais velho”, a conduzi-lo pelas “mãos”.  Isto, claro, sendo o irmão mais velho sério, responsável e honesto.
 
    Tenho a desagradável desconfiança – quase certeza – que este solitário e capenga PAC, apenas fará crescer o saldo das contas correntes de uma minoria. Aliás, da mesma minoria que consome o dinheiro público mais do que gado consome capim.
 
    Por isso, a primeira vez que ouvi falar do PAC, imediatamente  me lembrei daquele joguinho eletrônico “PAC-MAN”, mas numa nova versão “PAC-MONEY”.
 
    As correrias populistas sempre acabam por enriquecer apenas um pequeno grupo, em detrimento do restante da população. Caso isso não fosse verdadeiro, não teríamos o índice de desemprego, doenças e violência que temos.  Seríamos já, uma das duas maiores potências do planeta. Talvez a primeira.
 
    Foi uma sensação parecida com aquela que tive quando foi aprovada a Lei das Parcerias Público Privada – PPP. Eram muitos “pês”  para o meu gosto e a certeza de tratar-se apenas de uma legalização da “sociedade”, antes informal, das empresas privadas com o patrimônio público.
 
    Certa vez creditou-se ao ex-presidente da França, Charles De Gaulle, uma frase à qual ele negou a paternidade: “o Brasil não é um país sério”. Claro não precisaria ser nenhum vidente para dizer isso, mas que a frase está correta, ah está. Nós a estamos endossando no tempo.
 
    Em algum lugar distante, na Amazônia, um pássaro gorjeia, Creio mais nesse lamento avícola que no tal do  PAC.
 
    Enquanto tudo isso acontece, nossas crianças passam fome, até tornarem-se maiores, não de idade, mas o suficiente para segurar uma arma e preencher espaços nas manchetes dos jornais.
 
    Analfabetos em princípios, embora até possam saber ler, não possuem poder abstrativo suficiente para compreender os valores que deveriam ser comuns.      
 
    Seres distorcidos, sem a menor capacidade de compreender sentimentos nobres, quiçá senti-los. São as vinganças terríveis contra nossa indolência.
 
    Mas espero que o PAC funcione, sinceramente, a despeito do populismo que representa e o envolve, para poder ter notícias de que todas as crianças estão nas escolas. Que se alimentam. Que conheçam o que é amor, amizade e solidariedade. Que o ser humano vale a pena, afinal.
 
    E desejo, ardentemente que não esteja apenas o barulho dos cascos de um pangaré:  PAC  PAC  PAC, pelos corredores de um Palácio do Planalto, nu de sentimentos humanitários, mas prenhe de negociatas.
 
    Enquanto o horizonte ainda permanece o mesmo, entendo que o PAC precisa do outro PAC. Que o anteceda. Que seja sério, como o povo precisa e merece. Pois enquanto a corrupção permanecer chafurdando na impunidade, tudo será como antes, como agora e como depois, como sempre...
Joaquim Saturnino da Silva
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 08/03/2007