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Tentando imaginar os
resultados do PAC – Programa de Aceleração do
Crescimento, cheguei à inevitável conclusão de que ele
funcionará, apenas para alguns, jamais trazendo bem estar
para a maioria.
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Não é crível, que esse
plano possa funcionar se não estiver precedido um outro
PAC. O PAC - Plano de Anti-Corrupção.
Este deveria ser o “irmão mais velho”, a conduzi-lo pelas
“mãos”. Isto, claro, sendo o irmão mais velho sério,
responsável e honesto.
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Tenho a desagradável
desconfiança – quase certeza – que este solitário e capenga
PAC, apenas fará crescer o saldo das contas correntes
de uma minoria. Aliás, da mesma minoria que consome o
dinheiro público mais do que gado consome capim.
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Por isso, a primeira vez
que ouvi falar do PAC, imediatamente me lembrei daquele
joguinho eletrônico “PAC-MAN”, mas numa nova versão “PAC-MONEY”.
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As correrias populistas
sempre acabam por enriquecer apenas um pequeno grupo, em
detrimento do restante da população. Caso isso não fosse
verdadeiro, não teríamos o índice de desemprego, doenças e
violência que temos. Seríamos já, uma das duas maiores
potências do planeta. Talvez a primeira.
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Foi uma sensação
parecida com aquela que tive quando foi aprovada a Lei das
Parcerias Público Privada – PPP. Eram muitos “pês”
para o meu gosto e a certeza de tratar-se apenas de uma
legalização da “sociedade”, antes informal, das empresas
privadas com o patrimônio público.
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Certa vez creditou-se ao
ex-presidente da França, Charles De Gaulle, uma frase à qual
ele negou a paternidade: “o Brasil não é um país sério”.
Claro não precisaria ser nenhum vidente para dizer isso, mas
que a frase está correta, ah está. Nós a estamos endossando
no tempo.
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Em algum lugar distante,
na Amazônia, um pássaro gorjeia, Creio mais nesse lamento
avícola que no tal do PAC.
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Enquanto tudo isso
acontece, nossas crianças passam fome, até tornarem-se
maiores, não de idade, mas o suficiente para segurar uma
arma e preencher espaços nas manchetes dos jornais.
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Analfabetos em
princípios, embora até possam saber ler, não possuem poder
abstrativo suficiente para compreender os valores que
deveriam ser comuns.
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Seres distorcidos, sem a
menor capacidade de compreender sentimentos nobres, quiçá
senti-los. São as vinganças terríveis contra nossa
indolência.
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Mas espero que o PAC
funcione, sinceramente, a despeito do populismo que
representa e o envolve, para poder ter notícias de que todas
as crianças estão nas escolas. Que se alimentam. Que
conheçam o que é amor, amizade e solidariedade. Que o ser
humano vale a pena, afinal.
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E desejo, ardentemente
que não esteja apenas o barulho dos cascos de um pangaré:
PAC PAC PAC, pelos corredores de um Palácio do Planalto,
nu de sentimentos humanitários, mas prenhe de negociatas.
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Enquanto o horizonte
ainda permanece o mesmo, entendo que o PAC precisa do
outro PAC. Que o anteceda. Que seja sério, como o
povo precisa e merece. Pois enquanto a corrupção permanecer
chafurdando na impunidade, tudo será como antes, como agora
e como depois, como sempre...
Joaquim Saturnino da Silva
Publicação:
www.paralerepensar.com.br -
08/03/2007

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