A casa dos grandes pensadores
 
 
 

JOAQUIM SATURNINO DA SILVA

 

 

 

Predadores

Copiados da natureza, de forma ruim como toda cópia, vieram, para o seio da humanidade os homens predadores dos homens.
É compreensível o comportamento dos animais predadores que, numa certa escala hierárquica, uns vitimam outros, apenas por puro extinto de sobrevivência, como um cronograma da cadeia alimentar das espécies.
No caso humano é diferente. Este predador age racionalmente e com prazer. Qualquer sentimento presente em sua ação será sempre o indisfarçável orgulho da sucumbência de sua vítima. O sórdido prazer de destruir. A tentativa vã de saciar seu instinto destrutivo.
Desde as rústicas tocaias do sertão, até as sofisticadas e perversas armadilhas intelectuais do mundo corporativo, o sentimento sempre será o mesmo. Certíssima a máxima do grande pensador:  “o homem é o lobo do homem!
No caso dos animais, eles encontraram seus exterminadores: o homem.  No caso dos homens, delineia-se um exterminador em um futuro breve, além deles mesmos: a própria natureza.
A grande ironia nisso tudo, é que o predador homem será exterminado, numa análise final, por si mesmo. Ou seja, a cegueira da sua falsa onipotência, terminou por gerar, ao longo do tempo, a mais sutil das formas de suicídio.
Não se gera e mantém a fome e a miséria impunemente. Porém, não virá dos miseráveis a Justiça.  São fracos demais para isso. Mas possuem a seu lado a suprema ironia manejada pelas leis de causa e efeito, que os predadores se esqueceram de observar.
O Universo tem uma mente. Avalia tudo. Chamam-na de providência divina, mas não importa o nome. Importa que ela não está inerte, mas num compasso de espera. Como se aguardasse uma tomada de consciência da humanidade. Poderia dar certo, afinal?
Essa é a grande incógnita. A imensa pergunta que paira solene, desde a queimada das florestas, até os lixões das grandes metrópoles.
Passa pelas guerras estúpidas que desconsideram a vida, até as mãos estendidas, daqueles que pela própria fraqueza, desistiram de lutar. 
É como se Deus tivesse ainda a esperança de que o homem descobrisse que o verbo amar deve, além de ser conjugado, ser praticado. Pois para isso existe, afinal.
Mas enquanto isso não acontece, a vida segue seu curso em direção ao nada.
A título de exemplo, podemos olhar para nosso momento político atual, onde os predadores assumiram completamente o poder. Momento delicado, quando todos os homens de princípios abandonam, um a um, o cenário político nacional. A terrível sensação que temos, é a de que a sepultura de nosso País está pronta. E é tudo apenas uma questão de tempo, não muito tempo.
Cavada por seres sem o menor escrúpulo, munidos da mais terrível das armas manejadas pelos predadores modernos: a chantagem. O poder de domínio do ponto fraco dos adversários. O conhecimento de seus pequenos pecados que, por uma questão de comodidade, desejam manter ocultos.
Temos um Congresso Nacional terminal. Padece da mais completa falência de órgãos jamais vista na história.  Mas essa história poderá jamais se tornar oficial, porque os predadores sabem manejar suas armas. A única coisa que não sabem, é que sucumbirão junto, sem a menor piedade da Mente Universal.
Como homens falhamos.  E deixaremos gravado para o infinito a notícia de que os animais são muito mais “humanos” que nós.
E o grande erro dos predadores se repete: extinguem a manutenção de suas próprias vidas junto com a extinção de suas vítimas.
E será assim, por tal via tortuosa, que a Justiça se fará.
Joaquim Saturnino da Silva
Advogado e Administrador de Recursos Humanos
Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 17/10/2007