A casa dos grandes pensadores
 
 

JOAQUIM SATURNINO DA SILVA

 

 

 

UM POUCO APENAS

 
  Não é fora do comum, alguém assistir a um filme onde ele próprio aparece e comentar: “esse sou eu?” Ou ouvir a gravação de sua própria voz e também estranhar que aquela voz seja mesmo a sua. As fotografias também seguem a mesma linha. Uma certa estranheza sempre emerge.

Por quê isso acontece?

Não deveria, poder-se-ia dizer, pois todas as pessoas se olham no espelho quotidianamente.

Mas a resposta é demasiado simples: as pessoas não conhecem a si mesmas e o reflexo do espelho, não só não é ela mesma, mas está invertida. Lado direito e esquerdo estão trocados. O curioso é que, quando ocorre um acidental jogo de espelhos e um segundo espelho reflete a imagem da pessoa num primeiro e é vista por ela, logo a atenção é atraída. De relance parecia um estranho. Mas não era.

É interessante como essas “visões externas” de nós mesmos nos parecem estranhas. Mas elas contém apenas um pouco de nós, como verdadeiramente somos. E esse pouco já nos causa um certo desconforto, ou estranheza.

Pensamos que o ideal seria podermos sair de nós mesmo e nos olharmos “de fora”. Com certeza seria uma experiência e tanto!

Parece haver um medo inconsciente nas pessoas, que as afastam do desejo de conhecerem-se a si mesmas. Quase todos conhecem a famosa frase de Sócrates: “conheça-te e ti mesmo”.  Mas poucos se atrevem a seguir o conselho.

Em todo caso, imagens externas de nós, continuam a conter algo de nós, mas sempre será um pouco apenas. O restante teremos que garimpar.

Para finalizar, algumas perguntas: “se você encontrasse com você na rua, qual seria sua reação? 

Correria para um abraço?  Ou fugiria desconfiado e com medo?

Joaquim Saturnino da Silva

Publicação: www.paralerepensar.com.br - 30/11/2004