-
- Não é
fora do comum, alguém assistir a um filme onde ele próprio
aparece e comentar: “esse sou eu?” Ou ouvir a gravação de sua
própria voz e também estranhar que aquela voz seja mesmo a sua.
As fotografias também seguem a mesma linha. Uma certa estranheza
sempre emerge.
Por quê isso acontece?
Não deveria, poder-se-ia
dizer, pois todas as pessoas se olham no espelho
quotidianamente.
Mas a resposta é
demasiado simples: as pessoas não conhecem a si mesmas e o
reflexo do espelho, não só não é ela mesma, mas está invertida.
Lado direito e esquerdo estão trocados. O curioso é que, quando
ocorre um acidental jogo de espelhos e um segundo espelho
reflete a imagem da pessoa num primeiro e é vista por ela, logo
a atenção é atraída. De relance parecia um estranho. Mas não
era.
É interessante como
essas “visões externas” de nós mesmos nos parecem estranhas. Mas
elas contém apenas um pouco de nós, como verdadeiramente somos.
E esse pouco já nos causa um certo desconforto, ou estranheza.
Pensamos que o ideal
seria podermos sair de nós mesmo e nos olharmos “de fora”. Com
certeza seria uma experiência e tanto!
Parece haver um medo
inconsciente nas pessoas, que as afastam do desejo de
conhecerem-se a si mesmas. Quase todos conhecem a famosa frase
de Sócrates: “conheça-te e ti mesmo”. Mas poucos se atrevem a
seguir o conselho.
Em todo caso, imagens
externas de nós, continuam a conter algo de nós, mas sempre será
um pouco apenas. O restante teremos que garimpar.
Para finalizar, algumas
perguntas: “se você encontrasse com você na rua, qual seria sua
reação?
Correria para um abraço?
Ou fugiria desconfiado e com medo?
Joaquim Saturnino da Silva
Publicação:
www.paralerepensar.com.br - 30/11/2004